Com juro alto, CNI reduz projeção de crescimento da indústria em 2025

Além do juro alto, considerado principal obstáculo para um maior crescimento da indústria, CNI aponta três fatores para a desaceleração

atualizado

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Sérgio Lima/CNI
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1 de 1 Imagem colorida de equipamento da indústria - Foto: Sérgio Lima/CNI

A economia brasileira deve crescer 2,3% em 2025, de acordo com estimativas divulgadas nesta sexta-feira (17/10) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os dados fazem parte do Informe Conjuntural do 3º trimestre, elaborado pela entidade.

Apesar de ter mantido a projeção de alta do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para este ano, a CNI revisou para baixo as suas estimativas em relação ao desempenho da indústria nacional, que deve registrar uma expansão de 1,6% neste ano – foi a segunda revisão para baixo consecutiva.

De acordo com a CNI, o setor industrial deve ser impactado negativamente pela desaceleração da indústria de transformação, cuja projeção de alta passou de 1,9% para apenas 0,7%.

Por outro lado, a indústria extrativa deve subir 6,2% em 2025, ante uma alta de 2% estimada no último levantamento da CNI.

A indústria da construção, por sua vez, teve a perspectiva de crescimento revisada para baixo, de 2,2% para 1,9% em 2025. Segundo CNI, o elevado patamar da taxa básica de juros, atualmente em 15% ao ano, prejudicou as vendas do varejo de produtos do setor e a produção de insumos típicos da construção.

O que explica a desaceleração da indústria

Além dos juros altos, considerado o principal obstáculo para um maior crescimento da indústria, a CNI aponta outros três fatores que explicam a redução das estimativas para o setor.

“A demanda por bens industriais na economia brasileira vem diminuindo. Além disso, nós tivemos um aumento expressivo das importações. Ou seja, o mercado brasileiro não cresce e, cada vez mais, as importações dominam, inibindo a capacidade de crescimento da produção nacional. O fator mais recente são as tarifas adicionais dos EUA, principal parceiro comercial da indústria de transformação”, explica o diretor de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles.

“Em agosto e setembro, as exportações desse segmento para os EUA caíram 21,4% na comparação com os mesmos meses do ano passado”, observa.

Agro e serviços

Segundo as estimativas da CNI, o setor agropecuário do Brasil deve fechar o ano com uma fort alta de 8,3%, ante 7,9% da projeção anterior.

A perspectiva mais favorável do agro se deve, entre outros fatores, aos bons resultados da produção agrícola.

Já o setor de serviços teve o crescimento revisto de 1,8% para 2% em 2025, em função do mercado de trabalho mais aquecido e do aumento das despesas primárias do governo federal no 2º semestre deste ano.

Inflação deve continuar perdendo força

Ainda de acordo com a CNI, a inflação no Brasil deve continuar perdendo força neste ano. A entidade projeta que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, deve ficar em 4,8%.

Segundo o Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para este ano é de 3%. Como há um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, a meta será cumprida se ficar entre 1,5% e 4,5%. A CNI espera, portanto, que a inflação estoure o teto da meta neste ano, mas por uma margem pequena.

Mesmo assim, segundo a entidade industrial, não há perspectiva de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) inicie o ciclo de corte da taxa de juros ainda neste ano. Isso significa que, para a CNI, a Selic fechará 2025 nos atuais 15% ao ano, maior patamar em quase duas décadas.

“Os juros elevados vão diminuir o apetite de empresas e consumidores por crédito. Por isso, as concessões totais de crédito devem ter crescimento real de 5,5%, quase metade dos 10,7% do ano passado. Os juros altos, a perda de ritmo da indústria e o cenário externo turbulento vão impactar os investimentos, que devem registrar alta de 3%, ante os 7,3% de 2024”, aponta a CNI.

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