Europa: bolsas fecham no vermelho com impasse sobre a guerra. NY recua

Maioria dos índices na Europa recuou. Nos EUA, as principais bolsas de valores de Nova York também operavam no vermelho no início da tarde

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Imagem de balcão de negociações da Bolsa de Valores de Frankfurt, na Alemanha - Metrópoles
1 de 1 Imagem de balcão de negociações da Bolsa de Valores de Frankfurt, na Alemanha - Metrópoles - Foto: Helmut Fricke/picture alliance via Getty Images

Os principais índices das bolsas de valores da Europa começaram a semana em queda, refletindo a preocupação do mercado financeiro em relação ao impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã em torno do conflito que se arrasta no Oriente Médio.

Os investidores repercutem a nova proposta apresentada pelo regime iraniano aos norte-americanos com o objetivo de reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar o atual conflito. O ponto central da oferta é o adiamento das discussões sobre o programa nuclear para uma etapa posterior, com foco inicial na estabilização militar e econômica.

O Estreito de Ormuz é um canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.

Nos EUA, as principais bolsas de valores de Nova York também operavam no vermelho no início da tarde.


Europa fecha em queda

  • O índice Stoxx 600, que reúne ações de 600 empresas europeias listadas em bolsas, recuou 0,31%, aos 608 pontos.
  • Na Bolsa de Frankfurt, o índice DAX terminou o dia com perdas de 0,14%, aos 24 mil pontos.
  • Em Londres, o FTSE 100 encerrou o pregão recuando 0,56%, aos 10,3 mil pontos.
  • O CAC 40, da Bolsa de Paris, fechou o dia em queda de 0,19%, aos 8,1 mil pontos.
  • A exceção do dia foi o Ibex 35, de Madri, que encerrou a sessão estável, em leve alta de 0,01%, aos 17,6 mil pontos.

Bolsas de Nova York recuam

  • Em Nova York, os principais índices das bolsas de valores dos EUA operavam em baixa na tarde desta segunda-feira.
  • Por volta das 13h10 (pelo horário de Brasília), o índice Dow Jones recuava 0,18%, aos 49,1 mil pontos.
  • No mesmo horário, o S&P 500 cedia 0,04%, aos 7,1 mil pontos, perto da estabilidade.
  • O Nasdaq Composto, que reúne as ações de empresas do setor de tecnologia, recuava 0,19%, aos 24,7 mil pontos.

Irã tenta acordo pela reabertura de Ormuz

O Irã apresentou, no fim de semana, uma nova proposta aos EUA com o objetivo de reabrir o Estreito de Ormuz. O ponto central da oferta é o adiamento das discussões sobre o programa nuclear.

O Estreito de Ormuz é um canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.

Segundo fontes próximas ao assunto, essa manobra visa a destravar a diplomacia, que se encontra em um impasse devido às divisões internas na liderança iraniana sobre quais concessões nucleares seriam aceitáveis.

A proposta, embora pareça um caminho mais rápido para a paz, gera um dilema significativo para a Casa Branca. Ao separar o fim das hostilidades da questão atômica, o Irã tenta remover o principal trunfo do presidente dos EUA, Donald Trump.

O líder norte-americano considera o bloqueio naval e a pressão militar ferramentas essenciais para forçar Teerã a abrir mão de seu estoque de urânio enriquecido e suspender o enriquecimento de forma permanente – objetivos que são pilares de sua estratégia de guerra.

Do lado dos EUA, a resistência ao plano iraniano é evidente. Trump sinalizou, em entrevista recente, que pretende manter o cerco naval que tem asfixiado as exportações de petróleo do Irã.

A lógica de Washington é baseada na vulnerabilidade infraestrutural do adversário: sem poder escoar a produção, o sistema de oleodutos iraniano corre riscos técnicos graves. Trump acredita que essa pressão extrema levará o regime a ceder em todas as frentes nas próximas semanas.

O cenário de incerteza deve ser debatido em reunião crucial, na Sala de Situação, nesta segunda-feira (27/4). Trump se reunirá com sua equipe de segurança nacional e política externa para avaliar os próximos passos e decidir se aceita a dissociação proposta por Teerã ou se mantém a estratégia de “pressão máxima”.

Trump abre caminho para negociação

Nesse domingo (26/4), Trump afirmou que o Irã poderia entrar em contato com os EUA se quisesse negociar o fim da guerra entre os dois países. “Se eles quiserem conversar, podem vir até nós ou podem nos ligar. Há um telefone”, disse.

O republicano afirmou ainda que possui “linhas seguras e agradáveis, embora não tenha certeza se alguma linha telefônica é segura, francamente”. “Se eles quiserem, podemos conversar”, completou.

No último sábado (25/4), Trump cancelou a ida da equipe de negociações dos EUA ao Paquistão para conversar com os representantes do Irã. Em publicação na rede Truth Social, o mandatário detalhou que suspendeu a viagem momentos antes da delegação embarcar, pois considerou que seria uma “perda de tempo”.

Chanceler do Irã se reúne com Putin

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, se encontrou com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, nesta segunda-feira, em São Petesburgo, em meio a um cessar-fogo na guerra do país persa contra EUA e Israel.

Segundo a agência estatal russa Ria Novosti, Putin recebeu uma mensagem do líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, e desejou bem-estar ao líder islâmico e ao povo iraniano.

“Esperamos sinceramente que, inspirados por essa coragem e desejo de independência, o povo iraniano, sob a liderança de um novo líder, consiga superar esse difícil período de provações — e que a paz chegue”, afirmou o líder russo.

“Da nossa parte, faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para atender aos seus interesses e aos interesses de todos os povos da região, a fim de garantir que essa paz seja alcançada o mais rapidamente possível”, completou Putin.

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