Dólar dispara: relação Flávio Bolsonaro-Vorcaro supera guerra no Irã
Efeito da divulgação de áudio do senador do PL para dono do Master fez moeda americana subir 2,31%, a R$ 5,00. Bolsa afundou 1,80%
atualizado
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O dólar disparou 2,31% frente ao real, cotado a R$ 5,00, nesta quarta-feira (13/5). Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), recuou 1,80%, aos 177 mil pontos.
Os dois movimentos — tanto a alta da moeda americana quanto a queda do Ibovespa — foram fortemente influenciados pela divulgação da notícia de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria negociado R$ 134 milhões com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para produzir um filme sobre Jair Bolsonaro.
Logo depois da veiculação do caso, em reportagem do Intercept Brasil, por volta das 14h30, o dólar começou a subir de forma abrupta. Às 15h30, a alta atingiu 2%, a R$ 5,00.
No mesmo horário, o Ibovespa movimentou-se em sentido contrário. Ele iniciou uma trajetória de queda, chegando a menos de 176 mil pontos, recuando ao menor patamar desde meados de janeiro.
Apoio
Os integrantes do mercado têm apoiado maciçamente a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Em diversas ocasiões, a cotação do dólar e do Ibovespa oscilaram com resultados de pesquisas. A tendência é que o chamado “trade eleitoral” ganhe cada vez mais tração com o avanço da disputa política.
Com a veiculação da relação Flávio Bolsonaro-Vorcaro, a guerra no Irã, o principal fato que vinha dando o tom aos mercados nos últimos três meses, ficou em segundo plano no Brasil. Ainda assim, o tema segue pressionando o câmbio e as ações.
Oriente Médio
Isso porque o conflito no Oriente Médio está contaminando diretamente a inflação, os juros e a atividade econômica. Nesse front, a notícia positiva, ainda que parcial, foi a queda do petróleo no mercado internacional.
O barril do tipo Brent, a referência internacional, caiu 1,99%, a US$ 105,63. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza os preços nos Estados Unidos, recuou 1,14%, a US$ 101,02 por barril.
Inflação EUA
O cenário externo também trouxe informações preocupantes. O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos subiu 1,4% em abril, na comparação com março, segundo dados divulgados pelo Departamento do Trabalho americano. O resultado veio acima da previsão dos agentes econômicos, cuja estimativa era de alta de 0,5% — ou seja, cerca de um terço do resultado observado.
O núcleo do PPI, que exclui os preços mais voláteis de alimentos e energia, também subiu acima das expectativas. Ele avançou 1,0% em abril, ante uma projeção de 0,4%.
O PPI mede a variação dos preços para os produtores de bens e serviços. Por isso, funciona como um termômetro da inflação geral, uma vez que, em geral, eles são repassados para o consumidor final.
Análise
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, avalia que o mercado operou em forte queda nesta quarta-feira, pressionado desde a abertura por um cenário externo desfavorável.
“Os índices de inflação ao consumidor e ao produtor dos Estados Unidos vieram acima do esperado, reforçando a percepção de que o Federal Reserve deverá manter os juros elevados por mais tempo”, diz. “Em paralelo, as tensões entre EUA e Irã mantêm o petróleo elevado, reduzindo o apetite por ativos de risco em mercados emergentes e pressionando o real desde a abertura.”
Ao longo da tarde, destaca o analista, o noticiário político doméstico aprofundou as perdas, ao lançar dúvidas sobre a candidatura do principal nome da oposição. “A reação refletiu o aumento da incerteza eleitoral, que foi suficiente para provocar ajuste de posições”, afirma. “O EWZ, principal ETF brasileiro negociado em Nova York, chegou a cair 3,39%, o dólar superou a marca de R$ 5,00, a curva de juros longos abriu de forma expressiva e setores sensíveis a juros lideraram as perdas.”
