Grupo Toky anuncia troca de presidente após pedir recuperação judicial
Entre as mudanças, estão troca do presidente-executivo da companhia e afastamento de fundadores da Mobly. Empresa pediu recuperação judicial
atualizado
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O Grupo Toky, dono da Tok&Stok e da Mobly, anunciou importantes mudanças em sua estrutura de comando, nesta quarta-feira (13/5), um dia depois de apresentar um pedido de recuperação judicial.
Entre as mudanças, estão a troca do presidente-executivo da companhia e o afastamento de fundadores da Mobly.
O que muda
Em comunicado ao mercado, o Grupo Toky informou que o então presidente-executivo, Victor Pereira Noda, deixa o cargo e será substituído por André Ferreira Peixoto.
O novo diretor financeiro e de Relações com Investidores do grupo será Fabio Ferrante, que assume o cargo no lugar de Marcelo Rodrigues Marques.
Outra modificação é a troca de Mário Fernandes Filho na Diretoria de Operações e Sistemas Logísticos, substituído por Daniel Passos de Melo.
Noda, Marques e Fernandes Filho, fundadores da empresa, permanecerão como membros do Conselho de Administração do Grupo Toky e da Estok Comércio e Representações S.A.
“A transição ora comunicada não acarreta qualquer alteração significativa na estratégia de longo prazo, nos compromissos assumidos perante os acionistas e o mercado ou na condução dos negócios da companhia”, afirmou o Grupo Toky no comunicado.
Recuperação judicial
Na véspera, o Grupo Toky apresentou um pedido de recuperação judicial. Em comunicado encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o dono da Tok&Stok e da Mobly afirmou que a decisão foi tomada em meio a um ambiente macroeconômico desafiador, principalmente para o setor de varejo de móveis e decoração, diante de elevadas taxas de juros e do maior nível de endividamento das famílias.
A recuperação judicial é um processo que permite às organizações renegociarem suas dívidas, evitando o encerramento das atividades, demissões ou falta de pagamento aos funcionários.
Por meio desse instrumento, as empresas ficam desobrigadas de pagar aos credores por algum tempo, mas têm de apresentar plano para acertar as contas e seguir em operação. Em linhas gerais, a recuperação judicial é uma tentativa de evitar a falência.
“Apesar dos esforços empregados pela administração na negociação da reestruturação do endividamento junto aos credores da controlada Tok&Stok, o alto endividamento do grupo persiste e vem se agravando”, disse o Grupo Toky.
Esse cenário, ainda segundo a empresa, “exige a adoção urgente de medidas adicionais destinadas a preservar suas atividades, proteger sua liquidez e permitir a implementação de uma reestruturação ordenada de seu endividamento e de sua estrutura de capital”.
Ainda de acordo com o Grupo Toly, o pedido de recuperação judicial pretende “resguardar a companhia e as suas controladas, viabilizar a continuidade de suas atividades, preservar os serviços por elas prestados, preservar seu valor e sua função social, bem como criar condições para a negociação e implementação de solução adequada para suas obrigações”.
O pedido de recuperação judicial do Grupo Toky foi apresentado à Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível do Estado de São Paulo.
No fim do ano passado, o grupo tinha dívida bruta de R$ 432,1 milhões. Entre os seus principais credores, estão alguns dos principais bancos do país, como Banco do Brasil, Santander e Bradesco.
