Ações da Petrobras afundam com queda forte nos preços do petróleo

Afetados pelo recuo nos preços internacionais do petróleo com a trégua na guerra, os papéis da Petrobras operavam no vermelho nesta quarta

atualizado

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Telefone celular com a imagem do logotipo da Petrobras. Ao fundo, painel com o movimento de ações na Bolsa de Valores - Metrópoles
1 de 1 Telefone celular com a imagem do logotipo da Petrobras. Ao fundo, painel com o movimento de ações na Bolsa de Valores - Metrópoles - Foto: Budrul Chukrut/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

As ações da Petrobras negociadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3) registravam grandes perdas no pregão desta quarta-feira (8/4), um dia depois do anúncio do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã no conflito do Oriente Médio.

Afetados pelo recuo nos preços internacionais do petróleo com a trégua na guerra do Oriente Médio, os papéis ordinários e preferenciais da Petrobras operavam no vermelho no fim da manhã, entre as maiores baixas da sessão.


O que aconteceu

  • Por volta das 10h55 (pelo horário de Brasília), as ações ordinárias da Petrobras despencavam 8,48% e eram negociadas a R$ 49,02.
  • No mesmo horário, os papéis preferenciais da companhia tombavam 6,64%, cotados a R$ 45,29.
  • Às 11h10 (de Brasília), o contrato futuro para maio do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) desabava 17,77% e era negociado a US$ 92,88.
  • No mesmo horário, o contrato futuro para junho do petróleo do tipo Brent (referência para o mercado internacional) recuava 15,55%, a US$ 92,28.

Cessar-fogo gera alívio nos mercados

Na noite dessa terça-feira (7/4), o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a suspensão de bombardeios e ataques contra o Irã por um período de duas semanas, após conversas com autoridades do Paquistão.

Segundo Trump, a decisão foi tomada após conversas com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e o chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, que pediram a suspensão das ações militares imediatamente.

O cessar-fogo, classificado pelo presidente dos EUA como bilateral, está condicionado à reabertura “completa, imediata e segura” do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo.

“Concordo em suspender os bombardeios e ataques ao Irã por um período de duas semanas. Este será um cessar-fogo bilateral”, afirmou Trump, acrescentando que os Estados Unidos já teriam atingido os objetivos militares e que um acordo definitivo estaria próximo.

O Estreito de Ormuz é canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.

De acordo com o republicano, Washington recebeu uma proposta de dez pontos do Irã, considerada uma “base viável” para um acordo mais amplo. “Recebemos uma proposta de 10 pontos do Irã e acreditamos que ela constitui uma base viável para a negociação”, escreveu o presidente dos EUA.

O Irã afirmou, por sua vez, por meio do Conselho Supremo de Segurança Nacional, que os EUA sofreram uma “derrota inegável, histórica e esmagadora” no contexto do conflito recente entre os dois países e aliados no Oriente Médio.

A declaração, divulgada em tom celebratório e ideológico, sustenta que Teerã teria alcançado vantagem estratégica após semanas de confrontos, além de consolidar apoio interno e entre grupos alinhados ao chamado “eixo da resistência”.

O comunicado também afirmou que ações militares e diplomáticas combinadas teriam forçado Washington a considerar um cessar-fogo e negociações em termos favoráveis ao Irã.

No comunicado, o Irã reforça que qualquer avanço rumo ao cessar-fogo depende da interrupção total dos ataques contra seu território. Segundo o texto, as forças iranianas suspenderiam operações “defensivas” caso houvesse cessação das ofensivas externas, sinalizando uma abertura condicionada à trégua.

“Eles sonhavam em dividir o querido Irã, saquear seu petróleo e riquezas e, por fim, mergulhar e abandonar os iranianos em meio ao caos, à instabilidade e à insegurança por muitos anos”, diz a nota.

O acordo de cessar-fogo temporário inclui também o Líbano, que acabou sendo alvo de ataques durante o conflito. A informação foi dada pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que mediou as negociações.

Em comunicado nas redes sociais, o premiê declarou que as partes concordaram com uma trégua imediata “em todos os lugares”, incluindo o território libanês e outras frentes do conflito. A medida ocorre em meio à escalada regional que envolve também aliados e grupos armados na região.

“Com a maior humildade, tenho o prazer de anunciar que a República Islâmica do Irã e os Estados Unidos da América, juntamente com seus aliados, concordaram com um cessar-fogo imediato em todos os lugares, incluindo o Líbano e outros, com efeito imediato”, escreveu.

Sharif celebrou o entendimento e agradeceu às lideranças de ambos os países, destacando o que chamou de postura “sábia” e construtiva para avançar rumo à paz.

Nas redes sociais, Trump disse que o país poderá ajudar o Irã a lidar com o aumento do tráfego no Estreito de Ormuz após o acordo de cessar-fogo. Em publicação na madrugada desta quarta, o líder norte-americano falou em um “grande dia para a paz mundial” e afirmou que ficará “por perto” para garantir que tudo corra bem.

Na sequência, Trump disse que o Irã poderá iniciar sua reconstrução. “Estaremos carregando suprimentos de todos os tipos e apenas “ficando por perto” para garantir que tudo corra bem. Estou confiante de que correrá. Assim como estamos vivenciando nos EUA, esta pode ser a Era de Ouro do Oriente Médio”, destacou.

Ataques continuam em algumas regiões

Apesar do cessar-fogo de duas semanas anunciado por EUA e Irã, ataques no Oriente Médio continuaram a ser registrados na madrugada desta quarta-feira. O acordo não especificou que horas os ataques deveriam ser suspensos e, com isso, países do Golfo continuaram a relatar a interceptação de mísseis iranianos.

Em Israel, três garotos sofreram ferimentos leves devido a uma munição de fragmentação iraniana que atingiu a cidade de Tel Sheva, no sul do país. Por outro lado, um porta-voz militar israelense disse à CNN que Israel continua realizando ataques aéreos no Irã. O Líbano também continua a ser bombardeado por Israel. Um ataque aéreo israelense, inclusive, atingiu uma ambulância na cidade de Qlaileh, perto da cidade costeira de Tiro.

No início da madrugada, contudo, Israel publicou um comunicado em que diz concordar em parar os ataques. No entanto, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que o acordo não se estende ao Líbano.

“Israel apoia a decisão do presidente Trump de suspender os ataques contra o Irã por duas semanas, condicionada à abertura imediata do Estreito de Ormuz pelo Irã e à cessação de todos os ataques contra os EUA, Israel e países da região”, disse em comunicado. “O cessar-fogo de duas semanas não inclui o Líbano”, acrescentou.

Análise

Segundo Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, o acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã motiva busca “por ativos de risco após semanas de volatilidade intensa e aliviando a taxa de câmbio com a desmontagem de parte das posições de proteção do mercado”.

“A queda do petróleo afasta parte do temor de inflação persistente, aliviando os juros futuros. O preço do ouro também apresenta retomada, com o aumento da atratividade relativa na comparação com ‘treasuries’, e a expectativa de retorno do fluxo advindo de bancos centrais (menos pressionados pelo fluxo interrompido de petróleo)”, explica.

“Importante notar que o cessar-fogo não necessariamente significa o fim das incertezas, e o tom dos líderes políticos envolvidos no conflito continua indicando tensões significativas. Aproveitar oportunidades não significa descuidar da parcela de proteção do portfólio e a diversificação de classes, teses, moedas e geografias permanece fundamental”, completa Zogbi.

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