Sob ameaças de Trump, negociações entre EUA e Irã seguem incertas

Com cessar-fogo perto do fim, farpas de Donald Trump e impasse diplomático colocam em dúvida acordo entre Estados Unidos e Irã

atualizado

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Arte Carla Sena/Metrópoles sobre fotos Getty Images
Donald Trump e a bandeira do Irã
1 de 1 Donald Trump e a bandeira do Irã - Foto: Arte Carla Sena/Metrópoles sobre fotos Getty Images

Às vésperas do fim do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, previsto para quarta-feira (22/4), o presidente norte-americano, Donald Trump, elevou o tom ao admitir a possibilidade de retomada imediata dos combates. Questionado sobre o cenário caso não haja acordo, foi direto: “Se não houver acordo, certamente esperaria que sim”.

A declaração ocorre em meio a uma nova tentativa — ainda incerta — de reabrir negociações diplomáticas entre Washington e Teerã, mediadas pelo Paquistão.

Apesar do anúncio de envio de uma delegação norte-americana, o Irã indicou que não há, até o momento, planos concretos para uma nova rodada de diálogo.

De acordo com o republicano, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, já embarcou para Islamabad, em busca de um acordo de paz concreto entre os países.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Ghalibaf, chegou a acusar Trump de tentar transformar as negociações em uma “rendição” ou justificar a retomada do conflito. Ele afirmou ainda que o Irã não negocia sob ameaças e está preparado para intensificar ações no campo de batalha.

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Donald Trump
JD Vance discursa durante uma coletiva de imprensa após reunião com representantes do Paquistão e do Irã
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi
Trump diz que prorrogação do cessar-fogo com Irã é "improvável"
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Trump diz que prorrogação do cessar-fogo com Irã é "improvável"

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Donald Trump
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Donald Trump

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JD Vance discursa durante uma coletiva de imprensa após reunião com representantes do Paquistão e do Irã
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JD Vance discursa durante uma coletiva de imprensa após reunião com representantes do Paquistão e do Irã

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O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi
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O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi

Ahmet Serdar Eser/Anadolu via Getty Images)

Impasse diplomático e sinais contraditórios

O último final de semana rendeu desdobramentos significativos para o conflito que perdura no Golfo Pérsico. No domingo (19/4), Trump afirmou que enviaria negociadores para Islamabad com uma proposta de acordo que classificou como “justa e razoável”, após acusar o Irã de violar o cessar-fogo em vigor.

Ao mesmo tempo, ameaçou o Irã com ataques à infraestrutura do país caso Teerã rejeite os termos.

Horas depois, o governo iraniano reagiu com ceticismo. Segundo a agência estatal iraniana Irna, autoridades consideram que os EUA têm apresentado “exigências excessivas” e mantido uma postura contraditória, o que inviabiliza avanços.

Já nessa segunda-feira (20/4), o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei, reforçou que não há decisão sobre uma nova rodada de negociações. Ele acusou Washington de adotar ações que “não demonstram seriedade” com a via diplomática.


Negociações travadas


Escalada no Estreito de Ormuz

O impasse ocorre em paralelo a uma crescente tensão no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

Nos últimos dias, o Irã alternou entre restringir e reabrir a passagem, em resposta ao bloqueio naval imposto pelos EUA. No sábado (18/4), forças iranianas dispararam contra petroleiros que cruzavam a região, elevando o risco de confrontos diretos.

Trump classificou as ações como “chantagem” e acusou o Irã de violar o cessar-fogo. Já Teerã sustenta que o próprio bloqueio americano representa uma quebra da trégua.

A tensão se agravou ainda mais após a interceptação de um navio iraniano no Golfo de Omã. Segundo Trump, a embarcação foi detida após desobedecer ordens de parada da Marinha dos EUA.

O Irã reagiu imediatamente, classificando a ação como “pirataria” e prometendo resposta. Autoridades militares iranianas afirmam que o episódio constitui uma violação direta do cessar-fogo.

Impacto global e mercado de energia

A escalada segue refletindo nos mercados internacionais. Após os incidentes no fim de semana, o preço do petróleo disparou, com o barril do tipo Brent registrando alta significativa de mais de 5%, enquanto o gás natural também subiu no mercado europeu.

Nessa segunda-feira, o barril de Brent terminou o dia negociado a US$ 95,48.

O controle do Estreito de Ormuz é considerado crucial para a estabilidade energética global, e qualquer interrupção na rota tem potencial de afetar cadeias de abastecimento em escala mundial.

Futuro incerto

O cessar-fogo, anunciado por Donald Trump em 7 de abril, previa uma pausa temporária nos confrontos, mas tem sido marcado por sucessivas acusações de violação e episódios militares.

Nos bastidores, países como o Paquistão tentam manter canais diplomáticos abertos. Ainda assim, a recusa iraniana em confirmar participação em novas negociações e o endurecimento do discurso americano indicam um cenário cada vez mais instável.

Apesar de, nos últimos dias, Trump ter sinalizado otimismo ao afirmar que um acordo estaria próximo, o tom voltou a endurecer com a aproximação do prazo final da trégua.

O republicano também afirmou que um eventual novo pacto nuclear será “muito melhor” que o Plano de Ação Conjunto Global, articulado pelo ex-presidente Barack Obama, e que foi abandonado pelos EUA em 2018.

Do lado iraniano, o presidente Masoud Pezeshkian mantém discurso de desconfiança e alerta para possíveis consequências caso haja nova escalada militar.

Com o prazo se esgotando e sem sinais claros de avanço diplomático, o cenário aponta para um risco real de retomada dos combates, contribuindo para um novo capítulo de instabilidade no Oriente Médio.

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