Dólar sobe a R$ 5,18 com temor de inflação no Brasil e impasse no Irã

Moeda americana avançou 0,45% sobre o real nesta segunda-feira (8/6). O Ibovespa, o principal índice da B3, caiu 0,20%, aos 168,6 mil pontos

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1 de 1 Imagem de notas de dólares dos Estados Unidos - Metrópoles - Foto: Artem Priakhin/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

O dólar comercial registrou alta de 0,45% em relação ao real, cotado a R$ 5,18 (para venda), nesta segunda-feira (8/6). O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em queda de 0,20%, aos 168,6 mil pontos.

Os mercados globais de câmbio e ações seguem sob forte estresse, tendo como vetor o conflito no Oriente Médio. Nesta segunda-feira, os investidores acompanharam notícias contraditórias sobre os desdobramentos da guerra.

Por um lado, pesou o rescaldo de nova onda de confrontos ocorridos no fim de semana na região. O Irã lançou mísseis contra Israel pela primeira vez desde o cessar-fogo de abril, em resposta ao bombardeio israelense contra os subúrbios do sul de Beirute.

Nesta segunda-feira, forças israelenses voltaram a atacar a região. Ainda assim, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Israel e Irã buscam um “cessar-fogo imediato”. O republicano disse ter ordenado que os dois países parassem de “atirar” um contra o outro.

Alta do petróleo

Diante desse quadro, o preço do petróleo anotou nova alta no mercado global, embora tenha se mantido abaixo dos US$ 100 por barril. O tipo Brent, a referência internacional, aumentou 1,25%, a US$ 94,25. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o mercado nos Estados Unidos, subiu 0,84%, a US$ 91,30.

Um anúncio feito na véspera pela Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados) ajudou a manter a cotação nesse patamar. A entidade aprovou mais um aumento da meta de produção da commodity, a quarta elevação desde o início do confronto, em 28 de fevereiro.

Inflação no Brasil

No Brasil, os investidores acompanharam a divulgação do Boletim Focus, a pesquisa semanal feita com economistas do mercado pelo Banco Central (BC). Ele trouxe uma projeção de alta para a taxa básica de juros do país, a Selic.

Nesse caso, a estimativa para o fim de 2026 passou de 13,25% para 13,50% ao ano. Para 2027, também houve elevação: de 11,25% para 11,50%.

O relatório do BC apresentou ainda uma nova previsão de aumento (a 13ª seguida) da inflação, com o IPCA de 2026 subindo de 5,09% para 5,11%. Houve ainda uma revisão para cima do crescimento do PIB nacional, de 1,90% para 1,91%, além de queda na estimativa do dólar no fim de 2026, de R$ 5,16 para R$ 5,15.

Bolsas globais

Diante do vaivém de ataques e dúvidas sobre a viabilidade de um cessar-fogo no Oriente Médio, os principais índices da Europa fecharam em baixa. O Stoxx 600 caiu 0,06%. O DAX, de Frankfurt, perdeu 0,58% e o CAC 40, de Paris, recuou 0,23%. Uma das exceções foi o FTSE 100, de Londres, que teve leve avanço de 0,05%, ou seja, na prática, manteve-se estável.

Em Nova York, houve um otimismo parcial, embalado pela recuperação das ações das empresas de tecnologia. Às 16h50, o S&P 500 subia 0,29% e o Nasdaq, que concentra as ações do segmento tecnológico, avançava 0,83%. Já o Dow Jones caía 0,17%.

Análise

Para Bruno Shahini, especialista de investimentos da Nomad, o avanço da cotação do dólar no início desta semana “ganhou força em meio às incertezas sobre um acordo definitivo entre EUA e Irã e à persistência dos riscos inflacionários associados ao petróleo”.

“No Brasil, o movimento foi amplificado por fatores domésticos, incluindo a piora das expectativas de inflação”, diz o analista. “A nova revisão altista do Focus para o IPCA de 2026 reforçou a percepção de uma Selic elevada por mais tempo, contribuindo para manter o mercado em alerta diante do cenário macroeconômico local.”

Bolsa sem força

Na avaliação de Fabio Louzada, da B7 Business School, o mercado continua “sem convicção para montar posições mais agressivas em ativos brasileiros”. “Mesmo quando surgem momentos de recuperação ao longo do dia, o fluxo comprador ainda é insuficiente para sustentar uma retomada consistente da Bolsa”, diz.

“Além disso, o mercado permanece atento à trajetória dos juros americanos”, afirma Louzada. Ele observa que existe a expectativa de manutenção de juros elevados por mais tempo e tal projeção “fortalece o dólar globalmente”. “Isso reduz o interesse por mercados emergentes”, afirma. “Foi esse movimento que ajudou a explicar a valorização da moeda americana frente ao real ao longo da sessão.”

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