Ação da Vale tomba após prejuízo, mas mercado não se apavora. Entenda
Apesar do prejuízo bilionário e da queda das ações da Vale, o mercado financeiro, de forma geral, avaliou que não há motivo para preocupação
atualizado
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As ações da Vale, uma das duas empresas com maior peso sobre a Bolsa de Valores do Brasil (B3), encerraram o último pregão da semana, nessa sexta-feira (13/2), em queda firme, após a divulgação do balanço financeiro da companhia referente ao quarto trimestre de 2025.
A Vale registrou um prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões no período entre outubro e dezembro do ano passado – ante um lucro líquido de US$ 2,685 bilhões do terceiro trimestre de 2025.
No quarto trimestre de 2024, a empresa havia registrado um prejuízo de US$ 694 milhões. Ou seja, o resultado negativo da Vale aumentou quase cinco vezes (quase 454%) em um ano. No acumulado de 2025, o lucro da companhia foi de US$ 13,8 bilhões.
Ações em queda
- Os papéis da Vale negociados na B3 tiveram um dia de fortes perdas na sexta-feira e fecharam o pregão em queda de 2,47%, cotados a R$ 87,03.
- Mais cedo, por volta das 11h50 (pelo horário de Brasília), as ações da Vale chegaram a recuar 3,1%, a R$ 86,46.
- O Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações negociadas na B3, encerrou o pregão em baixa de 0,69%, aos 186.464,30 pontos.
Mercado vê pontos positivos
Apesar do prejuízo bilionário e da queda das ações após o anúncio dos resultados, o mercado financeiro, de forma geral, avaliou que não há grandes motivos para preocupação envolvendo a Vale.
O banco norte-americano JPMorgan, uma das maiores instituições financeiras do mundo, reforçou sua recomendação de compra para a ação da Vale, com preço-alvo de R$ 97, cerca de 11% acima do nível atual.
Segundo a maioria dos analistas, a desvalorização dos papéis da mineradora na última sessão foi um movimento “pontual”, resultado da própria alta das ações da Vale nos últimos dias. Na quarta-feira (11/2), por exemplo, o papel bateu o pico histórico de R$ 90.
O recuo de sexta-feira também é explicado pela queda dos preços do minério de ferro, que baixaram 2% na China.
Outro ponto positivo, sob a ótica do mercado, foram os dados do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que vieram acima do esperado, além do bom desempenho em vendas de minério de ferro e cobre.
O Ebitda ajustado da Vale ficou em US$ 4,6 bilhões no último trimestre do ano passado, ante US$ 3,8 bilhões do mesmo período de 2024. Segundo as estimativas do Itaú BBA, o desempenho da companhia, nesse quesito, foi 6% acima das expectativas.
Além disso, o resultado operacional da Vale também foi classificado como consistente pelo mercado. Um dos reflexos positivos, no balanço, foi a receita líquida da empresa, que somou US$ 11,1 bilhões no quarto trimestre de 2025, com crescimento anual de 9%.
Em entrevista coletiva após a divulgação dos resultados, o vice-presidente de Finanças e RI da Vale, Marcelo Bacci, disse: “Nós não estamos preocupados com o curtíssimo prazo do preço da ação”.
Segundo ele, houve uma recuperação do preço da ação da Vale nos últimos 12 meses, o que se traduz em uma perspectiva mais positiva do mercado em relação ao futuro da companhia.
Outros números
Segundo o balanço divulgado pela Vale, o Ebtida ficou em US$ 4,5 bilhões. A receita líquida da mineradora, por sua vez, somou US$ 11 bilhões, o que correspondeu a um crescimento anual de 9% e de 6% em relação ao trimestre anterior.
A dívida líquida expandida da Vale foi de US$ 15,5 bilhões no quarto trimestre, o que significou uma redução de 5% na comparação com o mesmo período de 2024.
De acordo com a empresa, os resultados do último trimestre do ano foram impactados por “impairments” de US$ 3,5 bilhões nos ativos de níquel da Vale Base Metals, no Canadá.
“Impairment” é um procedimento contábil que verifica se o valor contábil de um ativo excede seu valor de recuperação, garantindo que bens não sejam superavaliados no balanço. Ele é feito quando o valor de mercado ou uso de um ativo cai abaixo do registrado, exigindo um ajuste de redução.
Nesse caso, segundo a Vale, o “impairment” ocorreu diante de uma revisão dos preços de longo prazo do níquel, além de uma baixa de US$ 2,8 bilhões em imposto diferido de subsidiárias. O imposto diferido é o valor de Imposto de Renda que uma empresa reconhece contabilmente no presente, mas que será pago ou recuperado em exercícios futuros.
A Vale informou ainda que o resultado operacional refletiu provisões adicionais relacionadas à Samarco (mineradora controlada por uma joint-venture entre a Vale e a australiana BHP) e ganhos menores com ativos não recorrentes. “Joint venture” é um modelo de colaboração empresarial que consiste na união de duas ou mais empresas com o objetivo de executar um projeto.
“Em 2025, a Vale entregou um desempenho excepcional, atingindo ou superando todos os guidances enquanto avançou em prioridades estratégicas que reforçam nossa ambição de longo prazo”, afirmou o CEO da empresa, Gustavo Pimenta, em comunicado.
“A companhia fortaleceu seu compromisso com a segurança, com reduções significativas em incidentes de alto potencial, além de alcançar um marco importante em nossa jornada de segurança, sem nenhuma barragem em nível 3 de emergência”, completou.
“Em nossas operações, atingimos os maiores níveis de produção de minério de ferro e cobre desde 2018 e entregamos crescimento de dois dígitos na produção de níquel. Esse forte desempenho operacional foi suportado pela maior confiabilidade dos ativos e pelo bem-sucedido ramp-up de projetos-chave de crescimento, como Capanema, Vargem Grande, VBME e Onça Puma”, disse Pimenta.
