Mesmo com alta no lucro, ações do Santander caem após balanço. Entenda

Por volta das 10h35 (pelo horário de Brasília), os papéis do Santander registravam perdas de 2,39% e eram negociados a R$ 35,08 na Bolsa

atualizado

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1 de 1 Imagem de fachada de agência do Santander - Metrópoles - Foto: Divulgação/Santander

Apesar de ter registrado alta no lucro obtido no quarto trimestre do ano passado, alcançando seu melhor resultado trimestral em quatro anos, o Santander vê suas ações operarem em queda no pregão desta quarta-feira (4/2) da Bolsa de Valores do Brasil (B3).

Mais cedo, o Santander divulgou seus resultados financeiros referentes ao quarto trimestre de 2025, abrindo a temporada de balanços dos maiores bancos do país, e teve um desempenho que veio dentro do esperado pelo mercado.

O lucro líquido gerencial da instituição financeira no período entre outubro e dezembro de 2025 foi de R$ 4,086 bilhões. Foi o melhor resultado trimestral dos últimos quatro anos, com um crescimento de 6% em relação ao quarto trimestre do ano anterior. Já na comparação com o terceiro trimestre de 2025, a alta no lucro do Santander foi de 1,9%.

De acordo com a média das estimativas reunidas pela LSEG, o Santander teria um lucro de R$ 4,033 bilhões. O resultado do último trimestre do ano passado alinha-se, portanto, ao esperado pelos analistas.

Segundo o balanço do Santander, o lucro contábil do banco atingiu R$ 4,023 bilhões, o que representou um aumento de 2% em relação ao terceiro trimestre. Na comparação anual, a alta foi de 7,4%.


Ações em queda

  • Apesar dos resultados positivos do balanço financeiro, as ações do Santander recuavam na manhã desta quarta-feira.
  • Por volta das 10h35 (pelo horário de Brasília), os papéis do banco registravam perdas de 2,39% e eram negociados a R$ 35,08.

O que diz o mercado

De acordo com a visão predominante entre analistas, apesar dos bons números do Santander no último trimestre do ano passado, a qualidade dos ativos é vista sob desconfiança por parte dos agentes do mercado.

Segundo o JPMorgan, a primeira impressão sobre os resultados do Santander é neutra. “Observamos que o índice de inadimplência de 90 dias foi 30 pontos-base maior em relação ao trimestre anterior, impulsionado principalmente por pequenas e médias empresas, ou PMEs (+80 pontos-base), com indústrias individuais também apresentando piora de 0,4 ponto percentual”, diz o JPMorgan.

Em linhas gerais, a instituição financeira apresenta uma interpretação mista sobre a qualidade dos ativos do Santander, levando em conta, especialmente, características de sazonalidade do quarto trimestre.

“O Santander tem sido muito vocal sobre sua agenda de melhoria de eficiência – em 2025, a empresa reduziu o número de funcionários em cerca de 6 mil e o número de agências em cerca de 580. Em um tom mais negativo, no entanto, outras despesas foram maiores e fizeram com que o índice de eficiência piorasse no 4º trimestre de 2025. No geral, um trimestre fraco, mas em linha com as expectativas e melhor do que o temido”, avalia o JPMorgan.

O Goldman Sachs, por sua vez, afirma que as projeções para as receitas do banco permanecem fracas, com taxas de serviço e margem financeira ainda abaixo do esperado. De acordo com o Citi, o Santander teve um trimestre razoável, com resultados mistos.

Segundo o Bradesco BBI, o desempenho do Santander no último trimestre foi mais negativo do que positivo, influenciado pela qualidade dos ativos.

“Por exemplo, observamos que o índice de cobertura caiu para 210%, os créditos inadimplentes iniciais pioraram 10 pontos-base em relação ao trimestre anterior, para 4,0%, e os créditos inadimplentes de 90 dias aumentaram para 3,7% (30 pontos-base em relação ao trimestre anterior), apesar da sazonalidade. Por fim, as receitas ficaram abaixo do esperado, refletindo menores rendimentos de tesouraria, spreads de clientes e taxas ligeiramente mais baixas. Como ponto positivo, destacamos o bom desempenho das despesas operacionais”, afirma o BBI.

Outros dados

A receita total do Santander no período entre outubro e dezembro de 2025 foi de R$ 21,086 bilhões, o que correspondeu a uma redução de 1,9% em relação ao quarto trimestre de 2024. Já na comparação com o terceiro trimestre de 2025, houve crescimento de 1,6%.

De acordo com o balanço financeiro do Santander, as despesas gerais do banco somaram R$ 6,633 bilhões no quarto trimestre do ano passado, com queda de 2% em relação ao mesmo período de 2024. Em relação ao trimestre anterior, houve alta de 3,3%.

O Santander terminou o mês de dezembro de 2025 com uma carteira de crédito ampliada de R$ 708 bilhões, o que representou uma alta de 3,7%.

No período entre outubro e dezembro, houve avanço nos portfólios de cartão de crédito (+13,4%), financiamento ao consumo (+13,0%), imobiliário (+9,6%) e PMEs (+13,0%).

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