Vale fecha 4º trimestre com prejuízo bilionário
A Vale teve prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões no período entre outubro e dezembro do ano passado, mas analistas viram resultado positivo
atualizado
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A Vale, uma das duas companhias com maior peso sobre o mercado de ações da Bolsa de Valores do Brasil (B3), encerrou o quarto trimestre de 2025 com um prejuízo bilionário, revertendo o resultado positivo do trimestre anterior.
De acordo com o balanço financeiro da mineradora, divulgado na noite dessa quinta-feira (12/2), a Vale registrou um prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões no período entre outubro e dezembro do ano passado – ante um lucro líquido de US$ 2,685 bilhões do terceiro trimestre de 2025.
No quarto trimestre de 2024, a empresa havia registrado um prejuízo de US$ 694 milhões. Ou seja, o resultado negativo da Vale aumentou quase cinco vezes (quase 454%) em um ano.
O desempenho da Vale no último trimestre do ano passado veio bem abaixo da média das estimativas dos analistas do mercado, que era a de um lucro de US$ 2,457 bilhões.
No acumulado de 2025, o lucro da companhia foi de US$ 13,8 bilhões.
Apesar do prejuízo, analistas classificam o resultado da Vale como positivo, especialmente por causa dos dados do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que veio acima do esperado, além do bom desempenho em vendas de minério de ferro e cobre.
Receita e dívida
Segundo o balanço divulgado pela Vale, o Ebtida ficou em US$ 4,5 bilhões. A receita líquida da mineradora, por sua vez, somou US$ 11 bilhões, o que correspondeu a um crescimento anual de 9% e de 6% em relação ao trimestre anterior.
A dívida líquida expandida da Vale foi de US$ 15,5 bilhões no quarto trimestre, o que significou uma redução de 5% na comparação com o mesmo período de 2024.
O que diz a Vale
De acordo com a empresa, os resultados do último trimestre do ano foram impactados por “impairments” de US$ 3,5 bilhões nos ativos de níquel da Vale Base Metals, no Canadá.
“Impairment” é um procedimento contábil que verifica se o valor contábil de um ativo excede seu valor de recuperação, garantindo que bens não sejam superavaliados no balanço. Ele é feito quando o valor de mercado ou uso de um ativo cai abaixo do registrado, exigindo um ajuste de redução.
Nesse caso, segundo a Vale, o “impairment” ocorreu diante de uma revisão dos preços de longo prazo do níquel, além de uma baixa de US$ 2,8 bilhões em imposto diferido de subsidiárias. O imposto diferido é o valor de Imposto de Renda que uma empresa reconhece contabilmente no presente, mas que será pago ou recuperado em exercícios futuros.
A Vale informou ainda que o resultado operacional refletiu provisões adicionais relacionadas à Samarco (mineradora controlada por uma joint-venture entre a Vale e a australiana BHP) e ganhos menores com ativos não recorrentes. “Joint venture” é um modelo de colaboração empresarial que consiste na união de duas ou mais empresas com o objetivo de executar um projeto.
“Em 2025, a Vale entregou um desempenho excepcional, atingindo ou superando todos os guidances enquanto avançou em prioridades estratégicas que reforçam nossa ambição de longo prazo”, afirmou o CEO da empresa, Gustavo Pimenta, em comunicado.
“A companhia fortaleceu seu compromisso com a segurança, com reduções significativas em incidentes de alto potencial, além de alcançar um marco importante em nossa jornada de segurança, sem nenhuma barragem em nível 3 de emergência”, completou.
“Em nossas operações, atingimos os maiores níveis de produção de minério de ferro e cobre desde 2018 e entregamos crescimento de dois dígitos na produção de níquel. Esse forte desempenho operacional foi suportado pela maior confiabilidade dos ativos e pelo bem-sucedido ramp-up de projetos-chave de crescimento, como Capanema, Vargem Grande, VBME e Onça Puma”, disse Pimenta.
