Com dólar forte, ouro e prata recuam com alívio em tensão geopolítica
Dólar vem ganhando força desde a semana passada, após a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Banco Central dos Estados Unidos
atualizado
Compartilhar notícia

Em meio à forte valorização do dólar nos últimos dias, a cotação do ouro e da prata registrava queda firme, nesta quinta-feira (5/2), diante do arrefecimento das tensões geopolíticas.
Depois de engatar uma série de recordes, a prata chegou a tombar 17%, perto de US$ 73 por onça-troy, enquanto o ouro estacionou no patamar abaixo de US$ 5 mil.
No fim da semana passada, o ouro teve sua maior baixa desde 2013. A prata, por sua vez, registrou a maior queda diária de sua história.
Ouro e prata
- Por volta das 11h (pelo horário de Brasília), os contratos futuros do ouro para abril recuavam 1,98% e eram negociados a US$ 4.852,84 por onça-troy, de acordo com dados da divisão de metais da Bolsa de Valores de Nova York.
- No mesmo horário, os contratos futuros da prata para março registravam perdas maiores, de 10,86%, cotados a US$ 75,230.
- No ano passado, o ouro registrou valorização de 64%, seu maior ganho anual em quase meio século, desde 1979.
Indicação ao Fed e alívio na tensão global
O dólar vem ganhando força desde a semana passada, após a indicação do ex-diretor do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) Kevin Warsh para a presidência da autoridade monetária.
Warsh, que ainda precisa ter o nome aprovado pelo Senado dos EUA, foi indicado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, e deve assumir o cargo em maio deste ano, após o fim do mandato do atual chefe do Fed, Jerome Powell.
No âmbito geopolítico, EUA e Irã vêm avançando em negociações, o que ajudou a reduzir as tensões entre os dois países e no Oriente Médio. Além disso, Trump também anunciou que teve uma conversa “muito positiva” com o líder da China, Xi Jinping, nesta semana.
Por que ouro e prata vinham subindo tanto
Segundo analistas do mercado, a trajetória até então ascendente da cotação do ouro se deveu, em grande parte, à busca dos investidores por ativos mais seguros em meio às incertezas nos EUA e diante de um mercado de ações superaquecido.
O mundo passa por uma fase turbulenta na geopolítica, com novas ameaças tarifárias dos EUA contra a União Europeia (UE), a guerra entre Rússia e Ucrânia e os protestos que colocam em xeque o regime teocrático do Irã. Historicamente, em períodos de incerteza e instabilidade, ativos mais seguros ganham força.
A alta dos metais preciosos ainda foi alavancada pelo chamado “comércio da desvalorização”, com investidores procurando segurança em ativos como bitcoin e criptomoedas em geral, ouro e prata, em um movimento de claro afastamento das principais moedas, como o dólar.
De acordo com analistas, a explicação para o forte tombo dos metais preciosos desde a semana passada é justamente a recuperação do dólar após a indicação de Warsh para a presidência do BC dos EUA. A alta do dólar afetou o apetite dos investidores, que vinham comprando metais.
