Paralisada, fusão Paramount-Warner somaria 200 milhões de assinantes
Decisão atende pedido de 12 estados americanos e suspende temporariamente negócio de US$ 110 bilhões até análise mais aprofundada

A fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery, suspensa temporariamente pela Justiça dos Estados Unidos nesta segunda-feira (20/7), daria origem a um dos maiores conglomerados de entretenimento do mundo. Juntas, as empresas reuniriam cerca de 200 milhões de assinantes de streaming e um catálogo que inclui marcas como HBO, CNN, CBS, Harry Potter, DC Comics e Nickelodeon.
A decisão de suspender a operação, avaliada em US$ 110 bilhões (cerca de R$ 562 bilhões), foi proferida por uma juíza federal de Oakland, na Califórnia, após um pedido apresentado por uma coalizão formada por 12 estados americanos. O grupo argumenta que a fusão pode reduzir a concorrência no setor de entretenimento e prejudicar consumidores ao concentrar ainda mais poder em uma única empresa.
Segundo a ação, a união entre Paramount e Warner Bros. Discovery criaria um conglomerado com influência suficiente para pressionar preços de filmes, séries e outros conteúdos, além de enfraquecer a disputa por audiência e assinantes no mercado de mídia.
Os estados também alegam que a conclusão imediata do negócio poderia provocar mudanças difíceis de reverter caso a operação venha a ser considerada ilegal no futuro. Entre os riscos apontados estão possíveis demissões, reorganizações internas e o compartilhamento de informações estratégicas entre as companhias.
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Ver todasA Paramount rebate as acusações e afirma que a ação apresenta uma interpretação equivocada das leis antitruste americanas. A empresa sustenta que a operação é necessária para fortalecer sua posição diante da crescente concorrência das plataformas de streaming e argumenta que um atraso na transação pode gerar impactos negativos para trabalhadores da indústria do entretenimento.
A suspensão representa mais um obstáculo para a fusão, anunciada em fevereiro. Embora tenha recebido sinal verde do Departamento de Justiça dos EUA, a operação continua sob análise de órgãos reguladores em diferentes países.
Além da resistência regulatória, o negócio enfrenta críticas de sindicatos, roteiristas, atores, exibidores de cinema e outros profissionais do setor, que temem cortes de empregos e redução na produção de conteúdo.
A operação é vista como uma tentativa de ganhar escala em um mercado cada vez mais dominado por gigantes como Netflix e Disney. Se o acordo for concluído, a família Ellison, controladora da Paramount, também passará a exercer influência sobre algumas das marcas mais tradicionais do jornalismo americano, incluindo CBS News, o programa 60 Minutes e a CNN.



