“Brasil foi um dos países menos afetados pela guerra”, diz Durigan
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, participou nesta manhã do lançamento do 5º Leilão do Eco Invest Brasil, em São Paulo
atualizado
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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou, nesta segunda-feira (25/5), que o Brasil foi um dos países menos afetados pela guerra entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio, que atingiu severamente os preços internacionais do petróleo e trouxe forte instabilidade aos mercados globais.
O chefe da equipe econômica participou nesta manhã do lançamento do 5º Leilão do Eco Invest Brasil, em São Paulo. O programa é voltado ao fortalecimento da inovação tecnológica e ao desenvolvimento de cadeias estratégicas para a competitividade do país. Para Durigan, o leilão “vai ajudar o Brasil a ter mais resiliência”.
Segundo informações do Ministério da Fazenda, a nova rodada criará três mecanismos financeiros complementares com o objetivo de “aproximar empresas, universidades, centros de pesquisa, startups e investidores, com foco em acelerar tecnologias ligadas à transformação ecológica e ao desenvolvimento industrial do país”.
Com isso, diz a pasta, o Eco Invest Brasil passará a apoiar toda a jornada tecnológica – desde a pesquisa inicial nas universidades até o escalonamento intermediário e a expansão de empresas inovadoras.
O que disse o ministro da Fazenda
“O Estado vai dar o pontapé inicial, mas também traz visão estratégica. Estamos olhando, no quinto leilão, para combustíveis verdes, novos biofertilizantes estimuladores do ambiente produtivo, minerais críticos, baterias e bioeconomia”, afirmou Durigan.
“Começamos a desenhar o quinto leilão um pouco antes de a guerra explodir”, relatou o ministro da Fazenda. “Mas a guerra tem nos pedido isso. Todos os países do Primeiro Mundo estão comprometidos em como melhorar suas economias para gerar resiliência. O mundo está em busca de resiliência.”
Para Durigan, “o que nós estamos fazendo no Brasil é aumentar a resiliência, com o Estado apontando quais os nossos gargalos e usando o que de melhor existe na iniciativa privada”.
“Estamos passando por uma série de questões ligadas a combustíveis. Em comparação com o mundo, o Brasil foi um dos países menos afetados pela guerra entre EUA e Irã”, disse o ministro. “O leilão vai ajudar o país a ter mais resiliência. Deve ser uma síntese do que a gente espera da economia para o futuro.”
O leilão
Nesta rodada, de acordo com o governo federal, o Tesouro Nacional aportará até R$ 2,5 bilhões, dos quais R$ 1,5 bilhão serão destinados a cada fundo de inovação – que, a partir de uma alavancagem mínima de duas vezes, poderá chegar a até R$ 4,5 bilhões e até R$ 1 bilhão para a linha de crédito corporativo.
“Não existe competitividade sem inovação e não existe inovação em escala sem conexão entre ciência, capital e setor produtivo. O que estamos estruturando é um modelo capaz de transformar demanda industrial em tecnologia, em produto real’, disse Durigan.
“Hoje, por exemplo, o Brasil importa 80% dos fertilizantes que consome. Com esses instrumentos, vamos desenvolver uma tecnologia nacional avançada, com montantes que elevem o patamar de investimento nesses setores. O Brasil passa a não apenas consumir, mas criar, exportar e liderar”, prosseguiu o ministro.
Segundo o Ministério da Fazenda, cada instituição financeira disputará uma das cadeias estratégicas do leilão com base na capacidade de mobilização de capital privado. As vencedoras serão responsáveis pela estruturação dos Fundos de Inovação Eco Invest e demais mecanismos financeiros. Quem aportar no fundo poderá usar a estratégia de dívida conversível – que é um mecanismo que combina retorno financeiro com participação no potencial de crescimento das empresas investidas.
As linhas de crédito vão seguir o modelo dos leilões anteriores, por meio do qual os bancos concedem financiamento direto às empresas prontas para escalar produção. Como contrapartida, as investidas deverão contratar projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D&I) conectados às demandas das cadeias elegíveis.
O Eco Invest Brasil conta com apoio técnico e financeiro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A iniciativa inclui um empréstimo de US$ 1 bilhão, além de mecanismos para gestão de risco cambial e apoio à preparação de projetos para ampliar a mobilização de capital privado em setores estratégicos.
“O Eco Invest mostra como instrumentos financeiros inovadores podem mobilizar capital privado em escala para apoiar a inovação e a competitividade. O BID apoia essa iniciativa desde sua concepção e vê nesta experiência um modelo relevante para outros países da região e do mundo”, afirmou o presidente do BID, Ilan Goldfajn.
Resultados do 4º Leilão
Além do anúncio do novo leilão, o governo federal também apresentou os resultados do 4º Leilão do Eco Invest Brasil – voltado à bioeconomia, ao turismo sustentável e à infraestrutura habilitante na Amazônia Legal. A rodada recebeu propostas de oito instituições financeiras e teve demanda superior a R$ 7 bilhões em recursos catalíticos, com potencial para mobilizar mais de R$ 29 bilhões em investimentos.
Ao todo, foram homologados R$ 3,1 bilhões em capital catalítico na linha principal, a partir dos lances do ABC Brasil, Banco do Brasil, Bradesco e BTG Pactual. O montante deve viabilizar cerca de R$ 13,2 bilhões em investimentos totais, incluindo R$ 7,2 bilhões com captação internacional.
O eixo de infraestrutura ficou com o maior volume de recursos, com mais de R$ 7,8 bilhões destinados à Amazônia Legal. A bioeconomia, por sua vez, mobilizou R$ 4,4 bilhões em investimentos ligados à bioindustrialização, sociobioeconomia e restauração produtiva.
O programa
Iniciativa do Ministério da Fazenda liderada pelo Tesouro Nacional, o Eco Invest Brasil integra o Novo Brasil – Plano de Transformação Ecológica e tem como objetivo mobilizar capital privado nacional e internacional para projetos com impacto econômico, social e ambiental. O programa combina instrumentos financeiros inovadores, redução de riscos e atração de investimentos de longo prazo para impulsionar a transição ecológica brasileira.
Com os quatro leilões já realizados até aqui, o Eco Invest Brasil já registrou mais de R$ 140 bilhões mobilizados e reúne 13 instituições financeiras credenciadas.