Dólar fica estável com recuo do petróleo e “sinuca” de Trump no Irã

Moeda americana registrou leve queda de 0,04% sobre o real, cotada a R$ 5,17. O Ibovespa fechou em alta de 0,68%, aos 169,8 mil pontos

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1 de 1 Imagem de uma nota de dólar com um cifrão sobre ela - Metrópoles - Foto: Getty Images

O dólar registrou leve queda de 0,04% sobre o real, a R$ 5,17, nesta terça-feira (9/6). Como a variação foi pequena, houve estabilidade na cotação da moeda americana. Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em alta de 0,68%, aos 169,8 mil pontos, interrompendo uma série de três baixas seguidas.

O desempenho do real foi similar ao movimento de outras moedas de países desenvolvidos. Às 16h20, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes (como euro, iene e libra esterlina), recuava 0,03%, aos 99,97 pontos.

Os mercados de câmbio e ações globais seguem a reboque dos fatos relacionados ao conflito entre Estados Unidos e Irã. Nesta terça-feira, as notícias foram de um novo ataque de Israel contra a cidade de Tiro, no sul do Líbano. A investida resultou na morte de ao menos oito pessoas, segundo autoridades libanesas. Na véspera, uma ofensiva israelense deixou 14 vítimas.

Os conflitos entre Israel e o Irã voltaram num momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mudou o tom do discurso e tem batido na tecla de uma trégua de 60 dias para a definição de um acordo mais amplo na região. Os fatos, contudo, colocam em xeque a proposta do republicano, deixando os investidores cautelosos sobre os rumos da guerra. Trump, nesse caso, fica numa sinuca: fala em cessar-fogo, mas o combate continua.

Petróleo

O preço do petróleo, contudo, segue como a principal variável econômica do confronto. E como o nível de ruídos em torno da guerra baixou nesta terça-feira, a commodity fechou em queda. O barril do tipo Brent, a referência internacional, recuou 2,97%, a US$ 91,45. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, baixou 3,40%, a US$ 88,20 por barril.

Bolsas no mundo

Na Europa, as bolsas apresentaram resultados mistos, embora num tom geral mais para o vermelho. O Stoxx 600, que reúne empresas de 17 países do continente, caiu 0,50%. O DAX, de Frankfurt, perdeu 0,80% e o FTSE 100, de Londres, baixou 1,41%. Já o CAC 40, de Paris, registrou leve alta de 0,05%, ou seja, manteve-se estável.

Em Nova York, houve queda geral. Às 16h40, elas eram de 0,79%, o S&P 500; de 0,20%, no Dow Jones; e de 1,57%, no Nasdaq, que concentra as ações de companhias do setor de tecnologia.

Análises

Na avaliação de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dólar operou próximo da estabilidade diante de um “ambiente externo que segue indefinido”. “Os investidores estão divididos entre a expectativa de um eventual acordo entre Estados Unidos e Irã e a cautela diante da ausência de avanços concretos nas negociações”, diz.

Ele observa que, nesse contexto, o recuo dos rendimentos dos Treasuries, os títulos da dívida americana, ajudou a conter a força da moeda americana ao longo da sessão. “Sem catalisadores domésticos relevantes, o câmbio acompanha principalmente os movimentos do mercado internacional, permanecendo em uma faixa estreita de negociação”, afirma.

Ibovespa

Leonardo Santana, sócio da casa de análise Top Gain, considera que, nesta terça-feira, a queda do petróleo ajudou a aliviar as expectativas inflacionárias globais. “Quando a commodity recua, diminui parte da pressão sobre combustíveis, fretes e cadeias produtivas, o que reduz o temor de novas altas de preços e melhora a percepção sobre a inflação futura”, diz o analista.

“Ao mesmo tempo, observou-se um fechamento das curvas de juros nos Estados Unidos, movimento que melhora o humor dos investidores e favorece ativos de risco. Com juros futuros mais comportados, diminui a atratividade relativa dos títulos americanos, permitindo que parte do capital volte a buscar oportunidades em mercados emergentes como o Brasil”, acrescenta Santana. “Esse ambiente contribuiu para a valorização da Bolsa brasileira e para uma sessão mais positiva dos ativos locais.”

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