Copom mantém linha-dura e não dá sinal de queda da Selic

A permanência dos juros em 15% já era amplamente aguardada pelo mercado. Mas agentes esperavam por indicação de início do ciclo de cortes

atualizado

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Raphael Ribeiro/ Banco Central
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1 de 1 Imagem colorida de membros do Copom do BC em 2025 - Metrópoles - Foto: Raphael Ribeiro/ Banco Central

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), manteve o tom duro no comunicado divulgado nesta quarta-feira (10/12), em que são feitos comentários sobre a decisão de manter os juros básicos do país, a Selic, em 15% ao ano — o maior patamar desde o fim de maio de 2006. Com isso, o órgão do BC não deu nenhum sinal para o mercado sobre o eventual início do ciclo de redução da taxa.

A manutenção dos juros em 15% ao ano era amplamente esperada pelos agentes econômicos. No mercado de Opções de Copom, da Bolsa brasileira (B3), 97,5% dos investidores apostavam na permanência da Selic nesse patamar. A grande dúvida do mercado era se o Copom emitiria algum sinal sobre uma mudança de curso da política monetária. Isso não ocorreu.

Os últimos comunicados do órgão do BC já vinham destacando que a “estratégia de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta”. Os analistas estavam de olho se a expressão “periodo bastante prolongado” seria mantida no atual texto. E foi.

No comunicado desta quarta-feira, o termo “período prolongado” é mencionado duas vezes nesse contexto de projeção da taxa. “Para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado“, cita o texto atual.

Pequena mudança

Em relação ao último encontro do Copom, em 5 de novembro, o novo documento traz uma pequena mudança na projeção de inflação do órgão para o segundo trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária. Ela, agora, situa-se em 3,2%. No mês passado, estava em 3,3%.

Para Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset, o comunicado veio duro, embora idêntico aos anteriores. Ainda assim, deve afetar os contratos de juros com vencimentos mais curtos. “E a evolução da projeção de inflação deixa a porta aberta para um início de ciclo de corte em março”, diz.

Inflexível

Rafaela Vitoria, economista-chefe do Banco Inter, diz que, apesar do cenário mais benigno para a inflação corrente e a projeção do BC ter mostrado uma nova queda no horizonte relevante da política monetária, para 3,2%, o Comitê manteve o rigor das últimas reuniões. “Ele não abriu espaço para discussão do início da flexibilização da Selic, o que vai deixar o mercado dividido para a próxima reunião”, afirma.

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, destaca que o Copom sustenta que a atividade econômica segue resiliente e permanecem pressões no mercado de trabalho. “Esses são fatores que sustentam a necessidade de manutenção de uma postura prudente”, diz o analista.

Sutileza

Pedro Moreira, sócio da One Investimentos, vê, porém, uma mudança sutil entre os dois últimos comunicados.  “Na avaliação geral do Comitê, a taxa atual é considerada ‘adequada’, substituindo a percepção anterior de que o nível vigente era ‘suficiente’”, diz. “A alteração abre espaço para um entendimento de flexibilização na condução da política monetária. O comunicado também afirma que os passos futuros poderão ser ajustados, sugerindo que o Copom se permite avaliar eventuais sinais que indiquem a possibilidade de flexibilização adiante.”

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