Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Negócios

Dólar e Bolsa caem com petróleo a US$ 112 e nova escalada da guerra

Moeda americana recuou a R$ 5,24, com queda de 0,24% frente ao real, que resistiu à piora do conflito no Oriente Médio. Ibovespa caiu 0,64%

27/03/2026 17:36, atualizado 27/03/2026 18:30
Costfoto/NurPhoto via Getty Images
Imagem colorida de maços de notas de dólar norte-americano - Metrópoles

O dólar registrou queda de 0,28% frente ao real, cotado a R$ 5,24, nesta sexta-feira (27/3). Como a variação foi relativamente pequena, ela indicou estabilidade da cotação. O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), também fechou em baixa, mas um pouco mais acentuada: ele baixou 0,64%, aos 181,5 mil pontos.

Desde 28 de fevereiro, com a eclosão do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, a guerra no Oriente Médio tem sido o principal vetor dos mercados. Nesta sexta-feira, não foi diferente.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

Diversas noticias sobre o conflito mantiveram os agentes econômicos em alerta e levaram a fortes oscilações do câmbio e das ações. Uma delas disse respeito a um ataque de forças israelenses contra instalações nucleares iranianas. A outra mencionou o fato de o Pentágono cogitar o envio de mais 10 mil soldados americanos para uma ação terrestre no Oriente Médio.

Bolsas

Diante dessas informações, que representaram um agravamento dos combates na região, o clima de aversão ao risco contaminou, mais uma vez, as bolsas globais. O índice Stoxx 600, que reúne empresas de 17 países da Europa, caiu 0,95%. O DAX, de Frankfurt, anotou perda de 1,38%. O FTSE 100, de Londres, resistiu um pouco mais. Ele recuou 0,05%, mantendo a estabilidade em relação ao pregão da véspera.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Wall Street também operou no vermelho. Os principais índices da bolsas americanas caíam em bloco, com baixa de 1,67 do S&P 500; 1,73% do Dow Jones; e 2,15% do Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia.

Petróleo

O petróleo, que tem funcionado como fiel da balança da crise geopolítica, voltou a subir e, com a ascensão, recrudesceram as preocupações com o avanço da inflação no mundo. O barril do tipo Brent, que é a referência mundial de preço da commodity, fechou em alta de 4,22%, a US$ 112, para os contratos com vencimento em maio.

No caso do tipo West Texas Intermediate (WTI, que baliza mercado dos Estados Unidos), a alta foi de 5,46%, a US$ 99,64 por barril, também para maio. o valor mais alto desde julho de 2022. No acumulado da semana, os ganhos foram de 0,40% e 1,44%, respectivamente.

Análise

Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a combinação de petróleo elevado, juros globais em alta e incerteza em torno do conflito no Oriente Médio sustentou a demanda por proteção ao longo da manhã. Ele observa, porém, que esse movimento perdeu força com a desaceleração do dólar no exterior e sem piora adicional no cenário.

“Ao longo do dia, o fluxo foi ficando mais equilibrado, com menor convicção direcional, especialmente diante da proximidade do fim de semana”, diz o analista. “Nesse contexto, o câmbio passou a oscilar em faixa mais estreita, convergindo para um fechamento próximo à estabilidade.”

Shahini observa que o real se beneficiou no pregão desta sexta-feira, mantendo-se estável em relação ao dólar. “O prêmio de risco associado ao cenário geopolítico tem sido mais absorvido pelas bolsas globais e pela curva de juros do que pelo câmbio, o que ajuda a explicar a menor sensibilidade do real”, diz. “Além disso, a alta do petróleo tem efeitos positivos sobre os termos de troca e a balança comercial brasileira, sendo um fundamento de sustentação do real. O resultado é um câmbio estável, mesmo em um ambiente global ainda pressionado.”

No mês, o real também tem resistido aos sucessivos solavancos provocados no câmbio pela guerra. Em março, a moeda brasileira apresenta valorização de 2,09% em relação ao dólar.