Dólar cai e Bolsa oscila com guerra EUA x Irã e desemprego no Brasil
Na véspera, o dólar encerrou a sessão em alta de 0,69%, a R$ 5,256. Ibovespa, principal índice da B3, tombou 1,45%, aos 182,7 mil pontos
atualizado
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Depois de abrir em alta, o dólar passou a operar em queda frente ao real, nesta sexta-feira (27/3), em mais um dia no qual as atenções dos investidores seguem voltadas para os desdobramentos do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio.
No cenário doméstico, o grande destaque da agenda econômica é a divulgação dos dados oficiais de desemprego no Brasil em fevereiro deste ano, que registraram alta e vieram acima das estimativas do mercado.
Dólar
- Às 13h14, o dólar caía 0,37%, a R$ 5,236.
- Mais cedo, às 12h06, a moeda norte-americana recuava 0,68% e era negociada a R$ 5,221.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,279. A mínima é de R$ 5,218.
- Na véspera, o dólar encerrou a sessão em alta de 0,69%, a R$ 5,256.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula ganhos de 2,38% em março e perdas de 4,24% frente ao real em 2025.
Ibovespa
- O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), que abriu em queda e depois passou a subir, operava sob forte volatilidade no pregão.
- Às 13h19, o Ibovespa recuava 0,15%, aos 182,4 mil pontos, perto da estabilidade.
- No dia anterior, o indicador fechou o pregão em queda de 1,45%, aos 182,7 mil pontos.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula baixa de 3,2% no mês e valorização de 13,4% no ano.
Impasse entre EUA e Irã
O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a oscilar no discurso e indicou um novo recuo na guerra que perdura no Oriente Médio. Com o conflito prestes a completar um mês de duração, o republicano passa a ajustar o discurso diante dos impasses do conflito, ainda em meio a contradições, prazos estendidos e ameaças reiteradas.
Nessa quinta-feira (26/3), Trump anunciou que vai ampliar por mais 10 dias a trégua em ataques a instalações energéticas do Irã. A decisão ocorre após uma sequência de idas e vindas que expõem incerteza estratégica e dificuldades em avançar nas negociações.
Horas antes da decisão, em reunião de gabinete, Trump adotou um tom menos confiante do que em dias anteriores. “Não sei se seremos capazes de fazer isso. Não sei se estamos dispostos a fazer isso”, afirmou, ao comentar a possibilidade de um acordo de paz.
Ainda assim, voltou a pressionar Teerã: “Eles estão implorando para chegar a um acordo”. Inclusive, ao ampliar a trégua, o presidente norte-americano indicou que a decisão atende a um pedido do governo iraniano.
Por outro lado, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que militares dos EUA estão usando cidadãos do Golfo Pérsico como “escudos humanos” no conflito no Oriente Médio. Segundo o ministro, os militares estão saindo das bases militares e se hospedando em hotéis para evitar serem atacados pelas tropas iranianas.
“Desde o início desta guerra, soldados americanos fugiram de bases militares nos países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) para se esconderem em hotéis e escritórios. Eles usam cidadãos dos países do CCG como escudos humanos”, afirmou em publicação no X nessa quinta-feira (26/3).
Ele sugeriu que os hotéis desses países não deveriam aceitar fazer reservas para militares. “Hotéis nos EUA negam reservas a oficiais que possam colocar os clientes em perigo. Os hotéis dos países do CCG deveriam fazer o mesmo”, disse. O Irã tem respondido aos ataques dos EUA e de Israel com ofensivas a bases militares norte-americanas em países do Golfo Pérsico.
Nesta sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, disse que os EUA e o Irã deverão se encontrar em breve no Paquistão para discutir um acordo de paz.
“Segundo minhas informações, houve contatos indiretos e preparativos foram feitos para um encontro direto. Aparentemente, isso ocorrerá muito em breve no Paquistão”, afirmou à Rádio Deutschlandfunk.
Desemprego no Brasil
No âmbito doméstico, os investidores repercutem os dados oficias de desemprego divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A taxa de desocupação no país foi de 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro e cresceu frente ao período de setembro a novembro de 2025 (5,2%).
Segundo o IBGE, a população desocupada (6,2 milhões) registrou aumento na comparação com o trimestre de setembro a novembro de 2025 (5,6 milhões). Em relação ao mesmo período do ano anterior (7,3 milhões), houve queda de 14,8% (menos 1,1 milhão de pessoas).
A população ocupada (102,1 milhões) teve queda de 0,8% no trimestre (menos 874 mil pessoas) e aumento de 1,5% no ano (mais 1,5 milhão). O nível da ocupação (percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar) foi de 58,4%, com queda de 0,6% no trimestre (59%) e crescendo 0,4 ponto percentual no ano (58,0%).
O resultado do desemprego no Brasil em fevereiro veio acima das estimativas médias dos analistas do mercado, que eram de 5,7%.
Análise
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, observa que o índice final de confiança do consumidor da Universidade de Michigan ficou em 53,3, abaixo do consenso de 54 e em queda em relação à leitura preliminar de 55,5. “O dado marca o nível mais baixo desde dezembro, com fraqueza disseminada entre diferentes faixas etárias e perfis políticos. As expectativas de inflação para o próximo ano subiram para 3,8% (ante 3,4% na prévia), enquanto as expectativas para cinco anos permaneceram em 3,2%, sugerindo que os consumidores não esperam que os impactos da guerra sobre os preços sejam persistentes no longo prazo”, afirmou.
“Já no Brasil, a geração de vagas começa a mostrar moderação, com estabilidade no trabalho com carteira assinada. No geral, o mercado de trabalho ainda mostra resiliência, sem sinais de piora mais estrutural, mas já dando indícios de desaceleração na margem, ainda suficiente para manter a pressão sobre o setor de serviços, o que dificulta uma flexibilização mais ampla da política monetária”, completou Shahini.
