Lucro dos “bancões” bate R$ 107 bilhões em 2025, mas cai puxado por BB

Número do ano passado representa queda de 4,4% em relação ao resultado obtido pelos “bancões” em 2024. Veja como mercado recebeu resultados

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Homem de gravata e roupa social empilhando peças com símbolos de porcentagem
1 de 1 Homem de gravata e roupa social empilhando peças com símbolos de porcentagem - Foto: Marc Hmeena/iStock/Getty Images Plus

Com a divulgação dos resultados do Banco do Brasil, na noite dessa quarta-feira (11/2), chegou ao fim da temporada de balanços financeiros dos quatro principais bancos do país. Na semana passada, Bradesco, Santander e Itaú já haviam anunciado seus números.

Somados, os quatro “bancões” brasileiros, todos listados na Bolsa de Valores (B3), fecharam o ano de 2025 com um lucro líquido combinado de R$ 107,8 bilhões.

O número representa uma queda de 4,4% em relação ao resultado obtido pelos “bancões” em 2024. O desempenho acabou terminando o ano no vermelho por causa dos resultados do Banco do Brasil, cujo lucro líquido ajustado teve uma redução de 45,4% no ano passado, para R$ 20,7 bilhões, ainda sob forte impacto da inadimplência no segmento do agronegócio. Novamente liderados pelo Itaú, os bancos privados, por sua vez, cresceram.


Entenda

  • O lucro líquido combinado é a soma dos lucros líquidos (ou prejuízos) de duas ou mais empresas ou instituições separadas – calculada como se fossem um único grupo econômico, mas sem eliminar as transações entre companhias (vendas e serviços entre elas).
  • Essa métrica é frequentemente utilizada para avaliar o desempenho operacional total conjunto de empresas antes que uma consolidação contábil formal (que remove as operações internas) seja concluída.

Bradesco

Nos últimos três meses do ano passado, o Bradesco registrou um lucro líquido recorrente de R$ 6,5 bilhões. O resultado representou um crescimento de 20,6% em relação ao quarto trimestre de 2024.

De acordo com os dados divulgados pelo Bradesco, o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE, na sigla em inglês) foi de 15,2%, com um aumento de 2,5 ponto percentual na comparação anual. Em relação ao trimestre anterior, a alta foi de 0,5 ponto percentual.

O ROE é um indicador que mede a rentabilidade e eficiência de uma empresa em gerar lucro a partir do capital investido pelos acionistas. Em linhas gerais, ele indica quanto dinheiro a empresa produz para cada real de patrimônio líquido.

A carteira de crédito expandida do Bradesco ficou em R$ 1,089 trilhão no último trimestre do ano passado, com alta de 11% em relação ao mesmo período de 2024.

O Bradesco também informou ao mercado suas projeções para 2026. O banco estima um crescimento que deve variar entre 8,5% a 10,5% na carteira de crédito expandida.

“Nosso ROE superou o custo de capital. É um marco importante que foi superado. E a nossa expectativa é que o lucro continue a aumentar, em cada um dos próximos trimestres, de forma gradual e segura, passo a passo”, afirmou o presidente-executivo do Bradesco, Marcelo Noronha, em comunicado que acompanhou os resultados.

Apesar de o desempenho do Bradesco ter vindo em linha com as projeções do mercado, analistas entenderam que o “guidance” da instituição financeira veio abaixo do esperado.

O “guidance” (ou “orientação”, em tradução livre) é um conjunto de projeções e perspectivas sobre o desempenho futuro (receitas, lucros, investimentos) que empresas de capital aberto divulgam ao mercado.

Em linhas gerais, ele serve para aumentar a transparência e dar aos investidores uma ideia sobre o que esperar da companhia.

Logo após a divulgação do balanço, as ações do banco recuaram na Bolsa.

Santander

O Santander, por sua vez, teve um lucro líquido gerencial de R$ 4,086 bilhões. Foi o melhor resultado trimestral dos últimos quatro anos, com um crescimento de 6% em relação ao quarto trimestre do ano anterior. Já na comparação com o terceiro trimestre de 2025, a alta no lucro do Santander foi de 1,9%.

De acordo com a média das estimativas reunidas pela LSEG, o Santander teria um lucro de R$ 4,033 bilhões. O resultado do último trimestre do ano passado alinha-se, portanto, ao esperado pelos analistas.

Segundo o balanço do Santander, o lucro contábil do banco atingiu R$ 4,023 bilhões, o que representou um aumento de 2% em relação ao terceiro trimestre. Na comparação anual, a alta foi de 7,4%.

A receita total do Santander no período entre outubro e dezembro de 2025 foi de R$ 21,086 bilhões, o que correspondeu a uma redução de 1,9% em relação ao quarto trimestre de 2024. Já na comparação com o terceiro trimestre de 2025, houve crescimento de 1,6%.

O Santander terminou o mês de dezembro de 2025 com uma carteira de crédito ampliada de R$ 708 bilhões, o que representou uma alta de 3,7%.

No período entre outubro e dezembro, houve avanço nos portfólios de cartão de crédito (+13,4%), financiamento ao consumo (+13,0%), imobiliário (+9,6%) e PMEs (+13,0%).

De acordo com a visão predominante entre analistas, apesar dos bons números do Santander no último trimestre do ano passado, a qualidade dos ativos é vista sob desconfiança por parte dos agentes do mercado.

Segundo o JPMorgan, a primeira impressão sobre os resultados do Santander é neutra. “Observamos que o índice de inadimplência de 90 dias foi 30 pontos-base maior em relação ao trimestre anterior, impulsionado principalmente por pequenas e médias empresas, ou PMEs (+80 pontos-base), com indústrias individuais também apresentando piora de 0,4 ponto percentual”, diz o JPMorgan.

Em linhas gerais, a instituição financeira apresenta uma interpretação mista sobre a qualidade dos ativos do Santander, levando em conta, especialmente, características de sazonalidade do quarto trimestre.

“O Santander tem sido muito vocal sobre sua agenda de melhoria de eficiência – em 2025, a empresa reduziu o número de funcionários em cerca de 6 mil e o número de agências em cerca de 580. Em um tom mais negativo, no entanto, outras despesas foram maiores e fizeram com que o índice de eficiência piorasse no 4º trimestre de 2025. No geral, um trimestre fraco, mas em linha com as expectativas e melhor do que o temido”, avalia o JPMorgan.

O Goldman Sachs, por sua vez, afirma que as projeções para as receitas do banco permanecem fracas, com taxas de serviço e margem financeira ainda abaixo do esperado. De acordo com o Citi, o Santander teve um trimestre razoável, com resultados mistos.

Itaú

Mais uma vez liderando a chamada “corrida dos bancões”, o Itaú registrou um lucro recorrente gerencial de R$ 12,3 bilhões no quarto trimestre. O desempenho do banco entre outubro e dezembro do ano passado representou um crescimento de 13,2% em relação ao mesmo período de 2024.

O resultado veio em linha com as estimativas dos analistas do mercado. De acordo com a média das projeções reunidas pela Reuters, o lucro do Itaú ficaria exatamente em R$ 12,3 bilhões.

De acordo com os dados divulgados pelo Itaú, a carteira de crédito registrou uma alta de 6% no ano passado, ficando em R$ 1,49 bilhão, o que correspondeu a um aumento de 6,3% em relação a 2024. As despesas não decorrentes de juros somaram R$ 66,8 bilhões em 2025, alta anual de 7,5%.

Outro dado relevante do balanço do Itaú foi a inadimplência acima de 90 dias, incluindo títulos e valores mobiliários, que ficou estável em 1,9% no quarto trimestre do ano passado. No mesmo período de 2024, havia sido de 2%.

A margem financeira do banco foi de R$ 31,5 bilhões, com crescimento anual de 8,6%. Para 2026, o Itaú projeta um aumento entre 5% e 9% na margem financeira com clientes, enquanto a margem financeira com o mercado é esperada entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5,5 bilhões.

Em comunicado que acompanha o balanço do Itaú, o CEO do banco, Milton Maluhy Filho, comemorou os resultados trimestrais.

“Entregamos resultados consistentes em 2025 com disciplina de risco, solidez e governança robusta. Isso se reflete também no nosso ecossistema de investimentos, no qual administramos, gerimos e custodiamos cerca de R$ 4,1 trilhões em recursos, sustentados por transparência, integridade, suitability e múltiplas camadas de controle”, afirmou o executivo.

Banco do Brasil

Na contramão dos “bancões” privados, o Banco do Brasil registrou uma queda de 45,4% no lucro líquido ajustado em 2025, totalizando R$ 20,7 bilhões. Segundo a instituição, o resultado foi impactado, principalmente, pela adoção de novas regras contábeis e pelo aumento da inadimplência.

No quarto trimestre, de outubro a dezembro, o lucro somou R$ 5,7 bilhões, recuo de 47,2% na comparação com o mesmo período de 2024. Em relação ao terceiro trimestre de 2025, porém, houve alta de 51,7%.

Em janeiro do ano passado, entrou em vigor uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) que alterou a forma de contabilização das instituições financeiras. A norma, aprovada em 2021, mudou o modelo de provisões para perdas, que passou a considerar perdas esperadas com base em estimativas. Com isso, o banco deixou de reconhecer R$ 1 bilhão em receitas de crédito ao longo do ano, o que afetou o resultado.

Para 2026, o Banco do Brasil projeta lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. A expectativa é de crescimento da carteira de crédito entre 0,5% e 4,5%, com alta de 6% a 10% para pessoas físicas, variação entre queda de 2% e alta de 2% no agronegócio e oscilação entre retração de 3% e avanço de 1% para empresas.

O banco também prevê aumento de 2% a 6% nas receitas de serviços, crescimento de 5% a 9% nas despesas administrativas e custo de crédito entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões. A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, afirmou que a instituição espera retomar os níveis de rentabilidade em 2026 e destacou o crescimento do lucro no último trimestre como sinal de recuperação.

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