Acionistas aprovam venda da Warner para Paramount em fusão bilionária
Em fevereiro, a Paramount anunciou um acordo para comprar a Warner, numa operação de US$ 110 bilhões. Empresa venceu disputa com a Netflix
atualizado
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A maioria dos acionistas da Warner Bros. Discovery aprovou, nesta quinta-feira (23/4), a venda da companhia para a Paramount Skydance, abrindo caminho para que a megafusão bilionária seja sacramentada oficialmente.
Em fevereiro deste ano, a Paramount anunciou que havia chegado a um acordo para a transação, em uma operação de US$ 110 bilhões (cerca de R$ 546,1 bilhões, pela cotação atual).
A Paramount venceu uma longa disputa com a Netflix, gigante do streaming, pela compra da Warner – dona da HBO, CNN e do estúdio de cinema Warner Bros. A proposta da Netflix girava em torno de US$ 83 bilhões e excluía ativos importantes da Warner, como CNN e Discovery.
Caso a megafusão seja aprovada pelos órgãos regulatórios dos Estados Unidos, a operação resultará em um gigante global do entretenimento, reunindo marcas como HBO, DC Comics, Harry Potter e Game of Thrones.
A base potencial estimada para a futura empresa é de cerca de 200 milhões de assinantes.
Segundo a maioria dos acionistas da Warner, a proposta da Paramount foi “superior” à da Netflix – que recebeu um prazo para que cobrisse o valor, o que não ocorreu.
De acordo com a proposta da Paramount, o pagamento será de US$ 31 por ação e incluirá a dívida da Warner. A empresa também se comprometeu a pagar uma multa maior caso o negócio seja barrado pelas autoridades regulatórias.
Atores divulgaram carta contra a fusão
No abaixo-assinado contra a megafusão, os astros e estrelas do cinema norte-americano alegam que a transação, se confirmada, pode levar a demissões em massa e ao aumento de custos, em um cenário de menos opções para o público no streaming e nos cinemas.
“Essa transação deixaria o mercado de mídia, que já é superconcentrado, ainda mais nas mãos de poucos, reduzindo a competição em um momento em que nossos setores – e as plateias que atendemos – menos podem suportar isso”, diz o documento assinado, entre os “figurões”, há nomes como o ator Joaquin Phoenix, a atriz Glenn Close e o ator e diretor Adam McKay.
“O resultado será menos oportunidades para criadores, menos empregos em toda a cadeia de produção, custos mais altos e menos opções para o público nos Estados Unidos e no resto do mundo”, diz a carta pública.
No manifesto, os atores, atrizes, diretores e roteiristas afirmam que farão “oposição inequívoca” à compra da Warner pela Paramount. O acordo será analisado por órgãos regulatórios nos EUA, no Reino Unido e na União Europeia (UE).
A novela entre Paramount e Warner
Em dezembro do ano passado, o bilionário Larry Ellison, presidente-executivo da Oracle, anunciou que daria uma garantia pessoal de US$ 40,4 bilhões para que a Paramount superasse a oferta então apresentada pela Netflix e vencesse a disputa para a compra da Warner.
Segundo Ellison, tratava-se de uma garantia pessoal e “irrevogável” em financiamento de capital próprio para a proposta de US$ 108,4 bilhões apresentada pela Paramount para adquirir a Warner.
A companhia informou ainda que aumentaria a taxa regulatória de rescisão reversa de US$ 5 bilhões para US$ 5,8 bilhões. A Paramount manteve a oferta de comprar, em dinheiro, 100% das ações em circulação da Warner. O filho de Larry Ellison, David Ellison, é o atual diretor-presidente da Paramount.
O caminho só se abriu, definitivamente, para a Paramount após a Netflix anunciar sua desistência do negócio, em fevereiro deste ano. Na ocasião, o gigante do streaming informou que, pelo preço exigido “para igualar a última oferta da Paramount, a compra da Warner já não era “mais financeiramente atraente”.
A Paramount Skydance é uma empresa formada a partir da fusão entre a Paramount Global e a Skydance Media, concluída em agosto do ano passado.
A Paramount também opera canais de TV, como o Paramount Network, e o serviço de streaming gratuito Pluto TV.
