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Negócios

Dólar cai com alívio do petróleo e aposta firme em acordo EUA-Irã

Moeda americana registrou baixa de 0,77% frente ao real, cotada a R$ 5,06. O Ibovespa, o principal índice da Bolsa, fechou em queda de 0,22%

Carlos Rydlewski12/06/2026 17:06
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Getty Images
Imagem colorida de notas de dólar e de real - Metrópoles

O dólar registrou queda de 0,77% frente ao real, cotado a R$ 5,06, nesta sexta-feira (12/6). O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em leve baixa de 0,22%, aos 171 mil pontos.

No cenário global, a expectativa de conclusão de um acordo entre os Estados Unidos e o Irã embalou os mercados, despertando o apetite por ativos de risco (como as ações) por parte dos investidores.

E o mercado animou-se mesmo com novas declarações negativas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a evolução das negociações. Nesta sexta-feira, o republicano afirmou que o Irã é desonesto e precisa “entrar nos eixos”.

Já o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, porém, disse que um acordo entre os dois países “nunca esteve tão próximo”.

O compromisso, segundo Araghchi, deve alcançar os temas-chave em debate. Eles incluem a extensão do cessar-fogo iniciado em abril, a reabertura do Estreito de Ormuz (por onde circula um quinto da produção mundial de petróleo), além de abordar o programa nuclear iraniano.

Petróleo

O principal impacto da queda da tensão no Oriente Médio deu-se sobre os preços do petróleo. Depois de dias de solavancos, eles caminham sob controle — e em tendência de baixa.

O barril do tipo Brent, a referência do mercado internacional, caiu 3,37%, a US$ 87,33. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, recuou 3,74%, a US$ 84,43.

Os valores, contudo, ainda estão distantes dos cerca de US$ 70 por barril, vigentes antes da deflagração do conflito, em 28 de fevereiro. Por outro lado, também se afastaram dos quase US$ 120 alcançados no ápice da alta da commodity.

Bolsas no mundo

Nesse cenário, as bolsas da Europa dispararam. O índice Stoxx 600, que reúne ações de empresas de 17 países do continente, subiu 1,80%. O DAX, de Frankfurt, avançou 1,76% e o CAC 40, de Paris, registrou elevação de 1,83%. Em Londres, a alta do FTSE 100 foi de 1,63%.

O otimismo também prevaleceu em Wall Street, embora mais moderado em relação ao ânimo europeu. Às 16h15, as elevações eram de 0,33%, no S&P 500; de 0,66%, no Dow Jones; e de 0,12%, no Nasdaq, que concentra as ações de companhias do setor de tecnologia.

Inflação no Brasil

No ambiente interno, os agentes econômicos acompanharam a divulgação dos dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do Brasil. Os números foram apresentados na manhã desta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O IPCA desacelerou para 0,58% em maio, depois de ter avançado 0,67% em abril. Na comparação anual, o avanço foi de 4,72%. Os números ficaram pouco acima das estimativas do mercado. Segundo pesquisa da Reuters, os analistas esperavam, respectivamente, 0,53%, para maio, e 4,66%, em 12 meses.

Análise

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, afirma que o dólar devolveu parte dos ganhos recentes, acompanhando a melhora do apetite por risco após novas sinalizações de avanço nas negociações entre EUA e Irã. “Apesar de ruídos pela manhã e das divergências sobre os termos finais da negociação, prevaleceu a percepção de que um entendimento entre Washington e Teerã está mais próximo, pressionando o petróleo e reduzindo parte dos prêmios de risco geopolítico incorporados aos mercados nas últimas semanas”, diz.

No Brasil, observa o economista, o IPCA de maio veio acima do esperado e reforçou a expectativa de um Banco Central mais cauteloso, sustentando o diferencial de juros e mantendo o real entre as moedas de melhor desempenho entre emergentes. “A combinação entre um ambiente externo menos defensivo e a perspectiva de juros domésticos elevados são fatores positivos para o fortalecimento do real, embora a volatilidade permaneça frente à incerteza sobre a conclusão efetiva do acordo no Oriente Médio”, afirma.

Ibovespa

Shahini destaca que o Ibovespa encontrou dificuldade para acompanhar a melhora do humor externo, mesmo com a queda do petróleo e a perspectiva de avanço nas negociações entre EUA e Irã.

“Parte relevante dessa resistência vem do desempenho da Petrobras, que chegou a recuar cerca de 1,7%, acompanhando a forte correção do Brent e exerce peso significativo sobre o Ibovespa”, diz o analista. “Além disso, o fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira continua fraco depois de forte entrada nos primeiros meses do ano, reduzindo o suporte que impulsionou o índice para as máximas recentes.”

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