Após 2 anos, Coteminas tem recuperação judicial aceita pela Justiça
A dívida da companhia com os credores é de cerca de R$ 2 bilhões. Empresário Josué Gomes da Silva, ex-presidente da Fiesp, é CEO e acionista
atualizado
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A Justiça de Minas Gerais aceitou, nesta terça-feira (5/5), o pedido de recuperação judicial apresentado pelo grupo Coteminas, gigante brasileiro do setor têxtil.
A dívida da companhia com os credores, no âmbito da recuperação judicial, é de cerca de R$ 2 bilhões.
O empresário Josué Gomes da Silva, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e filho do ex-vice-presidente da República José Alencar (1931-2011), é o CEO e principal acionista da Coteminas.
Dois anos de espera
O pedido de recuperação judicial da empresa começou a tramitar na Justiça de Minas há dois anos, em 2024. Em dezembro do ano passado, o plano foi aprovado por uma assembleia de credores da companhia.
A recuperação judicial foi aprovada pelo juiz Murilo Silvio de Abreu, da 2ª Vara Empresarial de Belo Horizonte.
Entre os principais credores da Coteminas, estão empresas como Banco do Brasil, Banco Safra, Banco ABC, Louis Dreyfus Company do Brasil, Cemig e Engie Brasil.
Do montante de R$ 2 bilhões de dívidas da Coteminas, cerca de R$ 848 milhões são de tributos federais. Outros R$ 80 milhões, de impostos estaduais e municipais, já foram negociados.
Em dezembro de 2025, o faturamento da Coteminas somou R$ 28,93 milhões, de acordo com o Relatório Mensal de Atividades do grupo. Foi o segundo pior resultado da empresa desde dezembro de 2024.
Recuperação judicial
O plano de recuperação judicial da companhia prevê, entre outros pontos, a venda de pelo menos seis imóveis industriais – localizados nos estados de Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pará.
Também está prevista a criação de dois fundos de investimento, um imobiliário e outro de direitos creditórios, destinados ao pagamento dos credores.
Com o pedido de recuperação aprovado pela Justiça, a Coteminas entrará agora na chamada fase executória e terá de cumprir as obrigações junto aos credores. A empresa será supervisionada por um administrador judicial e, caso não cumpra os termos do acordo, pode ter a recuperação judicial revertida em falência.
A recuperação judicial é um processo que permite às organizações renegociarem suas dívidas, evitando o encerramento das atividades, demissões ou falta de pagamento aos funcionários.
Por meio desse instrumento, as empresas ficam desobrigadas de pagar aos credores por algum tempo, mas têm de apresentar um plano para acertar as contas e seguir em operação. Em linhas gerais, a recuperação judicial é uma tentativa de evitar a falência.
A empresa
Fundada em 1967, a Coteminas é uma das maiores empresas têxteis do Brasil. Especializada em produtos de cama, mesa e banho, a companhia conta com marcas como Artex, Santista e MMartan.
