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Negócios

Dólar cai a R$ 5,10 e Bolsa dispara após Trump cancelar ataque ao Irã

Moeda americana registrou queda de 1,37%. O Ibovespa, o principal índice da B3, avançou 1,71%, aos 171,4 mil pontos

Carlos Rydlewski11/06/2026 17:09, atualizado 11/06/2026 17:27
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Getty Images
Imagem de uma nota de dólar com um cifrão sobre ela - Metrópoles

A cotação do dólar e o desempenho da Bolsa foram fortemente afetados na tarde desta quinta-feira (11/6), depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o cancelamento de ataques programados contra o Irã.

Com a notícia, a moeda americana, que vinha em queda moderada, registrou forte baixa de 1,37%, voltando ao patamar de R$ 5,10. Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), mudou de sentido e passou a subir, fechando em alta de 1,71%, aos 171,4 mil pontos.

O preço do petróleo também sofreu o impacto do anúncio do republicano. O valor da commodity estava em queda, mas o recuo foi acentuado com o cancelamento dos ataques.

No fim da sessão, o barril do tipo Brent, a referência do mercado internacional, anotou baixa de 2,92%, a US$ 90,38. Pela manhã, o recuo era de apenas 0,49%, a US$ 92,64. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, caiu 2,58%, a US$ 87,71. Antes do anúncio, a redução era de somente 0,39%, a US$ 89,59 por barril.

Declarações de Trump

Além de cancelar os ataques, Trump afirmou que líderes iranianos aprovaram um projeto de acordo para estender o cessar-fogo, reabrir o Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de um quinto da produção mundial de petróleo, e dar início a 60 dias de negociações sobre o programa nuclear iraniano.

“Com base no fato de que as discussões com a República Islâmica do Irã foram levadas ao mais alto nível da liderança iraniana e aprovadas, eu, como presidente dos Estados Unidos da América, cancelei os ataques e bombardeios programados contra o Irã esta noite”, escreveu Trump, na rede Truth Social.

Essa, contudo, não foi a primeira vez que o presidente americano afirmou que um acordo com o Irã era iminente. Além disso, a agência de notícias iraniana Fars negou que qualquer proposta tenha sido aprovada, mas ponderou que havia a “possibilidade” de um entendimento entre os dois países.

Inflação nos EUA

Além da guinada na posição de Trump em relação ao Irã, os mercados acompanharam nesta quinta-feira a divulgação do índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos. Em maio, o indicador subiu 1,1% ante abril, segundo dados veiculados pelo Departamento do Trabalho americano.

O resultado veio acima do consenso dos analistas, que previam elevação de 0,7%. Em 12 meses, o PPI acumulou alta de 6,5%, a maior desde os 7,4% observados em novembro de 2022.

Serviços no Brasil

No ambiente interno, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o volume de serviços no Brasil avançou 1,2% em abril, na comparação com março. O número ficou bem acima da expectativa dos analistas, que previam uma elevação de 0,6%, segundo pesquisa da Reuters.

Dessa forma, o setor de serviços encontra-se 19,9% acima do nível de fevereiro de 2020 (pré-pandemia) e apenas 0,3% abaixo do topo da série histórica, alcançado em outubro de 2025.

Análise

Na avaliação de Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, depois de uma alta acumulada expressiva de mais de 5% desde maio, é natural que o dólar alivie em sessões de maior apetite por risco global, como é o caso desta quinta-feira.

“Domesticamente, dados fortes de serviços aumentaram a convicção do mercado de que o Copom (o Comitê de Política Monetária do Banco Central) deve pausar o ciclo de cortes de juros na reunião da semana que vem”, diz. “Isso mantém o diferencial de juros elevado e pode atrair fluxo de capital para a Bolsa.”

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