Dólar e Bolsa sobem com revés na perspectiva de paz no Oriente Médio
Moeda americana subiu 0,29% em relação ao real, a R$ 5,25. O Ibovespa também subiu. Ele fechou em alta de 0,36%, aos 182,5 mil pontos
atualizado
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O dólar registrou alta de 0,29% em relação ao real, cotado a R$ 5,25, nesta terça-feira (24/3). O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou com elevação de 0,36%, aos 182,5 mil pontos.
No caso do câmbio, o resultado do pregão reverteu a melhora registrada na véspera, quando o dólar recuou 1,29% frente à moeda brasileira, a R$ 5,24. Já o Ibovespa, que operou em baixa durante grande parte do dia, engatou uma alta a partir das 15 horas, invertendo a perspectiva de perdas.
Na avaliação de Bruno Shahini, analista da Nomad, a alta do dólar refletiu uma “deterioração do ambiente de risco global”. Ela foi provocada, observa o analista, pela incerteza que passou a dominar os investidores sobre a efetividade das negociações entre Estados Unidos e Irã para um eventual fim do conflito, iniciado em 28 de fevereiro. Ou seja, a quase um mês.
No dia anterior, na segunda-feira (23/3), o presidente americano, Donald Trump, havia criado uma forte expectativa em relação ao fim do conflito. Ele anunciou uma trégua de cinco dias nos ataques contra o Irã. O republicano também afirmou que Washington e Teerã vinham mantendo “conversas muito boas e produtivas a respeito de uma resolução completa e total das hostilidades no Oriente Médio”.
Fim do otimismo
A partir de tais declarações, as bolsas subiram e o dólar caiu mundo afora. O problema foi que autoridades iranianas contestaram as negociações. Além disso, novos combates ocorreram no teatro de guerra.
“A ausência de sinais concretos de uma mudança, combinada com declarações mais duras por parte de autoridades iranianas e a continuidade dos ataques na região, levou o mercado a reprecificar um cenário de conflito mais prolongado, com impacto direto sobre os preços de energia”, diz Shahini.
Nesse contexto, o petróleo, o grande fiel da balança do mercado na últimas semanas, voltou a superar o patamar US$ 104 por barril (do tipo Brent), com alta de cerca de 4%, reacendendo preocupações inflacionárias. No dia anterior, a commodity baixou 11% depois das afirmações de Trump.
Pressão inflacionária
Shahini acrescenta que a valorização do petróleo aumentou os rendimentos dos títulos das dívidas dos Estados Unidos, os Treasuries, o que fortaleceu a moeda americana. “Os dados mais recentes de atividade global já dão indícios de uma combinação de crescimento mais fraco com pressão inflacionária, sustentando o fortalecimento do dólar tanto no exterior quanto no mercado doméstico” afirma
Copom no Brasil
Bruno Perri, da Forum Investimentos, destaca que, no cenário interno, o mercado acompanhou nesta terça-feira a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), realizada na quarta-feira (18/3). Na ocasião, o Copom reduziu a taxa básica de juros, a Selic, de 15% para 14,75% ao ano.
Para Perri, o documento divulgado nesta terça foi mais “duro” do que o comunicado, veiculado na semana passada. Ele considera que a ata atribuiu grande peso ao câmbio e ao preço do petróleo para definir os próximos passos da política monetária, o que aumenta o nível de incertezas em torno do comportamento dos juros. “Isso aumenta a dependência do setor externo para a definição dos próximos movimentos do Copom”, afirma.
Bolsas globais
As bolsas da Ásia fecharam em alta, ainda no embalo das notícias sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã. O índice sul-coreano Kospi, por exemplo, saltou 2,74% em Seul. O japonês Nikkei avançou 1 43% em Tóquio.
Na Europa, a maioria dos resultados ficou no campo positivo. O Stoxx 600, que reúne empresas de 17 países do continente, teve alta de 0,46%. O FTSE 100, de Londres, avançou 0,72% e o CAC 40, de Paris, 0,23%. Já o DAX, de Frankfurt, teve leve queda (na prática, ficou estável), com recuo de 0,07%.
Entre os principais índices das bolsas americanas, prevaleceu a queda. Às 16h50, o S&P recuava 0,36% e o Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia, baixava 0,85%. O Dow Jones anotava a menor perda, de apenas 0,17%.
