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Edir Macedo desembolsou R$ 250 milhões para tentar salvar o Digimais

Líder religioso tirou dinheiro do próprio bolso. Aporte, no entanto, não tirou a instituição financeira do atoleiro

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BISPO EDIR MACEDO, da Igreja universal - METRÓPOLES
1 de 1 BISPO EDIR MACEDO, da Igreja universal - METRÓPOLES - Foto: Reprodução

Para atender exigências do Banco Central (BC), o bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal e dono do grupo Record, tirou do próprio bolso, em dezembro de 2025, R$ 250 milhões para tentar salvar o Digimais.

A injeção de dinheiro faz parte de um plano de reestruturação do banco que pertence a Edir Macedo para atrair um comprador. O plano, no entanto, ainda não surtiu efeito.

Como mostrou a coluna, a situação do Digimais não é boa há um bom tempo. Relatórios de 2024 e 2025 apontaram alta inadimplência após a pandemia, o que corroeu o patrimônio e exigiu aportes recorrentes para evitar quebra técnica.

Em 2025, o Digimais passou por reestruturações sob supervisão do BC, incluindo negociações de venda devido a desafios operacionais. Ao longo do ano, o investidor Mauricio Quadrado, ex-sócio do Banco Master, chegou a anunciar que tinha fechado a compra com o líder religioso. O negócio, no entanto, não avançou.

Outro empresário que manifestou interesse, e cuja proposta foi apresentada ao Banco Central, é Tércio Borlenghi Jr., fundador e controlador da Ambipar. O negócio azedou pouco antes do colapso da multinacional brasileira, que apresentou pedido de recuperação judicial em outubro de 2025.

A Ambipar é alvo de um processo envolvendo o dono do Master, Daniel Vorcaro. A investigação, que tramita na Comissão de Valores Imobiliários (CVM), apura a possível atuação em conjunto de Vorcaro e outros investidores para inflar o patrimônio da Ambipar.

O NuBank também chegou a negociar com Edir Macedo, mas desistiu da transação. Assim, a saída, proposta pelo BC, de venda da instituição naufragou. Desde então, o Digimais vaga como um zumbi pelo sistema financeiro, sem condições de se reestruturar sozinho e sem interessados em embarcar no negócio.

Calote de R$ 500 milhões

No início de fevereiro, a coluna mostrou que uma nova ação judicial ameaça o já combalido caixa do Digimais. Sócio da instituição financeira, o empresário Roberto Campos Marinho Filho afirma que teve um prejuízo de quase R$ 500 milhões ao aceitar papéis da Fictor, da Reag e do Banco Master como lastro da participação do Digimais em um fundo de investimento, o EXP 1.

Os papéis foram utilizados pelo Digimais para comprar 80% do fundo de investimento. Os outros 20% ficaram com Marinho, dono da Yards Capital, que gere o fundo. O valor da carteira, no entanto, despencou com o avanço de investigações sobre supostas fraudes envolvendo tanto o Master quanto a Reag e a Fictor.

A Yards notificou o Digimais judicialmente para que o banco de Edir Macedo comprasse a carteira de R$ 462,2 milhões, aportada pelo banco no fundo. A maior parte dos papéis seriam do Master e da Reag, chegando a R$ 316,6 milhões. Os demais títulos seriam da Fictor, somando R$ 145,6 bilhões.

A Reag foi alvo das duas últimas grandes operações policiais que miraram a Faria Lima. A gestora de fundos é investigada por suposto envolvimento em manobras para esconder dinheiro do crime organizado, na operação Carbono Oculto, e por usar a mesma rede de fundos para movimentações suspeitas do Banco Master, na operação Compliance Zero. Diante de tantas suspeitas, a Reag foi liquidada pelo Banco Central no dia 15 de dezembro.

Já a Fictor foi alçada aos holofotes após anunciar que compraria o Banco Master por R$ 3 bilhões em novembro de 2025. Um dia depois, o Master foi liquidado, e os principais executivos do banco, presos. Em janeiro deste ano, a Fictor apresentou pedido de recuperação judicial alegando que as notícias envolvendo o Master levaram os investidores a pedirem resgates, o que teria esvaziado o caixa e provocado uma crise de liquidez.

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