Inflação nos EUA acelera em agosto, mas fica dentro do esperado

O Índice de Preços ao Consumidor nos EUA (CPI, na sigla em inglês), que mede a inflação nos EUA, ficou em 2,9% em agosto, na base anual

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A inflação nos Estados Unidos em agosto deste ano teve uma ligeira aceleração em relação ao mês anterior e veio dentro da estimativa dos analistas do mercado, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (11/9) pelo Departamento do Trabalho.

O Índice de Preços ao Consumidor nos EUA (CPI, na sigla em inglês), que mede a inflação no país, ficou em 2,9% em agosto, na base anual, ante 2,7% registrados em julho.

Na comparação mensal, o índice foi de 0,4%, ante 0,2% em julho.

Os resultados da inflação nos EUA vieram praticamente em linha com os prognósticos do mercado. A média das estimativas era de 2,9% (anual) e 0,3% (mensal).

Taxa de juros

A meta de inflação nos EUA é de 2% ao ano. Embora não esteja nesse patamar, o índice vem se mantendo abaixo de 3% desde julho de 2024.

Em sua última reunião, nos dias 29 e 30 de julho, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) anunciou a manutenção dos juros básicos no intervalo de 4,25% a 4,5% ao ano.

A próxima reunião do Fed para definir a taxa de juros acontece na semana que vem, nos dias 16 e 17.

A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.

Fed deve começar ciclo de cortes

No mercado, já não se discute se os juros dos EUA vão cair a partir da semana que vem. Para os investidores, a questão, agora, é saber de quanto será o corte e quantos deles ocorrerão até o fim deste ano.

Uma queda da taxa de juros norte-americana tem forte impacto na economia global. Ela tende a reduzir a pressão sobre o dólar, baixando a cotação da moeda americana frente a outras moedas. Também torna mais atrativos os ativos de renda variável – e, portanto, de maior risco –, como as ações negociadas em bolsa.

Desde que o presidente norte-americano Donald Trump tomou posse para seu segundo mandato na Casa Branca, o Fed não baixou os juros. A expectativa é que isso ocorra na semana que vem – a dúvida é se o corte será de 0,25 ponto percentual ou de 0,5 ponto percentual.

Na semana passada, uma série de dados de emprego nos EUA mostraram um arrefecimento da economia norte-americana, o que reforçou a aposta na queda dos juros.

Divergências no Fed

No início de julho, o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que a taxa básica de juros no país já teria sido reduzida pela autoridade monetária caso o governo do presidente norte-americano Donald Trump não tivesse aplicado uma série de tarifas comerciais contra mais de uma centena de países – que acabam pressionando a inflação norte-americana.

Nos últimos meses, diretores do Fed indicaram que o BC norte-americano poderia avaliar o início do ciclo de queda dos juros já a partir da próxima reunião do Fomc. Falando recentemente na Câmara dos Deputados e no Senado dos EUA, no entanto, Powell adotou um discurso bem mais comedido.

A vice-presidente de Supervisão do Fed, Michelle Bowman, por sua vez, disse que os dados mais fracos do mercado de trabalho nos EUA dão condições à autoridade monetária de iniciar um ciclo de cortes da taxa básica de juros da economia.

Emprego

Em agosto, segundo dados do Departamento do Trabalho, a economia dos EUA registrou a criação de 22 mil novas vagas de emprego. Trata-se do chamado “payroll”, um indicador econômico mensal dos EUA que indica a evolução do emprego no país fora do setor agrícola. O relatório, divulgado pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), é considerado determinante para as avaliações sobre o desempenho da economia norte-americana.

Agosto foi o quarto mês consecutivo com resultados inferiores a 100 mil empregos nos EUA. É o ritmo mais fraco do mercado de trabalho norte-americano desde a pandemia de Covid-19.

O resultado veio bem abaixo das projeções do mercado, que indicavam a criação de 75 mil vagas. A taxa de desemprego foi de 4,3%.

Analistas temiam que uma possível aceleração do mercado de trabalho nos EUA levasse a um novo aperto da política monetária pelo Fed. Nesse sentido, a criação de vagas abaixo das expectativas foi interpretada pelo mercado como uma notícia positiva, pois pode significar maior espaço para a queda dos juros.

Análise

Segundo André Valério, economista sênior do Banco Inter, os dados da inflação norte-americana em agosto “não devem mudar o pensamento do Fed, que se mostra focado no desempenho do mercado de trabalho”.

“Considerando os últimos dados de emprego, o Fed deverá iniciar o ciclo de cortes na próxima reunião do dia 17, com um corte inicial de 25 pontos-base, e sinalizar uma sequência de cortes”, afirma.

“O resultado do mês foi puxado, principalmente, por maiores custos com energia, especialmente gasolina, que avançou 1,9% no mês, impactando também a inflação de serviços de transportes, que avançou 1%”, destaca Valério.

Além disso, segundo o economista, “vemos pressões em alimentos, com alimentação em domicílio tendo alta de 0,6% no mês, o que, juntamente com as altas de carros novos e usados (0,3% e 1%) e vestuário (0,5%), sugere maior repasse tarifário”. “De fato, a inflação de bens acelera pelo terceiro mês consecutivo, com o núcleo da inflação de bens apresentando alta de 0,28% em agosto, ante alta de 0,21% em julho.”

Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, a inflação nos EUA ficou “dentro da expectativa média dos analistas, mas reforça a dificuldade de convergência para a meta de 2% em meio aos impactos das tarifas comerciais nos preços”.

“O dado dificulta a decisão do Fed para a reunião do Fomc na semana que vem, já que o movimento esperado, de corte na taxa de juros, pode resultar em novos aumentos nos preços. Com o contexto geral, de enfraquecimento do mercado de trabalho, a expectativa continua sendo de retomada do ciclo de afrouxamento monetário na próxima reunião, mas a possibilidade de um corte maior, de 0,5 ponto percentual, fica afastada após esta leitura do CPI, que também amplia dúvidas sobre o ritmo dos cortes futuros”, conclui.

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