Dólar cai a R$ 4,98 com abertura de Ormuz e tombo de 11% do petróleo
Moeda americana registrou queda de 0,19% frente ao real, o que mostrou estabilidade do câmbio. Bolsa recuou, puxada pela Petrobras
atualizado
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O dólar registrou queda de 0,19% frente ao real, cotado a R$ 4,98, nesta sexta-feira (17/4), mantendo-se no menor patamar em pouco mais de dois anos. Pequena, a variação, contudo, indicou estabilidade da moeda americana. Durante a sessão, ela chegou a R$ 4,95. Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em queda de 0,55%, aos 195.733,51 pontos.
O principal vetor dos mercados nesta sexta-feira foi o anúncio feito pelo Irã da reabertura do Estreito de Ormuz para embarcações, enquanto durar o cessar-fogo com os Estados Unidos, que expira na quarta-feira (22/4). A região é crucial para a economia global, uma vez que concentra a circulação de cerca de 20% da produção mundial de petróleo.
Por isso, logo depois do anúncio, os preços globais da commodity desabaram. O barril para junho do tipo Brent, referência mundial, caiu 9,06%, a US$ 90,38. O West Texas Intermediate (WTI, que baliza o mercado americano) para maio baixou 11,45%, a US$ 83,85 por barril. No acumulado da semana, os dois tipos anotaram baixas. Elas foram de 5,06% e 13,17%, respectivamente.
Bolsas globais
A decisão de abrir Ormuz provocou imediato otimismo nas bolsas globais. Na Europa, o índice Stoxx 600, que reúne empresas de 17 países do continente, fechou em alta de 1,56%. Em Londres, o FTSE 100 avançou 0,73% e o DAX, de Frankfurt, disparou 2,27%. O CAC 40, de Paris, registrou elevação de 1,97%.
Nos Estados Unidos, os principais índices de Nova York também operaram em firme alta. Às 16h40, eles subiam em bloco: 1,16%, no S&P 500; 1,85%, no Dow Jones; e 1,45%, no Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia.
O avanço da cotação do ouro, porém, mostrou que, apesar do maior apetite por risco, parte dos investidores segue numa postura conservadora. Os contratos futuros do metal, com entrega para junho, subiram 1,48% nesta sexta-feira, negociados a US$ 4.870,60. Na semana, houve elevação de 1,98%. O valor, no entanto, é inferior à máxima de fechamento no ano, de cerca de US$ 5,3 mil, em janeiro.
Análise
Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a reabertura do Estreito de Ormuz, seguida pela queda do petróleo, abriu espaço para a queda dos juros futuros dos Estados Unidos, enfraquecendo a moeda americana tanto frente a países desenvolvidos quanto emergentes. “No Brasil, o movimento foi amplificado pelo diferencial de juros elevado, que segue atraindo fluxo externo”, diz. “O dólar tocou a mínima de R$ 4,95, antes de devolver parte da queda em meio a ajustes técnicos e demanda pontual.”
Shahini observa que a queda acentuada do petróleo removeu o principal fator de pressão inflacionária recente, levando o retorno dos Treasuries (os títulos da dívida americana) a recuar, sustentando a alta das bolsas nos Estados Unidos e Europa. “Houve rotação setorial clara: papéis de energia cederam de forma relevante, enquanto companhias sensíveis a custos e a juros — como aéreas e small caps— avançaram”, afirma. “O movimento refletiu uma reprecificação rápida do cenário macro, com menor risco de choque de oferta — ainda que o mercado permaneça atento à evolução das negociações no Oriente Médio.”
Ibovespa
Max Bohm, estrategista-chefe da Nomos, observa que, mesmo com a abertura do Estreito de Ormuz, a Bolsa brasileira recuou pressionada pela forte queda da Petrobras. “As ações da estatal chegaram a cair mais de 7% e, como a empresa representa aproximadamente 13% do Ibovespa, puxou o índice para o campo negativo”, diz.
“Mas a leitura geral é positiva. O avanço das negociações e sinais mais concretos em direção ao fim do conflito, como a reabertura de Ormuz, mencionada por uma liderança iraniana, são elementos relevantes e simbólicos”, afirma. “Esse cenário ajuda a explicar o desempenho mais construtivo das bolsas globais, além da recuperação do ouro, que volta para a casa dos US$ 4.900, e das altas em prata e outros metais. As criptomoedas também acompanham esse movimento, com ganhos expressivos.”
Josias Bento, da GT Capital, nota ainda que a queda do Ibovespa é resultado de outros dois movimentos. Um deles é a realização de lucros, quando investidores vendem ações depois que atingiram determinado patamar de preço. O outro aspecto é o vencimentos de opções nesta sexta feira.
