Na véspera do fim do prazo dado por Trump, preços do petróleo oscilam

Mercado segue em compasso de espera em relação à escalada nas tensões entre norte-americanos e iranianos. Cotação do petróleo tem oscilação

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Uma lancha da polícia patrulha o porto enquanto petroleiros e embarcações de alta velocidade permanecem ancorados na área de ancoragem de Mascate, perto do Estreito de Ormuz - Metrópoles
1 de 1 Uma lancha da polícia patrulha o porto enquanto petroleiros e embarcações de alta velocidade permanecem ancorados na área de ancoragem de Mascate, perto do Estreito de Ormuz - Metrópoles - Foto: Elke Scholiers/Getty Image

Em meio às incertezas sobre o desenrolar das negociações entre Estados Unidos e Irã para acabar com o conflito no Oriente Médio, os preços internacionais do petróleo registravam forte oscilação na manhã desta terça-feira (21/4).

O mercado segue em compasso de espera em relação à escalada nas tensões entre norte-americanos e iranianos. Com o fim do prazo dado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e a ameaça de que os combates sejam retomados, os investidores estão divididos entre os mais otimistas e aqueles que não acreditam em um acordo de paz neste momento.


O que aconteceu

  • Por volta das 9h15 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para maio do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) avançava 0,13% e era negociado abaixo de US$ 90 (US$ 87,53), praticamente estável.
  • No mesmo horário, o contrato futuro para junho do petróleo do tipo brent (referência para o mercado internacional) recuava 0,16%, a US$ 95,33, também operando perto da estabilidade.
  • No dia anterior, os preços fecharam em alta. O barril de petróleo WTI subiu 5,85%, a US$ 87,42, enquanto o brent avançou 5,64%, a US$ 95,48.

Negociações entre EUA e Irã seguem incertas

Às vésperas do fim do cessar-fogo entre EUA e Irã, previsto para quarta-feira (22/4), o presidente norte-americano, Donald Trump, elevou o tom ao admitir a possibilidade de retomada imediata dos combates. Questionado sobre o cenário caso não haja acordo, ele foi direto: “Se não houver acordo, certamente esperaria que sim”.

A declaração ocorre em meio a uma nova tentativa de reabrir negociações diplomáticas entre Washington e Teerã, mediadas pelo Paquistão. Apesar do anúncio de envio de uma delegação norte-americana, o Irã indicou que não há, até o momento, planos concretos para uma nova rodada de diálogo.

De acordo com o republicano, o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, já embarcou para Islamabad, em busca de um acordo de paz concreto entre os países.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Ghalibaf, chegou a acusar Trump de tentar transformar as negociações em uma “rendição” ou justificar a retomada do conflito. Ele afirmou ainda que o Irã não negocia sob ameaças e está preparado para intensificar ações no campo de batalha.

Impasse diplomático e sinais contraditórios

O último fim de semana rendeu desdobramentos significativos para o conflito que perdura no Golfo Pérsico. No domingo (19/4), Trump afirmou que enviaria negociadores para Islamabad com uma proposta de acordo que classificou como “justa e razoável”, após acusar o Irã de violar o cessar-fogo em vigor. Ao mesmo tempo, ameaçou o Irã com ataques à infraestrutura do país caso Teerã rejeitasse os termos.

Horas depois, o governo iraniano reagiu com ceticismo. Segundo a agência estatal iraniana Irna, autoridades consideram que os EUA têm apresentado “exigências excessivas” e mantido uma postura contraditória, o que inviabiliza avanços.

Já nessa segunda-feira (20/4), o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei, reforçou que não há decisão sobre uma nova rodada de negociações. Ele acusou Washington de adotar ações que “não demonstram seriedade” com a via diplomática.

Trump está “desesperado”, diz Irã

O comandante do quartel-general do Irã disse que Trump está “desesperado” por um cessar-fogo. A declaração foi publicada pela agência semi-estatal Fars pelo Telegram.

Segundo o comandante, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã levou Israel e os EUA “ao desespero e à exaustão, forçando-os a solicitar desesperadamente um cessar-fogo”.

De acordo com o comandante do Quartel-General Central de Khatam al-Anibiya, as forças armadas iranianas estão prontas para dar uma “resposta imediata e decisiva” a qualquer nova ação hostil por parte de seus adversários.

Conforme a agência de notícias Tasnim, o militar afirmou que Teerã tem vantagem na gestão do Estreito do Ormuz e não permitirá que Trump “crie narrativas falsas sobre a situação no terreno“.

Embora o Irã tenha aberto brevemente o Estreito de Ormuz na sexta-feira (17/4), a passagem marítima foi novamente fechada, para países “hostis” no sábado (18/4), porque os EUA não suspenderam seu bloqueio.

Ormuz é o canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.

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