Exportação de carne brasileira para os EUA desaba 80% em 3 meses

Em abril, o país registrou 47,8 mil toneladas vendidas para os norte-americanos. Em julho, foram 19,2 mil toneladas até aqui, segundo o MDIC

atualizado

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Vinícius Schmidt/Metrópoles
Gado, vaca, carne bovina
1 de 1 Gado, vaca, carne bovina - Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles

As exportações da carne do Brasil para os Estados Unidos registraram forte queda em menos de três meses, no período entre abril e julho deste ano, antes mesmo de entrar em vigor a nova rodada do tarifaço comercial imposto pelo governo do presidente norte-americano Donald Trump, prevista para o dia 1º de agosto.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) – comandado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que vem liderando as negociações com os EUA) –, reunidos pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o volume de vendas da carne brasileira despencou nesse período.

Em abril, o país registrou 47,8 mil toneladas vendidas para os norte-americanos. Em maio, o número caiu para 27,4 mil toneladas. Em junho, recuou ainda mais, para 19,2 mil toneladas e, em julho, chegou a 9,7 mil toneladas – sem contar os últimos 10 dias do mês. A queda é de 79,7% em relação ao nível exportado em abril.

As tarifas extras de 50% sobre todos os produtos exportados pelo Brasil aos EUA, em tese, devem entrar em vigor no dia 1º de agosto. Até o momento, não há sinalização a respeito de um possível acordo comercial entre os dois países ou mesmo de prorrogação do prazo.

Preço da carne subiu

Em sentido contrário, o preço da carne brasileira aumentou para os norte-americanos, embora em menor intensidade.

Em abril, o valor médio pago era de US$ 5,2 mil por tonelada. Em maio, subiu para US$ 5,4 mil. Em junho, US$ 5,6 mil e, nesta semana, alcançou US$ 5,85 mil por tonelada de carne.

A alta, nesse período de 3 meses, foi de 12,5%.

Exportações

Atualmente, o Brasil é o maior exportador de carne bovina para os EUA, à frente de Austrália, Nova Zelândia e Uruguai. Os norte-americanos, por sua vez, ocupam a segunda colocação no ranking de principais destinos da carne brasileira, perdendo apenas para a China.

Entre janeiro e junho deste ano, o Brasil exportou 181,5 mil toneladas de carne bovina para os norte-americanos, arrecadando US$ 1,04 bilhão nos primeiros seis meses de 2025.

Em relação ao mesmo período do ano passado, o volume exportado cresceu 112,6%, e o volume financeiro, 102%. O Brasil possui uma cota de 65 mil toneladas por ano, mas vinha exportando bem mais do que isso nos últimos meses.

Os EUA impõem limites de importação para a carne bovina destinada ao país. Cada exportador tem um teto de toneladas de carne que podem ser vendidas aos EUA a tarifas baixas.

Impacto sobre o agro

Um dos mais competitivos do mundo, o agronegócio brasileiro concorre diretamente com os EUA, especialmente nos mercados de produtos como soja e algodão. Em outras cadeias comerciais, os dois países são parceiros.

Atualmente, os EUA são o segundo maior destino das exportações brasileiras do agro, de acordo com dados do Ministério da Agricultura e Pecuária. No ano passado, foram exportados 9,4 milhões de toneladas, com uma receita total de cerca de US$ 12 bilhões.

Os EUA também são o segundo maior parceiro comercial do agronegócio do Brasil – perde apenas para a China. Em 2024, a participação norte-americana no volume total das exportações do setor saltou de 5,9% para 7,4%.

O tarifaço de Trump

No início deste mês, Donald Trump anunciou que, a partir do dia 1º de agosto, novas tarifas comerciais de 50% serão aplicadas sobre todos os produtos exportados pelo país aos EUA. As taxas serão cobradas separadamente de tarifas setoriais, como as que atingem o aço e o alumínio brasileiros.

Em abril deste ano, o Brasil já havia sido atingido pelo tarifaço de Trump e teve seus produtos taxados em 10%. Além disso, as taxas norte-americanas de 50% sobre aço e alumínio também afetaram o país.

De acordo com Trump, a decisão de aumentar as tarifas contra o Brasil acontece após “ataques insidiosos” contra eleições livres no país. Em carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Trump voltou a criticar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), acusado de tentativa de golpe de Estado em 2022.

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