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BTG negocia compra do Digimais, banco de Edir Macedo

Banco de Edir Macedo enfrenta grave crise financeira com alto risco estrutural

atualizado

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Reprodução/Redes Sociais
Edir Macedo
1 de 1 Edir Macedo - Foto: Reprodução/Redes Sociais

O BTG, de André Esteves, negocia a compra do Digimais, banco do líder religioso Edir Macedo. O Digimais enfrenta uma grave financeira, com risco estrutural.

Por conta da situação crítica, o Digimais é acompanhado de perto pelo Banco Central (BC). Em 2025, a instituição financeira apresentou um plano de reestruturação para tentar atrair um possível comprador.

Entre as medidas do plano, estava, como mostrou a coluna, um aporte de R$ 250 milhões, que saiu do bolso de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal e do grupo Record.

Até agora, no entanto, a estratégia não havia surtido efeito. A situação do Digimais não é boa há um bom tempo. Relatórios de 2024 e 2025 apontaram alta inadimplência após a pandemia, o que corroeu o patrimônio e exigiu aportes recorrentes para evitar quebra técnica.

Em 2025, o investidor Mauricio Quadrado, ex-sócio do Banco Master, chegou a anunciar que tinha fechado a compra com o líder religioso. O negócio, no entanto, não avançou.

Outro empresário que manifestou interesse, e cuja proposta foi apresentada ao Banco Central, é Tércio Borlenghi Jr., fundador e controlador da Ambipar. O negócio azedou pouco antes do colapso da multinacional brasileira, que apresentou pedido de recuperação judicial em outubro de 2025.

A Ambipar é alvo de um processo envolvendo o dono do Master, Daniel Vorcaro. A investigação, que tramita na Comissão de Valores Imobiliários (CVM), apura a possível atuação em conjunto de Vorcaro e outros investidores para inflar o patrimônio da Ambipar.

O NuBank também chegou a negociar com Edir Macedo, mas desistiu da transação. Assim, a saída proposta pelo BC, de venda da instituição, naufragou. Desde então, o Digimais vaga como um zumbi pelo sistema financeiro, sem condições de se reestruturar sozinho e sem interessados em embarcar no negócio.

Calote de R$ 500 milhões

No início de fevereiro, a coluna mostrou que uma nova ação judicial ameaça o já combalido caixa do Digimais. Sócio da instituição financeira, o empresário Roberto Campos Marinho Filho afirma que teve um prejuízo de quase R$ 500 milhões ao aceitar papéis da Fictor, da Reag e do Banco Master como lastro da participação do Digimais em um fundo de investimento, o EXP 1.

Os papéis foram utilizados pelo Digimais para comprar 80% do fundo de investimento. Os outros 20% ficaram com Marinho, dono da Yards Capital, que gere o fundo. O valor da carteira, no entanto, despencou com o avanço de investigações sobre supostas fraudes envolvendo tanto o Master quanto a Reag e a Fictor.

A Yards notificou o Digimais judicialmente para que o banco de Edir Macedo comprasse a carteira de R$ 462,2 milhões, aportada pelo banco no fundo.


Composição da carteira alvo da disputa

  • A maior parte dos papéis, estimados em R$ 316,6 milhões, seriam do Master e da Reag.
  • Os demais títulos seriam da Fictor, somando R$ 145,6 bilhões.

A Reag foi alvo das duas últimas grandes operações policiais que miraram a Faria Lima. A gestora de fundos é investigada por suposto envolvimento em manobras para esconder dinheiro do crime organizado, na operação Carbono Oculto, e por usar a mesma rede de fundos para movimentações suspeitas do Banco Master, na Operação Compliance Zero. Diante de tantas suspeitas, a Reag foi liquidada pelo Banco Central no dia 15 de dezembro.

Já a Fictor foi alçada aos holofotes após anunciar que compraria o Banco Master por R$ 3 bilhões em novembro de 2025. Um dia depois, o Master foi liquidado, e os principais executivos do banco, presos. Em janeiro deste ano, a Fictor apresentou pedido de recuperação judicial alegando que as notícias envolvendo o Master levaram os investidores a pedirem resgates, o que teria esvaziado o caixa e provocado uma crise de liquidez.

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