Dólar recua e Bolsa sobe após terremoto com áudio de Flávio a Vorcaro

Na véspera, dólar disparou e voltou à casa de R$ 5 e Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores, despencou com áudio de Flávio a Vorcaro

atualizado

metropoles.com

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1 de 1 Imagem de notas de dólares dos Estados Unidos - Metrópoles - Foto: Artem Priakhin/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

O dólar opera em queda, nesta quinta-feira (14/5), no dia seguinte ao encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e Xi Jinping, da China, e à revelação do áudio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Na véspera, o mercado financeiro viveu uma nova versão do “Flávio Day”, com forte impacto na Bolsa de Valores do Brasil (B3) após a notícia publicada pelo site Intercept Brasil que mostrou que Vorcaro pagou cerca de R$ 61 milhões para financiar o filme biográfico Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os recursos foram solicitados por Flávio, filho de Bolsonaro e pré-candidato do PL à Presidência da República.

Nessa quarta-feira (13/5), assim que a reportagem foi publicada com o áudio do pedido e das cobranças de Flávio a Vorcaro, o Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações negociadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3), despencou – e o dólar engatou forte alta, terminando a sessão novamente na casa dos R$ 5.

O primeiro “Flávio Day” ocorreu em dezembro do ano passado, quando o senador foi escolhido por Jair Bolsonaro como candidato ao Palácio do Planalto – e a notícia derrubou a Bolsa, com um tombo de mais de 4% na ocasião. À época, o nome preferido pelo mercado para a corrida presidencial era o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).


Dólar

  • Às 10h08, o dólar caía 0,58%, a R$ 4,98.
  • Mais cedo, às 9h12, a moeda norte-americana recuava 0,44% e era negociada a R$ 4,987.
  • Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,029. A mínima é de R$ 4,974.
  • No dia anterior, o dólar terminou a sessão em forte alta de 2,31%, cotado a R$ 5,009.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula ganhos de 1,15% no mês e queda de 8,75% no ano frente ao real.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da B3, opera em alta no pregão.
  • Às 10h12, o Ibovespa avançava 0,84%, aos 178,5 mil pontos.
  • Na véspera, o indicador fechou o pregão em baixa de 1,8%, aos 177 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula recuo de 5,46% em maio e valorização de 9,91% em 2026.

“Flávio Day” apavora o mercado

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, pagou aproximadamente R$ 61 milhões para financiar o filme biográfico Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os recursos foram solicitados pelo senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo revelado pelo Intercept Brasil.

Diálogos divulgados pelo site mostram Flávio Bolsonaro e Vorcaro falando sobre o filme. Uma das conversas ocorreu em 16 de novembro de 2025, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez no âmbito da Operação Compliance Zero e dois dias antes da liquidação do Banco Master.

Segundo o Intercept, pelo menos R$ 61 milhões foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações. O valor total negociado chegaria a R$ 134 milhões – mas não há evidências, segundo o site, de que todo o dinheiro tenha sido repassado.

Parte do dinheiro foi transferida pela Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria com empresas de Vorcaro, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos EUA, e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro, de acordo com a reportagem do Intercept.

Em um áudio divulgado pelo Intercept, que seria de 8 de setembro de 2025, Flávio diz a Vorcaro que havia preocupação com atraso nos pagamentos da produção.

“Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. E tem muita parcela para trás, e está todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou pro filme, né?”, declarou o senador.

“Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos do cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim”, afirmou.

“Não ofereci vantagens em troca”, diz Flávio

Após a divulgação do áudio, Flávio Bolsonaro confirmou a troca de mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O senador ainda afirmou que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, antes das acusações sobre o caso do Banco Master.

“O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, disse.

Oposição diz ser favorável à CPI do Master

Apesar do baque envolvendo o áudio de Flávio Bolsonaro a Vorcaro, a oposição no Congresso Nacional voltou a defender a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as fraudes envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Em nota oficial, o líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto (PL-PB), afirmou que o PT tenta transformar o caso em uma “narrativa política” contra a família Bolsonaro. Segundo ele, o financiamento do longa se deu sem participação do poder público.

“Não houve dinheiro público. Não houve contrato público. Não houve favorecimento estatal”, declarou o parlamentar. “Houve apenas uma tentativa desesperada de criar desgaste político artificial contra a família Bolsonaro”, acrescentou. “Defendemos uma investigação ampla, séria e sem seletividade. CPI do Banco Master, já”, afirmou o deputado.

O líder da oposição também acusou o PT de agir com seletividade ao tratar do caso. “Transformar qualquer relação privada em escândalo quando envolve adversários políticos, enquanto silenciam diante de fatos muito mais graves ligados ao próprio sistema de poder que sustentam. Esse é o método”, disse.

Em outra nota divulgada nesta quarta, o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou que as explicações apresentadas por Flávio são “claras, coerentes e objetivas”.

Segundo Sóstenes, “os fatos dizem respeito à busca de patrocínio privado para um projeto privado, sem qualquer utilização de recursos públicos”.

O líder do PL concluiu ao afirmar que a legenda permanece “unida e confiante no senador Flávio Bolsonaro, certo da lisura de seus atos”, e voltou a defender a instalação da comissão: “CPI do Banco Master já”.

No front externo, foco é reunião entre Trump e Xi Jinping

No cenário internacional, os investidores repercutem a conversa entre Donald Trump e Xi Jinping, na véspera. A Casa Branca disse, em um comunicado nesta quinta-feira (14/5), que a reunião foi “boa”. A nota não cita Taiwan e diz que os dois presidentes concordaram que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto.

“Ambos os países concordaram que o Irã jamais poderá ter uma arma nuclear”, ressalta o comunicado. Segundo a Casa Branca, o presidente da China também se opôs à militarização do estreito de Ormuz.

“O presidente Xi também deixou clara a oposição da China à militarização do estreito e a qualquer tentativa de cobrar pedágio por seu uso, e expressou interesse em comprar mais petróleo americano para reduzir a dependência da China em relação ao estreito no futuro”, diz.

A nota acrescenta que a discussão envolveu maneiras de fortalecer a cooperação econômica. “Os dois lados discutiram maneiras de fortalecer a cooperação econômica entre nossos dois países, incluindo a expansão do acesso de empresas americanas ao mercado chinês e o aumento do investimento chinês em nossas indústrias.”

Após a reunião, de cerca de duas horas, Trump disse que a conversa entre os dois “foi ótima” ao ser questionado por um jornalista. “Foi ótimo. Um lugar incrível. A China é linda”, disse, evitando responder se os dois falaram sobre Taiwan. Antes da viagem, Trump adiantou que discutiria com o líder chinês a venda de armas para a ilha, tópico que desagrada o governo do país.

A China considera Taiwan uma província separatista e tem intensificado, nos últimos anos, os exercícios militares na região. Os EUA não reconhecem formalmente a independência de Taiwan. No entanto, o país tem a intenção de vender US$ 11 bilhões em armas para Taipei, o que desagradou Pequim.

De acordo com a mídia estatal chinesa, no entanto, Xi Jinping teria alertado Trump de que a questão de Taiwan poderia levar os dois países a um conflito. “Se for bem administrada, a relação bilateral pode permanecer geralmente estável. Caso contrário, os dois países podem entrar em conflito, colocando toda a relação China-EUA em uma situação muito perigosa”, disse Xi, segundo a mídia estatal.

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