Dólar cai com alívio do petróleo e aposta firme em acordo EUA-Irã
Moeda americana registrou baixa de 0,77% frente ao real, cotada a R$ 5,06. O Ibovespa, o principal índice da Bolsa, fechou em queda de 0,22%

O dólar registrou queda de 0,77% frente ao real, cotado a R$ 5,06, nesta sexta-feira (12/6). O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em leve baixa de 0,22%, aos 171 mil pontos.
No cenário global, a expectativa de conclusão de um acordo entre os Estados Unidos e o Irã embalou os mercados, despertando o apetite por ativos de risco (como as ações) por parte dos investidores.

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Frequência de envio: Diário
Ver todasE o mercado animou-se mesmo com novas declarações negativas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a evolução das negociações. Nesta sexta-feira, o republicano afirmou que o Irã é desonesto e precisa “entrar nos eixos”.
Já o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, porém, disse que um acordo entre os dois países “nunca esteve tão próximo”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO compromisso, segundo Araghchi, deve alcançar os temas-chave em debate. Eles incluem a extensão do cessar-fogo iniciado em abril, a reabertura do Estreito de Ormuz (por onde circula um quinto da produção mundial de petróleo), além de abordar o programa nuclear iraniano.
Petróleo
O principal impacto da queda da tensão no Oriente Médio deu-se sobre os preços do petróleo. Depois de dias de solavancos, eles caminham sob controle — e em tendência de baixa.
O barril do tipo Brent, a referência do mercado internacional, caiu 3,37%, a US$ 87,33. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, recuou 3,74%, a US$ 84,43.
Os valores, contudo, ainda estão distantes dos cerca de US$ 70 por barril, vigentes antes da deflagração do conflito, em 28 de fevereiro. Por outro lado, também se afastaram dos quase US$ 120 alcançados no ápice da alta da commodity.
Bolsas no mundo
Nesse cenário, as bolsas da Europa dispararam. O índice Stoxx 600, que reúne ações de empresas de 17 países do continente, subiu 1,80%. O DAX, de Frankfurt, avançou 1,76% e o CAC 40, de Paris, registrou elevação de 1,83%. Em Londres, a alta do FTSE 100 foi de 1,63%.
O otimismo também prevaleceu em Wall Street, embora mais moderado em relação ao ânimo europeu. Às 16h15, as elevações eram de 0,33%, no S&P 500; de 0,66%, no Dow Jones; e de 0,12%, no Nasdaq, que concentra as ações de companhias do setor de tecnologia.
Inflação no Brasil
No ambiente interno, os agentes econômicos acompanharam a divulgação dos dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do Brasil. Os números foram apresentados na manhã desta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O IPCA desacelerou para 0,58% em maio, depois de ter avançado 0,67% em abril. Na comparação anual, o avanço foi de 4,72%. Os números ficaram pouco acima das estimativas do mercado. Segundo pesquisa da Reuters, os analistas esperavam, respectivamente, 0,53%, para maio, e 4,66%, em 12 meses.
Análise
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, afirma que o dólar devolveu parte dos ganhos recentes, acompanhando a melhora do apetite por risco após novas sinalizações de avanço nas negociações entre EUA e Irã. “Apesar de ruídos pela manhã e das divergências sobre os termos finais da negociação, prevaleceu a percepção de que um entendimento entre Washington e Teerã está mais próximo, pressionando o petróleo e reduzindo parte dos prêmios de risco geopolítico incorporados aos mercados nas últimas semanas”, diz.
No Brasil, observa o economista, o IPCA de maio veio acima do esperado e reforçou a expectativa de um Banco Central mais cauteloso, sustentando o diferencial de juros e mantendo o real entre as moedas de melhor desempenho entre emergentes. “A combinação entre um ambiente externo menos defensivo e a perspectiva de juros domésticos elevados são fatores positivos para o fortalecimento do real, embora a volatilidade permaneça frente à incerteza sobre a conclusão efetiva do acordo no Oriente Médio”, afirma.
Ibovespa
Shahini destaca que o Ibovespa encontrou dificuldade para acompanhar a melhora do humor externo, mesmo com a queda do petróleo e a perspectiva de avanço nas negociações entre EUA e Irã.
“Parte relevante dessa resistência vem do desempenho da Petrobras, que chegou a recuar cerca de 1,7%, acompanhando a forte correção do Brent e exerce peso significativo sobre o Ibovespa”, diz o analista. “Além disso, o fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira continua fraco depois de forte entrada nos primeiros meses do ano, reduzindo o suporte que impulsionou o índice para as máximas recentes.”



