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Inflação volta a acelerar e fica em 0,23% em agosto, diz IBGE

No acumulado de 12 meses, até agosto, a inflação oficial do país foi de 4,61%. Aumento da energia elétrica impulsionou aceleração do índice

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Aline Massuca/ Metrópoles
Energia, luz, dinheiro - aumento na conta de luz - Metropoles
1 de 1 Energia, luz, dinheiro - aumento na conta de luz - Metropoles - Foto: Aline Massuca/ Metrópoles

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, ficou em 0,23% em agosto deste ano, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira (12/9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado do mês passado confirma que a inflação, de fato, voltou a acelerar no país, após a queda de preços registrada em junho, quando o IPCA teve deflação de 0,08%. Deflação é a queda generalizada de preços de produtos e serviços, de forma contínua. Em julho, o índice foi de 0,12%.

No acumulado de 12 meses, até agosto, a inflação oficial do país foi de 4,61%. No ano, a inflação acumulada é de 3,23%.

O resultado veio um pouco abaixo das estimativas dos analistas. O consenso Refinitiv, que reúne as principais projeções do mercado, previa inflação mensal de 0,28% e, no acumulado de 12 meses, um índice de 4,67%. Divulgado há duas semanas, o IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial, ficou em 0,28% em agosto.

Segundo o Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para este ano é 3,25%. Como há intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, a meta será cumprida se ficar entre 1,75% e 4,75%.

De acordo com a última edição do Relatório Focus, do Banco Central (BC), o mercado projeta que a inflação termine 2023 em 4,93%, acima do teto da meta definida pelo CMN.

Analistas já esperavam alta da inflação no 2º semestre

Especialistas ouvidos pelo Metrópoles já esperavam que a inflação voltaria a avançar no Brasil a partir do segundo semestre, como está, de fato, ocorrendo. O índice cheio do IPCA (a inflação oficial do país) registrado em junho (deflação de 0,08%), segundo eles, deve ter sido o patamar mínimo do indicador em 2023.

De acordo com economistas e agentes do mercado ouvidos pela reportagem, a alta do IPCA nos últimos meses afasta qualquer possibilidade de o BC aumentar o ritmo de corte da taxa básica de juros nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom).

A elevação dos juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Atualmente, a Selic está em 13,25% ao ano, depois de uma redução de 0,5 ponto percentual. Esse ritmo de queda da Selic deve ser mantido até o fim do ano. A próxima reunião do Copom está marcada para a semana que vem, nos dias 19 e 20.

Em 2022, o Brasil teve inflação acumulada de 5,79%. A taxa apurada ficou acima da meta estipulada pelo governo federal pelo segundo ano consecutivo.

Energia elétrica puxa alta

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE em agosto, seis tiveram alta de preços.

O maior impacto positivo (0,17 ponto percentual) e a maior variação (1,11%) vieram do grupo de habitação. Destacam-se, ainda, as altas de saúde e cuidados pessoais (0,58%) e transportes (0,34%).

Pelas quedas, o grupo alimentação e bebidas caiu pelo terceiro mês consecutivo (-0,85%). Os demais ficaram entre -0,09% (comunicação) e 0,69% (educação).

A principal influência no resultado de agosto veio de habitação, com destaque para os preços da energia elétrica residencial, com alta de 4,59% e impacto de 0,18 ponto percentual no índice geral.

“O aumento na energia elétrica foi influenciado, principalmente, pelo fim da incorporação do bônus de Itaipu, referente a um saldo positivo na conta de comercialização de energia elétrica de Itaipu em 2022, que foi incorporado nas contas de luz de todos os consumidores do Sistema Interligado Nacional em julho e que não está mais presente em agosto”, explica o gerente do IPCA/INPC, André Almeida.

Veja a variação de todos os grupos pesquisados:

  • Habitação: 1,11%
  • Educação: 0,69%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,58%
  • Vestuário: 0,54%
  • Despesas pessoais: 0,38%
  • Transportes: 0,34%
  • Artigos de residência: -0,04%
  • Comunicação: -0,09%
  • Alimentação e bebidas: -0,85%
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