Após Trump receber Milei, Tesouro dos EUA intervém para comprar pesos
A medida faz parte do plano de apoio financeiro ao governo de Javier Milei, aliado de Donald Trump. Eles se reuniram no início da semana
atualizado
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Três dias depois de uma reunião entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, na Casa Branca, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, anunciou nesta sexta-feira (17/10) uma intervenção nos mercados para comprar pesos.
A medida faz parte do plano de apoio financeiro ao governo de Javier Milei, aliado de Trump. O pacote de ajuda discutido entre os dois líderes no início da semana deve chegar a US$ 20 bilhões.
Segundo Bessent, “o Tesouro dos EUA mantém uma comunicação estreita com a equipe econômica argentina” e novas medidas podem ser anunciadas nos próximos dias.
Entenda
O Ministério das Relações Exteriores da Argentina já havia informado que o principal ponto da agenda entre os dois países neste momento seria a criação de uma “linha de swap” – mecanismo que permite a troca temporária de moedas entre bancos centrais para fornecer liquidez em dólares e estabilizar o câmbio.
Um “swap de blue chips” é uma operação financeira internacional por meio da qual um investidor compra ativos locais em determinado mercado (no caso, o argentino) e os vende no exterior para obter moedas fortes, como o dólar, a uma taxa de câmbio mais vantajosa do que a oficial.
“O Tesouro permanece vigilante em todos os mercados e temos a capacidade de agir com flexibilidade e força para estabilizar a Argentina”, afirmou o secretário do Tesouro dos EUA.
O governo Milei vinha adotando uma série de medidas para conter a volatilidade cambial, sem sucesso. O Banco Central do país realizou leilões extraordinários e endureceu os compulsórios bancários.
Apoio de Trump e crise política
Na reunião com Milei na Casa Branca, Trump deixou claro que os EUA não pouparão esforços para estabilizar a economia argentina e fortalecer o atual governo, que enfrentará uma dura disputa nas eleições legislativas do país, marcadas para o dia 26 de outubro.
“Se ele [Milei] perder, não seremos generosos com a Argentina. Nossos acordos estão sujeitos a quem vencer a eleição. Porque, com um socialista, fazer investimentos é muito diferente”, disse Trump.
Em setembro, nas eleições de Buenos Aires, a Força Nacional, coalizão peronista que faz oposição a Milei, venceu a disputa com cerca de 41%, ante 34% do partido La Libertad Avanza, do atual presidente.
Além da questão econômica, o governo argentino vem sendo pressionado por escândalos políticos. A irmã do presidente, Karina Milei, que é secretária-geral da Presidência, está envolvida em denúncias de corrupção.
Intervenção no câmbio e apoio do Banco Mundial
No mês passado, o Tesouro da Argentina anunciou uma intervenção no mercado de câmbio do país para tentar conter a escalada do dólar frente ao peso. Foi a primeira intervenção cambial feita pelo Banco Central da Argentina desde o início do ano para conter a disparada do dólar frente ao peso.
Também em setembro, o Banco Mundial anunciou um investimento de até US$ 4 bilhões na Argentina para os próximos meses. De acordo com a instituição financeira, o apoio se dará por meio de uma combinação entre financiamentos do setor público e investimentos do setor privado.
Ainda segundo o Banco Mundial, o aporte é um complemento de um apoio de US$ 12 bilhões que já havia sido anunciado em abril deste ano. A iniciativa, diz a instituição, leva em consideração a “forte confiança nos esforços do governo para modernizar a economia, promover reformas estruturais, atrair investimentos privados e gerar empregos.”
Bolsa de Buenos Aires
No pregão desta sexta-feira da Bolsa de Valores de Buenos Aires, o peso argentino era negociado próximo da estabilidade, cotado a 1,43 mil por dólar.
