BTG assina acordo para comprar Digimais, de Edir Macedo, e aguarda FGC
O que se tem é uma oferta inicial do BTG pelo banco de Edir Macedo. A transação deve ser facilitada pelo FGC, que convocará leilão. Entenda
atualizado
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O BTG Pactual assinou um acordo para a compra do Digimais, banco 100% digital controlado pelo bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). A conclusão da operação ainda depende de possível empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A informação foi publicada inicialmente pelo jornal Valor Econômico e confirmada pela reportagem do Metrópoles, nesta quarta-feira (8/4), com fontes que acompanham de perto as negociações. Em março, a coluna Dinheiro e Negócios, do Metrópoles, já havia noticiado as conversas entre BTG e Digimais para a compra do banco digital.
FGC deve convocar leilão para outros interessados
De acordo com a apuração do Metrópoles, o acordo para a aquisição do Digimais já foi assinado pelo BTG. Neste momento, o que se tem é uma oferta inicial da instituição financeira pelo banco de Edir Macedo. A transação deve ser facilitada por um empréstimo do FGC.
Criado em 1995, o FGC é uma instituição privada, sem fins lucrativos, que atua como uma espécie de seguro, protegendo alguns tipos de investimentos e depósitos feitos em instituições financeiras. Além dos clientes, o FGC também auxilia os próprios bancos.
O fundo é formado a partir de recursos depositados periodicamente pelas instituições financeiras associadas – entre as quais a Caixa Econômica Federal e bancos comerciais, de investimento e de desenvolvimento.
A assinatura do acordo para a compra do Digimais é um passo importante que encaminha o acerto para o BTG, mas ela, por si só, não garante o desfecho da operação. Segundo as fontes ouvidas pelo Metrópoles, o FGC deve convocar um leilão, nos próximos meses, para que outros eventuais interessados na aquisição do Digimais se apresentem.
Ainda de acordo com essas fontes, o acordo para a compra do Digimais pelo BTG já está sendo feito com base nas novas regras do FGC – instituídas após o escândalo envolvendo o Banco Master, no fim do ano passado.
Novas regras do FGC após caso Master
Em janeiro deste ano, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou mudanças no estatuto e no regulamento do FGC, por meio da Resolução n° 4.222. Uma das principais alterações consta do artigo 7º do regulamento, que passa a permitir ao Conselho de Administração do FGC propor aumento ou redução das contribuições das instituições associadas sempre que considerar necessário.
Para que o impacto sobre a liquidez seja mitigado, o FGC poderá, de acordo com as novas regras, antecipar em até 5 anos as contribuições das instituições associadas e instituir cobranças extraordinárias. Outro ponto importante é o estabelecimento de um prazo máximo de 3 dias para o início do pagamento das garantias.
Ainda segundo as novas regras do FGC, o fundo tem de convocar um leilão e permitir que outras ofertas sejam apresentadas. Mesmo com eventuais concorrentes no páreo, o Metrópoles apurou que o BTG é mesmo o grande favorito a comprar o Digimais, por já ter maior conhecimento sobre a operação e também por ter demonstrado o maior interesse no negócio.
Na ocasião, por meio de nota, o FGC afirmou que as mudanças visavam a alinhar o fundo às melhores práticas internacionais no setor financeiro. “As alterações permitem tornar o processo de pagamento de garantias mais rápido, previsível e alinhado às melhores práticas internacionais” e contribuem para “maior estabilidade e solidez do Sistema Financeiro Nacional”, disse o fundo.
Digimais enfrenta grave crise
Como noticiado pelo Metrópoles, o Digimais vem passando por grave crise financeira, com risco estrutural. A empresa vem sendo monitorada pelo Banco Central (BC), a autoridade monetária do país, e chegou a apresentar um plano de reestruturação em 2025 – para atrair possíveis compradores.
Entre as medidas do plano, estaria um aporte significativo por parte de Edir Macedo. Até agora, no entanto, a estratégia não havia avançado.
Relatórios de 2024 e 2025 apontaram alta inadimplência do Digimais desde a pandemia de Covid-19, o que corroeu o patrimônio e exigiu aportes recorrentes para evitar uma quebra do banco.
Em 2025, o investidor Mauricio Quadrado, ex-sócio do Banco Master, chegou a anunciar que havia fechado a compra do Digimais, mas o negócio acabou não se concretizando.
Até agora, o Digimais não divulgou seus resultados referentes a 2025. De acordo com dados do BC, a instituição possuía, até setembro do ano passado, ativos que somavam R$ 9,297 bilhões e um patrimônio líquido de R$ 420 milhões.
Entre os ativos do banco digital, a carteira de crédito somava R$ 1,884 bilhão, e o portfólio de títulos e valores mobiliários, R$ 2,285 bilhões.
As empresas
O Digimais é uma instituição financeira focada em crédito consignado e financiamento de veículos, que passou por uma série de mudanças de controle – anteriormente era conhecido como Banco Renner. Atualmente, o banco oferece conta digital, cartões e soluções de crédito.
O BTG Pactual, por sua vez, é considerado o maior banco de investimentos da América Latina, especializado em gestão de ativos, patrimônio e serviços financeiros corporativos. A instituição oferece conta PJ, crédito rápido, antecipação de recebíveis e investimentos, além de soluções tecnológicas para pequenas e médias empresas.
Procurado pelo Metrópoles, o BTG informou que não comentaria o caso. Até o momento, a reportagem não conseguiu contato com o Digimais, que também ainda não se manifestou oficialmente. O espaço segue aberto.
