Dólar fica estável e Bolsa sobe de olho em “avanço” da centro-direita
Moeda americana registrou pequena elevação de 0,11%, cotada a RS 5,41. Ibovespa fechou em alta de 0,99%, acima de 160 mil pontos
atualizado
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O dólar registrou leve elevação de 0,11%, cotado a R$ 5,41, nesta sexta-feira (12/12). Por ser pequena, na prática, a variação indicou estabilidade da moeda americana frente ao real. O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em alta de 0,99%, aos 160.766,37 pontos.
O câmbio no Brasil, em grande medida, seguiu o ritmo do mercado internacional. O índice DXY, que compara a força do dólar a uma cesta de seis moedas fortes (euro, iene, libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço), também anotou leva alta. Às 16h30, ele apresentava avanço de 0,07%, aos 98,42 pontos.
Já o Ibovespa, observa Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, descolou-se dos principais índices dos Estados Unidos, que caíram nesta sexta-feira. Às 16h45, todos os principais indicadores de Nova York recuavam: no caso do S&P 500, a queda era de 1,10%; para o Dow Jones, de 0,48; e no Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia, de 1,58%.
Quadro local
Já no Brasil, Perri observa que o “mercado digeriu bem” a Pesquisa Mensal de Serviços, divulgada nesta sexta-feira. Ela apontou queda do setor. “Um movimento mais pronunciado de desaceleração da economia pode influenciar o Banco Central (BC) nas próximas decisões de política monetária, mantendo apostas de parte do mercado em corte da Selic já em janeiro”, diz. “Essa, no entanto, não é minha opinião, depois da mensagem mais dura trazida pelo comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom), na quarta-feira (10/12).”
Cenário político
Perri acrescenta que sondagens eleitorais também influenciaram os investidores, mostrando avanços de candidaturas de centro-direita nesta sexta-feira, algo que agrada aos agentes econômicos. “A pesquisa Futura/APEX mostrou uma eventual vitória de Tarcísio de Freitas (Republicanos) no segundo turno”, afirma. “Além disso, o comentário de Michelle Bolsonaro, dizendo que aceitaria ser vice do governador paulista em 2026, dá algum fôlego aos mercados.”
Especulações tiveram ainda como foco outra eventual candidatura de centro-direita, articulada pelo presidente do PSD, Gilberto Kassab. Nesse caso, a chapa seria formada pelo governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), e pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Ela serviria de alternativa à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), anunciada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, preso na Polícia Federal, em Brasília, no que Perri chama de “Flávio’s Day”, quando a Bolsa despencou.
Moraes e Magnitsky
Ainda no cenário local, os mercados acompanharam a retirada do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, da lista de sanções da Lei Magnitsky. A punição foi imposta pelos Estados Unidos em 30 de julho.
Para Gabriel Redivo, sócio da Aware Investments, a decisão favoreceu a valorização das ações dos bancos no pregão. “Elas se destacaram com forte alta, refletindo não apenas fatores ligados à política monetária, mas também a retirada das sanções de autoridades brasileiras que constavam na lista da Lei Magnitsky, um elemento que havia gerado incertezas no setor nos meses anteriores”, diz. “Com o cenário mais claro, os papéis do setor financeiro foram destaques, contribuindo para a valorização do Ibovespa e para a sua manutenção acima dos 160 mil pontos.”
Dirigentes do Fed
Nesta sexta-feira, os mercados continuaram de olho nas perspectivas para os juros nos EUA. Dois dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) deram declarações sobre o tema. Ambos votaram contra o corte de juros de 0,25 ponto percentual, realizado na quarta-feira (10/12).
O presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, afirmou que teria sido melhor esperar até o início de 2026 para promover uma nova redução da taxa, agora fixada no intervalo entre 3,50% e 3,75%. Ele considera que, se postergada, a decisão poderia tomar como base dados atualizados do governo sobre o quadro econômico.
Na avaliação do presidente do Fed de Kansas City, Jeffrey Schmid, a política monetária deveria permanecer restritiva para manter a inflação sob controle.
