Produção industrial esboça reação e cresce em agosto, diz IBGE

Em relação ao mesmo período do ano passado, no entanto, a produção industrial brasileira teve uma leve queda de 0,7%, segundo dados do IBGE

atualizado

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Imagem de fábrica da indústria têxtil - Metrópoles
1 de 1 Imagem de fábrica da indústria têxtil - Metrópoles - Foto: Jason Dean/Getty Images

A produção industrial brasileira avançou em agosto deste ano, na comparação com o mês anterior, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (3/10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


O que aconteceu

  • Em agosto, segundo o levantamento, a produção industrial do país registrou alta de 0,8%, na comparação mensal, na série com ajuste sazonal.
  • Em relação ao mesmo período do ano passado, o setor teve uma queda de 0,7%.
  • No acumulado de 2025 até agosto, a produção industrial teve alta de 0,9%.
  • No período de 12 meses até agosto, o aumento na produção foi de 1,6%.
  • Na série com ajuste sazonal, a média móvel trimestral registrou alta de 0,3% no período de três meses encerrado em agosto deste ano, na comparação com o mês anterior.
  • O resultado da indústria em agosto veio acima das estimativas dos analistas do mercado, que eram de alta de 0,3% (mensal) e queda de 0,8% (anual).

Divisão por categorias

De acordo com os dados do IBGE, três das quatro grandes categorias econômicas e 16 dos 25 segmentos industriais pesquisados tiveram crescimento na produção em agosto.

Entre as atividades monitoradas, as influências positivas mais relevantes foram de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (+13,4%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (+1,8%) e produtos alimentícios (+1,3%).

Também tiveram alta em agosto os segmentos de impressão e reprodução de gravações (+26,8%), veículos automotores, reboques e carrocerias (+1,8%), produtos diversos (+5,8%), outros equipamentos de transporte (+4,4%) e bebidas (+1,7%).

Por outro lado, entre as atividades cuja produção recuou em agosto, destaque para produtos químicos (-1,6%), que teve o maior impacto na média da indústria e interrompeu três meses consecutivos de alta.

Também houve influências negativas dos segmentos de máquinas e equipamentos (-2,2%), produtos de madeira (-8,6%), artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (-3,6%) e indústrias extrativas (-0,3%).

Já entre as grandes categorias econômicas, ainda na comparação com o mês anterior, as taxas positivas ficaram com bens intermediários (+1%), bens de consumo semi e não duráveis (+0,9%) e bens de consumo duráveis (+0,6%). Por outro lado, o setore de bens de capital recuou 1,4% no período.

Análise

Segundo André Valério, economista sênior do Banco Inter, apesar do resultado forte no mês, “a tendência de queda na produção industrial permanece”.

“No acumulado em 12 meses, a produção cresce no menor ritmo desde junho de 2024. O avanço em agosto parece ser mais uma recomposição das perdas recentes, que nos últimos 4 meses imediatamente anteriores acumulavam queda de 1,1%. Os dados ainda apontam para acomodação da atividade econômica na margem, reflexo da política monetária restritiva”, avalia.

Claudia Moreno, economista do C6 Bank, entende que, com o resultado de agosto, “o segmento de bens de capital, ligado a investimentos em máquinas e equipamentos, mostra uma tendência clara de enfraquecimento”. “Esse movimento é reflexo dos juros altos, que aumentam o custo do financiamento para a compra desses produtos, desestimulando os investimentos na modernização e na ampliação de parques produtivos”, avalia.

“Apesar do crescimento registrado em agosto, os dados da produção industrial ao longo dos últimos meses corroboram nossa análise de que a indústria brasileira como um todo perdeu força em 2025. Nossa expectativa é de que o setor termine o ano com crescimento próximo a 1%, depois de registrar expansão de 3,1% em 2024”, projeta Moreno.

“O desempenho da indústria nos últimos meses reforça nossa projeção de que a economia brasileira como um todo deve crescer menos do que em 2024. Essa perda de fôlego é reflexo dos juros altos, que tendem a impactar os investimentos e provocar uma desaceleração da atividade econômica. Nossa expectativa é de que o PIB cresça 2% em 2025 e 1,5% em 2026.”

Igor Cadilhac, economista do PicPay, afirma que, “de forma geral, seguimos observando sinais de desaceleração gradual da atividade econômica, com segmentos menos sensíveis ao ciclo, como a indústria extrativa, compensando ao longo do ano os desafios estruturais enfrentados pela indústria de transformação”. “Já em agosto, a dinâmica foi distinta: enquanto a indústria de transformação avançou 0,6%, a extrativa recuou 0,3%”, destacou.

“Para 2025, projetamos crescimento de 1,9% na produção industrial brasileira. Apesar dos desafios impostos pela desaceleração da economia global e pelo prolongado período de juros elevados, acreditamos que a retração será moderada. Fatores como uma balança comercial sólida e políticas governamentais de estímulo à atividade devem contribuir para mitigar os impactos negativos sobre o setor”, concluiu.

Para o economista Maykon Douglas, “a indústria surpreendeu em agosto”. “No entanto, a base de cálculo depreciada também explica esse resultado, pois o setor vinha reportando números ruins na indústria de transformação”, afirma.

“Com exceção da indústria de bens intermediários, todas as categorias econômicas estão negativas quando anualizamos a variação trimestral móvel. Nessa métrica, por exemplo, os bens de consumo registram uma queda de 9%”, observa.

“O cenário não é dos mais favoráveis à indústria, pois a tendência é que o consumo mais sensível à renda continue sentindo o efeito defasado dos juros altos”, completa o economista.

Em nota, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) diz que, “apesar do resultado positivo em agosto, a perspectiva para os próximos meses de 2025 é de desaceleração da atividade industrial, devido, sobretudo, aos juros elevados – com o agravamento das condições de crédito, aumento da inadimplência e do endividamento”. “Além disso, o contexto internacional mais adverso representa um desafio adicional à indústria”, alerta a entidade.

“Em contrapartida, o mercado de trabalho resiliente, o aumento da renda real, as medidas anunciadas pelo governo federal por meio da MP Brasil Soberano, a continuidade das transferências fiscais elevadas e políticas governamentais para estimular a demanda interna podem contrabalançar os vetores negativos para o setor industrial em 2025”, afirma a Fiesp.

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