Dólar afunda e Bolsa dispara com anúncio de Trump sobre trégua no Irã

Moeda americana registrou queda de 1,29% frente ao real, cotada a R$ 5,24. O Ibovespa, principal índice da B3, subiu mais de 6 mil pontos

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Imagem de notas de dólar, empilhadas umas sobre as outras, com uma lupa sobre elas - Metrópoles
1 de 1 Imagem de notas de dólar, empilhadas umas sobre as outras, com uma lupa sobre elas - Metrópoles - Foto: Faga Almeida/UCG/Universal Images Group via Getty Images

Como os mercados movem-se com base em expectativas, bastou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciasse “conversas produtivas” e uma trégua na guerra contra o Irã para que o câmbio e as ações entrassem num modo “céu de brigadeiro”.

Nesta segunda-feira (23/3), o dólar registrou queda de 1,60% frente ao real, cotado a R$ 5,22. O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), subiu 3,48%, aos 182,3 mil pontos. Na sexta-feira (20/3), o indicador da B3 fechou em 176,2 mil pontos. Ou seja, entre os dois pregões, houve um salto superior a 6 mil pontos.

As declarações de Trump tiveram impacto positivo em todo o mundo, devolvendo o apetite por risco aos investidores. Em Wall Street, os índices das bolsas também dispararam. Às 16 horas, eles subiam em uníssono: 1,72%, no caso do S&P 500; 1,92%, para o Dow Jones; e 1,82%, no Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia.

Na Europa, a reação positiva foi ampla, embora não unânime. O índice Stoxx 600, que reúne 17 países do continente, subiu 0,63%. O DAX, de Frankfurt, avançou 1,22% e o CAC 40, de Paris, anotou ganhos de 0,79%. A exceção ficou com o FTSE 100, de Londres, que caiu 0,24%, com o mercado de olho em um forte aumento das taxas de juros por parte do Banco da Inglaterra (BoE).

Petróleo

O otimismo dos agentes econômicos propagou-se com a queda dos preços do petróleo mundial, depois das afirmações de Trump (leia abaixo). O barril do tipo Brent, a referência para o mercado mundial, com entrega para junho, recuava 10,6%, às 16 horas, a US$ 95 (no auge do conflito, chegou a US$ 119). O West Texas Intermediate (WTI, que baliza os preços nos Estados Unidos), com vencimento para maio, baixava quase 10,7% no mesmo horário, a US$ 87,7.

O cavalo de pau da tendência dos mercados, em especial do preço do petróleo, ocorreu depois da postagem feita por Trump em sua rede, a Truth Social, às 8h23. “Tenho o prazer de informar que os Estados Unidos da América e o Irã tiveram, nos últimos dois dias, conversas muito boas e produtivas a respeito de uma resolução completa e total de nossas hostilidades no Oriente Médio”, disse o republicano.

A seguir, acrescentou: “Com base no teor e no tom dessas conversas aprofundadas, detalhadas e construtivas, que continuarão ao longo da semana, instruí o Departamento de Guerra a adiar todos e quaisquer ataques militares contra usinas de energia e infraestrutura energética iranianas por um período de cinco dias, sujeito ao sucesso das reuniões e discussões em andamento”.

Dólar enfraquecido

A baixa do dólar nesta segunda foi global. Às 16h30, o índice DXY, que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas fortes (como o euro, o iene e a libra esterlina), recuava 0,56%, aos 99 pontos.

No Ibovespa, também às 16h30, todas as ações de maior peso no índice estavam em alta. Elas incluíam os bancões, a Vale e até a Petrobras, apesar da queda da cotação do petróleo no mercado mundial.

Análise

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, observa que o dólar operou em queda ao longo da sessão, refletindo principalmente a redução do prêmio de risco geopolítico no exterior. “A sinalização de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, acompanhada de uma pausa temporária nos ataques, levou o mercado a reprecificar um cenário de menor probabilidade de escalada do conflito, o que desencadeou um movimento mais amplo de enfraquecimento da moeda americana”, diz.

Esse ajuste, observa o analista, foi reforçado pela queda do petróleo, o que aliviou temores inflacionários e reduziu a demanda por proteção, ao mesmo tempo em que favoreceu ativos de risco. “Como resultado, o câmbio devolveu parte da alta recente, em um movimento alinhado ao comportamento global da divisa americana”, afirma.

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