Dólar e Bolsa caem com apreensão sobre escalada entre EUA e Irã

Na véspera, o dólar terminou a sessão em estabilidade, cotado a R$ 4,974. Ibovespa fechou em queda firme de 1,65%, aos 192,8 mil pontos

atualizado

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1 de 1 Imagem de notas de dólar norte-americano - Metrópoles - Foto: Yevgen Romanenko/Getty Images

O dólar operava em baixa, nesta quinta-feira (23/4), em meio a um ambiente de forte incerteza em relação aos desdobramentos do conflito entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.

Apesar da prorrogação do cessar-fogo anunciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, a percepção dos investidores é a de que uma solução definitiva que encerre a guerra entre os dois países ainda está distante.

Diante de tantas dúvidas, os preços internacionais do petróleo seguiam em alta, na manhã desta quinta, com o barril do brent chegando a ultrapassar o patamar dos US$ 103.


Dólar

  • Às 11h19, o dólar caía 0,48%, a R$ 4,95.
  • Mais cedo, às 10h16, a moeda norte-americana recuava 0,35% e era negociada a R$ 4,957.
  • Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 4,971. A mínima é de R$ 4,947.
  • Na véspera, o dólar terminou a sessão em estabilidade, cotado a R$ 4,974.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 3,95% no mês e de 9,38% no ano frente ao real.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), passou a operar em queda no pregão.
  • Às 11h23, o Ibovespa recuava 0,26%, aos 192,3 mil pontos.
  • No dia anterior, o indicador fechou o pregão em queda de 1,65%, aos 192,8 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula ganhos de 2,89% em abril e de 19,71% em 2026.

Petroleiro ligado ao Irã é interceptado

O Departamento de Guerra dos EUA interceptou um navio petroleiro apátrida, que estaria contrabandeando petróleo do Irã no Oceano Índico. Segundo os EUA, trata-se da embarcação M/T Majestic X, sancionada pelo Tesouro norte-americano.

“Durante a noite, forças dos EUA realizaram uma interdição marítima e embarque de direito de visita ao navio apátrida sancionado M/T Majestic X, que transportava petróleo do Irã, no Oceano Índico”, diz o comunicado do governo norte-americano.

“Continuaremos a aplicação marítima global para perturbar redes ilícitas e interceptar navios que fornecem apoio material ao Irã, onde quer que operem”, completa o comunicado.

O presidente dos EUA, Donald Trump, informou que ordenou à Marinha norte-americana que atire e destrua “qualquer embarcação, por menor que seja, que esteja lançando minas no Estreito de Ormuz”.

“Ordenei à Marinha dos EUA que atire e destrua qualquer embarcação, por menor que seja (todos os seus navios, 159 deles, estão no fundo do mar!), que esteja lançando minas nas águas do Estreito de Ormuz. Não deve haver hesitação”, ressaltou Trump.

O presidente norte-americano alegou que navios “caça-minas” dos EUA estão “limpando” o Estreito de Ormuz, rota marítima fechada pelo Irã desde o início da guerra.

Estados Unidos minimizam apreensão de navios pelo Irã

A Casa Branca afirmou que o presidente dos EUA, Donald Trump, não considera a apreensão de navios estrangeiros pelo Irã no Estreito de Ormuz uma violação do cessar-fogo em vigor entre os dois países. A declaração ocorre em meio à crescente tensão marítima na região, apesar da recente prorrogação da trégua.

A porta-voz do governo, Karoline Leavitt, minimizou o episódio ao destacar que as embarcações não pertenciam nem aos EUA nem a Israel. “Esses não eram navios americanos. Esses não eram navios israelenses. Eram duas embarcações internacionais”, afirmou em entrevista à Fox News.

Segundo Leavitt, a ação atribuída à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) não altera o entendimento de Washington sobre o cessar-fogo. Ainda assim, ela adotou um tom duro ao classificar a operação como “pirataria” e criticar a capacidade naval iraniana. “O Irã passou de ter a marinha mais letal do Oriente Médio para agir como um bando de piratas”, disse.

Mais cedo, a IRGC informou ter apreendido duas embarcações que, segundo Teerã, operavam sem autorização e violavam regulamentos marítimos, além de manipular sistemas de navegação. A mídia estatal iraniana também relatou que um terceiro navio, de propriedade grega, foi alvo das forças iranianas e ficou inoperante próximo à costa do país.

Mesmo com a trégua formalmente em vigor, os EUA mantêm o bloqueio naval em áreas estratégicas, incluindo o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

Teerã considera a medida uma continuação das hostilidades. Autoridades iranianas já indicaram que podem reagir caso o bloqueio persista, aumentando o risco de confronto direto.

Ormuz é o canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.

Trump: Irã suspendeu execução de 8 mulheres a pedido dos EUA

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou, nessa quarta-feira (22/4), por meio da rede social Truth Social, que o Irã decidiu não executar oito mulheres que estavam presas. Segundo o republicano, a decisão teria ocorrido após um pedido feito por ele às autoridades iranianas.

De acordo com Trump, quatro das mulheres serão libertadas, enquanto as outras quatro terão a pena reduzida para um mês de prisão. Na publicação, ele agradeceu ao governo iraniano por atender ao apelo e cancelar as execuções.

“Acabo de ser informado de que as oito manifestantes que seriam executadas esta noite no Irã não serão mais mortas. Quatro serão libertadas imediatamente e as outras quatro serão condenadas a um mês de prisão. Agradeço imensamente ao Irã e seus líderes por respeitarem meu pedido e cancelarem a execução planejada.” afirmou Trump.

Não há informações sobre por quais crimes o Irã denunciou as mulheres. Na última terça-feira (21/4), o presidente norte-americano já havia se manifestado sobre o caso, dizendo que a libertação das mulheres poderia representar um passo positivo nas negociações entre os dois países. Ele também pediu que elas não fossem prejudicadas, destacando que um gesto desse tipo poderia contribuir para o diálogo.

Israel e Líbano voltam a se reunir nos EUA

Israel e o Líbano devem voltar a se reunir nesta quinta-feira (23/4), em Washington (EUA), para mais uma rodada de negociações para um acordo de paz para a região. O Líbano pretende pedir a prorrogação do cessar-fogo, em vigor até domingo (26/4), por pelo menos mais dez dias.

Na véspera, o presidente do Líbano, Joseph Aoun, disse que as negociações continuam. “As comunicações estão em curso para prorrogar o prazo do cessar-fogo e não pouparei esforço algum para pôr fim às situações anormais que o Líbano vive atualmente”, publicou nas redes sociais.

Apesar do cessar-fogo, um ataque israelense deixou cinco mortos no Líbano, incluindo a jornalista Amal Khalil. Após a confirmação da morte da profissional, o primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, acusou Israel de cometer crimes de guerra.

Na madrugada desta quinta-feira, as Forças de Defesa de Israel também anunciaram a prisão de um terrorista da Força Radwan do Hezbollah no sul do Líbano. Segundo o exército israelense, ele planejava um ataque contra um soldado do país.

Israel também acusou o Hezbollah de violar o cessar-fogo. De acordo com as Forças de Defesa de Israel, o grupo lançou uma aeronave em direção a soldados israelenses que operavam ao sul do Líbano.

Após Israel atacar o Irã em 28 de fevereiro, o Hezbollah, um dos principais aliados do país persa, respondeu com ofensiva a Tel Aviv. A entrada do grupo terrorista na guerra agravou as tensões na região. O Hezbollah é considerado um dos maiores inimigos de Israel e também é um dos principais apoiadores do Hamas, que controla a Faixa de Gaza.

Israel tem atacado o sul do Líbano com a justificativa de afastar o grupo paramilitar da fronteira. Com isso, mais de 1 milhão de libaneses foram deslocados de suas casas devido aos combates e ordens de evacuação.

Nas negociações de paz envolvendo Irã e EUA, o governo do Paquistão, mediador do acordo, chegou a falar que o Líbano também estava incluído na trégua. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, contudo, declarou que o país não estava no acordo e que a guerra continuaria até que o Hezbollah fosse neutralizado.

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