Dólar desloca-se do mundo e sobe a R$ 5,46, puxado por política local
Moeda americana registrou alta de 0,62%, apesar da queda dos juros nos EUA. Às 17h18, Ibovespa subia 0,86%, aos 159.341,50 pontos
atualizado
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O dólar registrou alta de 0,62% em relação ao real, cotado a R$ 5,46, nesta quarta-feira (10/12). Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), subia 0,86%, aos 159.341,50 pontos, às 17h22, embora oscilando bastante.
A cotação da moeda americana, porém, operou em sentido oposto ao mercado mundial. Apesar da alta no Brasil, o índice DXY, que mede a força do dólar em relação a uma cesta de seis divisas fortes (euro, iene, libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço), anotava queda de 0,22%, às 16h45.
Na avaliação de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o câmbio deslocou-se no Brasil porque o real segue pressionado pela busca de posições defensivas, após o aumento das incertezas políticas.
“Isso ocorre com a confirmação da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)”, diz o analista. “A volatilidade dos ativos domésticos, somada à curva de juros local ainda relutante em devolver prêmios, reforça o ambiente de aversão a riscos e mantém o dólar pressionado frente ao real”.
“Efeito Flávio”
Na última sexta-feira (5/2), o “efeito Flávio” já havia feito o dólar disparar. Na ocasião, a moeda americana subiu 2,31%, cotada a R$ 5,43, o maior valor desde 16 de outubro. De acordo com analistas, o mercado considera o senador um candidato fraco para a disputa presidencial.
Nesta quarta-feira, os investidores também reagiram à votação do projeto de lei que reduz as penas de crimes. A proposta, conhecida como o “PL da Dosimetria”, beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros condenados pelo golpe de 8 de janeiro.
Juros caem nos EUA
Nos Estados Unidos, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) confirmou, na tarde desta quarta-feira, a expectativa de corte de 0,25% da taxa de juros, que passou para o intervalo entre 3,50% e 3,75%. A medida já era amplamente esperada pelo mercado.
A votação, contudo, não foi unânime entre os diretores do órgão. Stephen Miran, indicado para o cargo pelo governo Trump, queria uma redução de 0,5 ponto percentual. Já Austan Goolsbee e Jeffrey Schmid posicionaram-se a favor da manutenção da taxa. Essa foi a terceira redução consecutiva dos juros nos EUA.
2026
Para 2026, o Fomc projeta apenas um corte, com a taxa de juros ficando entre 3,25% e 3,5%. A mesma estimativa já vinha sendo feita no último documento divulgado pelo órgão, em setembro.
Com a decisão do Fed, as bolsas de Nova York animaram-se. Às 17 horas, O S&P 500, referência do mercado acionário americano, saiu de uma performance de leve queda para uma alta de 0,73%. O Dow Jones disparou 1,17% e o Nasdaq, que concentra papéis de empresas de tecnologia, passou a subir 0,47%.
