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Negócios

Dólar opera estável, mas Bolsa cai com perspectiva de juros altos

Moeda americana registrava leve queda de 0,03%, a R$ 5,17, no fim da manhã desta terça. O Ibovespa recuava 0,86%, aos 171,7 mil pontos

30/06/2026 12:30
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Faga Almeida/UCG/Universal Images Group via Getty Images
Imagem de notas de dólar, empilhadas umas sobre as outras, com uma lupa sobre elas - Metrópoles

O dólar opera estável na manhã desta terça-feira (30/6). Às 12h20, apresentava leve queda de 0,03%, cotado a R$ 5,17, embora oscilasse bastante. Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), registrava baixa de 0,86%, aos 171,7 mil pontos, no mesmo horário.

O confronto entre os Estados Unidos e o Irã continua a influenciar os mercados, mas vem perdendo relevância como vetor do câmbio e das bolsas nas duas últimas semanas, desde o anúncio do acordo preliminar de cessar-fogo entre os dois países.

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Os agentes econômicos, contudo, ainda estão especialmente atentos à normalização do trânsito de navios pelo Estreito de Ormuz, passagem de cerca de um quinto da produção mundial de petróleo.

Os sinais, nesse caso, são de retomada da circulação das embarcações. Dados da Bloomberg indicam que 14 milhões de barris de petróleo iraquiano deixaram o Golfo Pérsico em dez dias.

Petróleo

Mas a tensão continua. O petróleo segue em alta, embora ainda dentro de um patamar próximo ao preço da commodity observado antes da guerra, deflagrada em 28 de fevereiro.

Nesta terça-feira, às 11 horas, o barril do tipo Brent, que serve de referência internacional, subia 0,43%, a US$ 74,24. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, avançava 0,24%, a US$ 70,92.

Juros em cena

Agora, com a relativa queda do estresse no Oriente Médio, os investidores estão cada vez mais focados na perspectiva de comportamento dos juros, principalmente nos Estados Unidos. As novas projeções apontam para uma alta da taxa, atualmente fixada no intervalo entre 3,50% e 3,75%, já em setembro.

Informações veiculadas nesta terça-feira indicam que o mercado de trabalho americano continua resiliente. As vagas de emprego em aberto, um indicador da demanda por mão de obra, aumentaram em 9 mil postos em maio, alcançando 7,594 milhões.

O número ficou bem acima das expectativas do mercado, que apontavam para um total de 7,280 milhões de vagas. Os dados fazem parte do relatório mensal Jolts (sigla de “Job Openings and Labor Turnover Survey“), divulgado pelo Departamento de Trabalho americano.

Dívida pública

No cenário interno, o mercado acompanhou a divulgação das informações sobre a dívida pública do Brasil, reunidas pelo Banco Central (BC). Os números mostram que ela atingiu R$ 10,6 trilhões, o equivalente a 81,1% do Produto Interno Bruto (PIB). O mercado esperava 80,7%.

O resultado também representa o maior patamar em cinco anos da “Dívida Bruta do Governo Geral”, que compreende o governo federal e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além dos governos estaduais e municipais. Em maio de 2021, o maior nível antes do mês passado, ela atingiu 81,4% do PIB.

Análise

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, aponta os fatores que fazem o Ibovespa se manter distante de retomar as máximas do ano. “Apesar da redução das tensões geopolíticas e do alívio no prêmio de risco externo, o mercado doméstico continua pressionado pela manutenção da curva de juros em patamares elevados, refletindo a perspectiva de juros altos por mais tempo tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos”, diz.

Para o economista, a recuperação da Bolsa também esbarra na ausência de fluxo estrangeiro, principal vetor da forte valorização observada nos primeiros meses do ano. “Sem a retomada desse capital, em meio às incertezas sobre a extensão do ciclo de cortes da Selic e aos prêmios ainda elevados incorporados aos títulos de longo prazo, o índice encontra dificuldade para sustentar movimentos mais consistentes de alta, mesmo em um ambiente internacional mais favorável”, afirma o analista.