Dólar sobe e Bolsa cai com petróleo a US$ 108 e medo de inflação

Moeda americana registrou alta de 0,69% frente ao real, cotada a R$ 5,25. O Ibovespa, o principal índice da B3, caiu 1,45%

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O dólar registrou alta de 0,69% frente ao real, cotado a R$ 5,25, nesta quinta-feira (26/3). O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em queda de 1,45%, aos 182,7 mil pontos.

Os mercados de câmbio e ações continuam sendo guiados pelos desdobramentos da guerra no Oriente Médio. E, nesse caso, a possibilidade de um acordo para pôr fim ao conflito parece cada vez mais remota.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse não ter mais certeza de que quer firmar um acordo com o regime dos aiatolás. A declaração representou uma reviravolta em relação a afirmações recentes do republicano, que apontavam para o fim dos combates num prazo curto de tempo.

Nesse contexto, o petróleo voltou a subir, disseminando temores inflacionários entre os agentes econômicos. O barril do tipo Brent, que serve de referência para o mercado internacional, anotou alta de 5,66%, a US$ 108, nos contratos com vencimento em maio. Para o mesmo período, o tipo West Texas Intermediate (WTI, que baliza os preços nos Estados Unidos) avançou 4,61%, a US$ 94,48 por barril.

Impacto global

A alta do dólar foi global. Às 17h20, o índice DXY, que mede a força da moeda americana em relação a uma cesta de seis divisas fortes (como euro, iene e libra esterlina), subia 0,20%, aos 99,84 pontos.

Entre as principais bolsas globais, a queda foi generalizada. Na Europa, o FTSE 100, de Londres, fechou em baixa de 1,33%. Em Frankfurt, o DAX caiu 1,64%. O mesmo cenário dominou Wall Street, com recuo do S&P 500 (-1,74%), do Dow Jones (-1,01%) e do Nasdaq (-2,38%), que concentra ações de empresas de tecnologia.

Inflação

No cenário interno, os investidores também acompanharam a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial do país. Os números vieram acima da expectativa do mercado.

Em março, o IPCA-15 subiu 0,44% e aumentou 3,90% no acumulado dos últimos 12 meses. As projeções indicavam altas de 0,29% e 3,74% respectivamente. Com os resultados, somados ao avanço da cotação do petróleo e ao impasse em torno do conflito no Oriente Médio, os juros futuros avançaram de forma generalizada no Brasil.

Análise

Na avaliação de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dólar apresentou alta em linha com o fortalecimento global da moeda americana em um ambiente de maior aversão a risco.

“A escalada das tensões no Oriente Médio, com impacto direto sobre o petróleo — mantido acima de US$ 100 —, sustentou os juros nos EUA em patamares mais elevados e reforçou a busca por proteção, favorecendo o dólar frente às moedas emergentes”, diz. “Ainda assim, pode-se dizer que o movimento no câmbio foi contido, limitado pelo fluxo comercial associado ao petróleo e pelo diferencial de juros doméstico.”

Para o analista, o ajuste mais relevante acabou se concentrando em outros mercados: “A curva dos juros futuros abriu de forma mais intensa, refletindo a reprecificação inflacionária, enquanto a Bolsa reagiu negativamente ao aumento da incerteza”.

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