Ação da Oi volta a ser negociada na Bolsa após suspensão de falência
Os papéis da Oi haviam tido sua negociação suspensa na B3 na última segunda-feira (10/11), após a decretação de falência, agora revertida
atualizado
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As ações da Oi voltaram a ser negociadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3), nesta sexta-feira (14/11), após a suspensão do decreto de falência da companhia.
A desembargadora Mônica Maria Costa, da 1ª Câmara de Direito Privado, analisou um recurso apresentado por grandes credores da Oi, entre os quais Bradesco e Itaú, e decidiu suspender os efeitos da decretação de falência da operadora.
Os credores questionaram medidas, que, segundo eles, podem levar a empresa à liquidação, e pediram que a recuperação judicial fosse mantida para permitir uma venda mais organizada dos ativos e evitar prejuízos maiores.
A desembargadora avaliou que a manutenção da Oi pode ser mais benéfica para credores e o interesse público, já que a empresa presta serviços essenciais de telecomunicações no país. A falência foi, então, suspensa.
O vaivém das ações
Os papéis da Oi haviam tido sua negociação suspensa na B3 na última segunda-feira (10/11), às 14h58 (pelo horário de Brasília). Na ocasião, as ações ordinárias da empresa fecharam a R$ 0,18, enquanto as preferenciais valiam R$ 2,43.
No pregão desta sexta-feira, às 14h23, os papéis ordinários da Oi tombavam 27,78% e eram negociados a R$ 0,13. Pouco depois, eles entraram em leilão.
O leilão de ações é um mecanismo utilizado pelas bolsas de valores para equilibrar a oferta e a demanda de ações em momentos específicos do pregão. Ele assegura que o preço de uma ação reflita de forma mais precisa o equilíbrio entre compradores e vendedores.
As ações preferenciais da Oi, por sua vez, abriram estáveis a R$ 2,43. Mais tarde, passaram a operar sob forte volatilidade, chegando a disparar 79% (para R$ 4,45) por volta das 15 horas, enquanto os papéis ordinários recuavam 16,6%.
Entre 15h10 e 15h14, as ações ordinárias da Oi passaram a operar em alta de 5,5%, cotadas a R$ 0,19. As prefererenciais subiam 64%, a R$ 4.
O que disse a Oi
Em comunicado ao mercado, a Oi confirmou que a Justiça do Rio, em decisão monocrática, suspendeu o decreto anterior que determinava a falência da companhia. Na prática, a recuperação judicial foi retomada.
“A decisão monocrática, em análise preliminar, deferiu o pedido de efeito suspensivo ao recurso a fim de obstar os efeitos da sentença judicial, determinando que o Juízo da Recuperação Judicial prossiga com as formalidades legais necessárias destinadas à tramitação da recuperação judicial do Grupo Oi, mediante o cumprimento do plano de recuperação judicial aprovado pelos credores e homologado judicialmente”, afirmou a Oi, em nota.
Em setembro, a Justiça determinou o afastamento da antiga administração da Oi e a elaboração de um plano de transição para garantir a continuidade dos serviços prestados pela operadora. Também foi nomeado um interventor para tratar do caso.
Na ocasião, a juíza Simone Gastesi Chevrand, da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, ainda suspendeu cobranças contra a Oi, com o objetivo de preservar o caixa da empresa.
Recuperações judicias
Em março de 2023, a Oi entrou em recuperação judicial pela segunda vez. O pedido apresentado à 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro foi aceito pelo juiz Fernando Cesar Ferreira Viana, três meses após a conclusão do primeiro processo.
Em sua nova recuperação judicial, a Oi informou ter dívidas de R$ 43,7 bilhões, dos quais o montante de R$ 1 bilhão refere-se a dívidas trabalhistas.
A Oi entrou em recuperação judicial pela primeira vez em 2016, com dívidas acumuladas de R$ 65 bilhões. O processo foi encerrado apenas em dezembro de 2022, após seis anos.
