Bolsas de Europa e EUA caem com impasse na guerra e sabatina de Warsh
As atenções dos investidores se dividiram entre os desdobramentos da guerra entre EUA e Irã e a sabatina com o indicado à presidência do Fed
atualizado
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Os principais índices das bolsas de valores da Europa fecharam em baixa, nesta terça-feira (21/4), na véspera do prazo dado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o Irã aceite os termos de um acordo de paz com os norte-americanos.
Em Nova York, as principais bolsas dos EUA operavam em leve queda nesta tarde, em meio às incertezas em relação ao desfecho da guerra no Oriente Médio.
Ainda nesta terça, os investidores também acompanham a sabatina do indicado por Trump à presidência do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), Kevin Warsh, no Congresso norte-americano.
Europa fecha no vermelho
- O índice Stoxx 600, que reúne ações de 600 empresas europeias listadas em bolsas, fechou em baixa de 0,87%, aos 616 pontos.
- Na Bolsa de Frankfurt, o índice DAX terminou o dia com perdas de 0,6%, aos 24,2 mil pontos.
- Em Londres, o FTSE 100 encerrou o pregão recuando 1,05%, aos 10,4 mil pontos.
- O CAC 40, da Bolsa de Paris, fechou o dia em queda de 1,14%, aos 8,2 mil pontos.
- O Ibex 35, de Madri, também encerrou a sessão no vermelho, caindo 0,53%, aos 18,1 mil pontos.
Wall Street opera em queda
- Em Nova York, os principais índices das bolsas de valores dos EUA operavam com leves perdas na tarde desta terça-feira.
- Por volta das 13h25 (pelo horário de Brasília), o índice Dow Jones recuava 0,19%, aos 49,3 mil pontos.
- No mesmo horário, o S&P 500 cedia 0,28%, aos 7 mil pontos.
- O Nasdaq Composto, que reúne as ações de empresas do setor de tecnologia, recuava 0,21%, aos 24,3 mil pontos.
Impasse nas negociações entre Trump e Irã
Às vésperas do fim do cessar-fogo entre EUA e Irã, previsto para quarta-feira (22/4), o presidente norte-americano, Donald Trump, elevou o tom ao admitir a possibilidade de retomada imediata dos combates. Questionado sobre o cenário caso não haja acordo, ele foi direto: “Se não houver acordo, certamente esperaria que sim”.
A declaração ocorre em meio a uma nova tentativa de reabrir negociações diplomáticas entre Washington e Teerã, mediadas pelo Paquistão. Apesar do anúncio de envio de uma delegação norte-americana, o Irã indicou que não há, até o momento, planos concretos para uma nova rodada de diálogo.
De acordo com o republicano, o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, já embarcou para Islamabad, em busca de um acordo de paz concreto entre os países.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Ghalibaf, chegou a acusar Trump de tentar transformar as negociações em uma “rendição” ou justificar a retomada do conflito. Ele afirmou ainda que o Irã não negocia sob ameaças e está preparado para intensificar ações no campo de batalha.
Sinais contraditórios deixam mercado aflito
O último fim de semana rendeu desdobramentos significativos para o conflito que perdura no Golfo Pérsico. No domingo (19/4), Trump afirmou que enviaria negociadores para Islamabad com uma proposta de acordo que classificou como “justa e razoável”, após acusar o Irã de violar o cessar-fogo em vigor. Ao mesmo tempo, ameaçou o Irã com ataques à infraestrutura do país caso Teerã rejeitasse os termos.
Horas depois, o governo iraniano reagiu com ceticismo. Segundo a agência estatal iraniana Irna, autoridades consideram que os EUA têm apresentado “exigências excessivas” e mantido uma postura contraditória, o que inviabiliza avanços.
Já nessa segunda-feira (20/4), o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei, reforçou que não há decisão sobre uma nova rodada de negociações. Ele acusou Washington de adotar ações que “não demonstram seriedade” com a via diplomática.
Trump está “desesperado”, diz Irã
O comandante do quartel-general do Irã disse que Trump está “desesperado” por um cessar-fogo. A declaração foi publicada pela agência semi-estatal Fars pelo Telegram.
Segundo o comandante, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã levou Israel e os EUA “ao desespero e à exaustão, forçando-os a solicitar desesperadamente um cessar-fogo”.
De acordo com o comandante do Quartel-General Central de Khatam al-Anibiya, as forças armadas iranianas estão prontas para dar uma “resposta imediata e decisiva” a qualquer nova ação hostil por parte de seus adversários.
Conforme a agência de notícias Tasnim, o militar afirmou que Teerã tem vantagem na gestão do Estreito do Ormuz e não permitirá que Trump “crie narrativas falsas sobre a situação no terreno“.
Embora o Irã tenha aberto brevemente o Estreito de Ormuz na sexta-feira (17/4), a passagem marítima foi novamente fechada, para países “hostis” no sábado (18/4), porque os EUA não suspenderam seu bloqueio.
Ormuz é o canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.
Trump diz que ficará “desapontado” se juros não baixarem
No dia em que o Congresso dos EUA realiza a sabatina com o indicado para assumir o comando do Fed, Kevin Warsh, o presidente norte-americano, Donald Trump, já colocou pressão sobre o futuro chefe da autoridade monetária.
Em entrevista concedida à CNBC, o republicano afirmou que ficará “muito desapontado” com Warsh caso o Fed não promova rapidamente um corte expressivo na taxa básica de juros da economia norte-americana.
“Eu vou ficar muito desapontado se o novo presidente do Fed não reduzir as taxas de juros”, disse Trump, referindo-se a Warsh – indicado por ele à presidência do BC dos EUA.
Na entrevista, Trump voltou a criticar o atual presidente do Fed, Jerome Powell, que se tornou um de seus principais alvos neste segundo mandato à frente da Casa Branca. O mandato de Powell no comando do BC dos EUA termina em maio.
Segundo Trump, Powell é “incompetente” e tem sido “atrasado demais” na condução da política monetária. Na última reunião do Fed, em março, os juros foram mantidos no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado.
A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.
O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros está marcado para os dias 28 e 29 de abril. Neste momento, praticamente a totalidade do mercado aposta na manutenção dos juros no patamar atual. Segundo a plataforma FedWatch, 99,5% acreditam que não haverá alterações na taxa, enquanto 0,5% esperam uma alta de 0,25 ponto percentual. O corte é descartado.
Na semana passada, em outra entrevista, Trump já havia atacado Powell e ameaçou demiti-lo do Fed.
