Dólar cai e Bolsa sobe com expectativa de cessar-fogo no Oriente Médio
Moeda americana recuou 0,65% frente ao real, a R$ 5,22. O Ibovespa, o principal índice da B3, avançou 1,60%, aos 185,4 mil pontos
atualizado
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O dólar registrou queda de 0,64% frente ao real nesta quarta-feira (25/3), cotado a R$ 5,21. Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em alta de 1,60%, aos 185,4 mil pontos.
O principal vetor dos mercados de câmbio e ações nesta sessão foram, mais uma vez, os desdobramentos do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. Os agentes econômicos apostaram na perspectiva de um cessar-fogo no Oriente Médio, o que devolveu algum apetite por risco aos investidores.
Isso embora as notícias sobre o conflito que antecederam o fechamento dos mercados não fossem propriamente positivas. Elas indicavam que o Irã rejeitou o plano de 15 pontos apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para encerrar os combates, iniciados há quase um mês.
De qualquer forma, a perspectiva de paz fez com que os preços do petróleo caíssem – e esse foi um fator decisivo para o desempenho das moedas e bolsas globais. O barril do tipo Brent, a referência mundial, com vencimento para maio, recuou 2,17%, a US$ 102,22. O West Texas Intermediate (WTI, que baliza o mercado norte-americano), também para maio, baixou a 2,20%, a US$ 90,32 por barril.
Alta geral
Na Europa, as bolsas também subiram. O índice Stoxx 600, que reúne empresas de 17 países do continente, fechou em alta de 1,42%. O DAX, de Frankfurt, subiu 1,41% e o FTSE 100, de Londres, avançou 1,42%. Em Paris, o CAC 40, teve elevação 1,33%.
Em Wall Street, o dia também foi de altas. Houve valorização no S&P 500, com 0,54%; no Dow Jones, de 0,66%; e no Nasdaq, que concentra ações de empresas do setor de tecnologia, de 0,77%.
Instabilidade
Bruno Shahini, analista da Nomad, ressalta que, apesar otimismo, o quadro global permanece incerto e, portanto, instável. “O dólar operou próximo da estabilidade ao longo da sessão, em um ambiente ainda marcado por baixa convicção”, diz.
Para ele, a expectativa de um possível cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã chegou a melhorar o apetite por risco, levando à queda do petróleo, com o Brent voltando a operar abaixo de US$ 100 e provocando o recuo dos rendimentos dos Treasuries, os títulos da dívida dos Estados Unidos.
“Por outro lado, informações contraditórias sobre as negociações e a continuidade das tensões na região limitaram o movimento, mantendo o mercado em compasso de espera”, afirma. “Nesse contexto, o dólar refletiu um equilíbrio entre forças, com uma reação de natureza mais técnica do que uma melhora estrutural no ambiente geopolítico, diante da incerteza ainda elevada no cenário externo.”
Eleições
Alison Correia, analista de investimentos da Dom Investimentos, observa que não foi só a guerra que contou no comportamento dos mercados, principalmente do Ibovespa. “Tivemos também uma pesquisa que mostrou que a desaprovação do presidente Lula ultrapassou 60%, a maior taxa já registrada”, diz. “Isso joga muito a favor do Flávio Bolsonaro, o que agrada em cheio ao mercado e ajudou o Ibovespa a subir.”
