Dólar e Bolsa caem com petróleo a US$ 112 e nova escalada da guerra
Moeda americana recuou a R$ 5,24, com queda de 0,24% frente ao real, que resistiu à piora do conflito no Oriente Médio. Ibovespa caiu 0,64%
atualizado
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O dólar registrou queda de 0,28% frente ao real, cotado a R$ 5,24, nesta sexta-feira (27/3). Como a variação foi relativamente pequena, ela indicou estabilidade da cotação. O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), também fechou em baixa, mas um pouco mais acentuada: ele baixou 0,64%, aos 181,5 mil pontos.
Desde 28 de fevereiro, com a eclosão do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, a guerra no Oriente Médio tem sido o principal vetor dos mercados. Nesta sexta-feira, não foi diferente.
Diversas noticias sobre o conflito mantiveram os agentes econômicos em alerta e levaram a fortes oscilações do câmbio e das ações. Uma delas disse respeito a um ataque de forças israelenses contra instalações nucleares iranianas. A outra mencionou o fato de o Pentágono cogitar o envio de mais 10 mil soldados americanos para uma ação terrestre no Oriente Médio.
Bolsas
Diante dessas informações, que representaram um agravamento dos combates na região, o clima de aversão ao risco contaminou, mais uma vez, as bolsas globais. O índice Stoxx 600, que reúne empresas de 17 países da Europa, caiu 0,95%. O DAX, de Frankfurt, anotou perda de 1,38%. O FTSE 100, de Londres, resistiu um pouco mais. Ele recuou 0,05%, mantendo a estabilidade em relação ao pregão da véspera.
Wall Street também operou no vermelho. Os principais índices da bolsas americanas caíam em bloco, com baixa de 1,67 do S&P 500; 1,73% do Dow Jones; e 2,15% do Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia.
Petróleo
O petróleo, que tem funcionado como fiel da balança da crise geopolítica, voltou a subir e, com a ascensão, recrudesceram as preocupações com o avanço da inflação no mundo. O barril do tipo Brent, que é a referência mundial de preço da commodity, fechou em alta de 4,22%, a US$ 112, para os contratos com vencimento em maio.
No caso do tipo West Texas Intermediate (WTI, que baliza mercado dos Estados Unidos), a alta foi de 5,46%, a US$ 99,64 por barril, também para maio. o valor mais alto desde julho de 2022. No acumulado da semana, os ganhos foram de 0,40% e 1,44%, respectivamente.
Análise
Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a combinação de petróleo elevado, juros globais em alta e incerteza em torno do conflito no Oriente Médio sustentou a demanda por proteção ao longo da manhã. Ele observa, porém, que esse movimento perdeu força com a desaceleração do dólar no exterior e sem piora adicional no cenário.
“Ao longo do dia, o fluxo foi ficando mais equilibrado, com menor convicção direcional, especialmente diante da proximidade do fim de semana”, diz o analista. “Nesse contexto, o câmbio passou a oscilar em faixa mais estreita, convergindo para um fechamento próximo à estabilidade.”
Shahini observa que o real se beneficiou no pregão desta sexta-feira, mantendo-se estável em relação ao dólar. “O prêmio de risco associado ao cenário geopolítico tem sido mais absorvido pelas bolsas globais e pela curva de juros do que pelo câmbio, o que ajuda a explicar a menor sensibilidade do real”, diz. “Além disso, a alta do petróleo tem efeitos positivos sobre os termos de troca e a balança comercial brasileira, sendo um fundamento de sustentação do real. O resultado é um câmbio estável, mesmo em um ambiente global ainda pressionado.”
No mês, o real também tem resistido aos sucessivos solavancos provocados no câmbio pela guerra. Em março, a moeda brasileira apresenta valorização de 2,09% em relação ao dólar.
