Recuperação judicial: ação do Grupo Toky desaba 41% e vale centavos
As ações do Grupo Toky negociadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3) afundaram no pregão desta terça-feira (12/5) e entraram em leilão
atualizado
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As ações do Grupo Toky negociadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3) afundaram no pregão desta terça-feira (12/5) e entraram em leilão, dia em que a companhia anunciou que apresentou um pedido de recuperação judicial.
Em comunicado encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o dono da Tok&Stok e da Mobly afirmou que a decisão foi tomada em meio a um ambiente macroeconômico desafiador, principalmente para o setor de varejo de móveis e decoração, diante de elevadas taxas de juros e do maior nível de endividamento das famílias.
A recuperação judicial é um processo que permite às organizações renegociarem suas dívidas, evitando o encerramento das atividades, demissões ou falta de pagamento aos funcionários.
Por meio desse instrumento, as empresas ficam desobrigadas de pagar aos credores por algum tempo, mas têm de apresentar plano para acertar as contas e seguir em operação. Em linhas gerais, a recuperação judicial é uma tentativa de evitar a falência.
Ações afundam e entram em leilão
- Por volta das 12h15 (pelo horário de Brasília), as ações do Grupo Toky negociadas na B3 despencavam 41,38% e valiam centavos (R$ 0,17).
- Mais cedo, pouco antes das 11h30, os papéis da companhia tombavam 34,4%, cotados a R$ 0,19.
- Às 12h33, o Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações negociadas na B3, recuava 0,95%, aos 180,1 mil pontos.
- As ações do Grupo Toky entraram em leilão. O leilão de ações é um mecanismo utilizado pelas bolsas de valores para equilibrar a oferta e a demanda de ações em momentos específicos do pregão. Ele assegura que o preço de uma ação reflita de forma mais precisa o equilíbrio entre compradores e vendedores.
O que diz o Grupo Toky
“Apesar dos esforços empregados pela administração na negociação da reestruturação do endividamento junto aos credores da controlada Tok&Stok, o alto endividamento do grupo persiste e vem se agravando”, disse o Grupo Toky.
Esse cenário, ainda segundo a empresa, “exige a adoção urgente de medidas adicionais destinadas a preservar suas atividades, proteger sua liquidez e permitir a implementação de uma reestruturação ordenada de seu endividamento e de sua estrutura de capital”.
Ainda de acordo com o Grupo Toly, o pedido de recuperação judicial pretende “resguardar a companhia e as suas controladas, viabilizar a continuidade de suas atividades, preservar os serviços por elas prestados, preservar seu valor e sua função social, bem como criar condições para a negociação e implementação de solução adequada para suas obrigações”.
O pedido de recuperação judicial do Grupo Toky foi apresentado à Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível do Estado de São Paulo.
Dívida e disputa de acionistas
No fim do ano passado, o grupo tinha dívida bruta de R$ 432,1 milhões. Entre os seus principais credores, estão alguns dos principais bancos do país, como Banco do Brasil, Santander e Bradesco.
A empresa também vem enfrentando acirrada batalha de acionistas por seu controle pelo menos desde 2024, quando houve a aquisição da Tok&Stok pela Mobly em negociação que envolveu apenas troca de ações.
Na ocasião, o controle da rede varejista com cerca de 60% do capital, que pertencia à SPX Capital, passou à Mobly, enquanto a gestora se tornou acionista da nova companhia.
