Crise dos elétricos faz indústria automotiva perder US$ 65 bilhões

Em 2025, perdas relacionadas ao mercado de elétricos em nível global chegaram a US$ 65 bilhões, em meio à fraca demanda e à queda nas vendas

atualizado

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Seksan Mongkhonkhamsao/Getty
Carro elétrico carregando
1 de 1 Carro elétrico carregando - Foto: Seksan Mongkhonkhamsao/Getty

A fraca demanda por veículos elétricos e a queda expressiva nas projeções de vendas desses modelos por algumas das principais montadoras do mundo fez com que o setor automotivo fechasse o ano passado amargando um prejuízo bilionário no segmento.

Em 2025, as perdas relacionadas ao mercado de elétricos em nível global chegaram a US$ 65 bilhões (cerca de R$ 339,8 bilhões, pela cotação atual), em meio à revisão dos planos de investimento das companhias da indústria automobilística.

Apenas neste mês de fevereiro, a Stellanis, montadora multinacional proprietária das marcas Fiat, Peugeot, Chrysler e Jeep, registrou uma baixa contábil de US$ 26 bilhões (R$ 135,9 bilhões) para cancelar alguns modelos 100% elétricos.

A baixa contábil é o procedimento de remover um ativo ou passivo do balanço patrimonial de uma empresa, registrando-o como despesa ou perda definitiva. Ela ocorre quando um item perde seu valor econômico, é alienado ou quitado, garantindo que os relatórios financeiros reflitam a realidade.

Fator Trump afeta montadoras

A medida tomada pela Stellantis é semelhante a baixas contábeis já anunciadas por concorrentes como Ford e General Motors, em meio à decisão de várias fabricantes de se afastarem de modelos elétricos como resposta às tarifas comerciais impostas pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos e à fraca demanda.

As projeções de vendas de veículos, especialmente elétricos, vêm sendo reduzidas, gradativamente, desde que o governo Trump cortou incentivos federais ao setor.

Um crédito fiscal de US$ 7,5 mil direcionado a modelos movidos a bateria expirou no fim de setembro. Trump afrouxou ainda mais as regulamentações sobre as emissões de poluentes de veículos, o que acabou afetando as vendas de elétricos.

Em setembro, a norte-americana Ford anunciou um corte de mil empregos, também por causa da fraca demanda por veículos elétricos. Em outubro, a General Motors, outra importante montadora dos Estados Unidos, informou que promoverá demissões em massa pelos mesmos motivos.

A empresa disse que cortará a produção de elétricos e de baterias e demitirá 1,7 mil funcionários e colaboradores em pelo menos duas fábricas.

Mudança de planos

A japonesa Honda, que chegou a anunciar que pretendia encerrar a fabricação de veículos a gasolina e diesel até 2040, projetou perdas anuais de US$ 4,5 bilhões (R$ 23,5 bilhões) relacionadas aos modelos elétricos, incluindo US$ 1,9 bilhão (R$ 9,9 bilhões) em baixas contábeis.

“O mercado está mudando dramaticamente. Precisaremos monitorar as tendências do nosso volume de vendas e talvez tenhamos de tomar algumas outras medidas”, admitiu o vice-presidente executivo da Honda, Noriya Kaihara.

Discurso semelhante foi feito pelo CEO da Ford, Jim Farley, em conferência com investidores na semana passada. Segundo o executivo, o ambiente regulatório global é uma “incógnita” neste momento.

“Há escolhas suficientes ao redor do mundo em eletrificação para que possamos selecionar as preferências dos clientes globalmente e chegar à estratégia certa, não apenas nos EUA, mas em todo o mundo”, concluiu.

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