Oi adia divulgação de balanço após ter falência decretada pela Justiça

A Oi anunciou que o adiamento é por tempo indeterminado – ou seja, ainda não há previsão de data para que os resultados sejam divulgados

atualizado

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1 de 1 Imagem de loja da Oi em shopping - Metrópoles - Foto: Diego Herculano/NurPhoto via Getty Images

Após ter sua falência decretada pela Justiça do Rio de Janeiro, a Oi informou que adiou a divulgação de seu balanço financeiro referente ao terceiro trimestre de 2025.

Inicialmente, os resultados da operadora no período entre julho e setembro eram esperados para quarta-feira (12/11). A companhia anunciou que o adiamento é por tempo indeterminado – ou seja, ainda não há previsão de data para que os resultados sejam divulgados ao mercado.

De acordo com a Oi, o adiamento se deve justamente à conversão da recuperação judicial da empresa e de suas subsidiárias em falência, com a manutenção temporária das operações.

A Oi afirmou que precisará de um tempo maior para concluir suas demonstrações financeiras, que foram impactadas pelos desdobramentos contábeis decorrentes desse processo.

Oi vai à falência

Na segunda-feira (10/11), a juíza Simone Gastesi Chevrand, da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, decretou a falência da Oi, depois de quase uma década em recuperações judiciais.

A decisão da magistrada coloca um ponto final ao drama vivido por aquela que já foi uma “supertele” nacional, uma das maiores empresas do mercado de telefonia e telecomunicações.

Segundo a juíza, “não há mais surpresas quanto ao estado do Grupo em recuperação judicial”. “A Oi é tecnicamente falida”, anotou a magistrada em seu despacho.

Em sua decisão, a juíza também determinou a liquidação ordenada dos ativos da Oi, com o objetivo de maximizar o valor para o pagamento do saldo remanescente junto aos credores.

“Cessada a sanha de liquidação desenfreada, além da garantia da ininterrupção dos serviços de conectividade, é possível se proceder à sua liquidação ordenada, na busca da maximização de ativos em prol de todos aqueles atingidos pelo resultado deste processo”, afirmou a juíza.

A magistrada determinou ainda a continuação provisória das atividades da Oi até que os serviços sejam assumidos por outras empresas.

A decisão da Justiça do Rio é tomada após a própria Oi ter informado, na última sexta-feira (7/11), em petição conjunta com seu gestor judicial, que poderia entrar em estado de insolvência, em meio às dificuldades para honrar passivos.

De acordo com documento apresentado à 7ª Vara Empresarial do Rio, a operadora poderia estar impossibilitada de suportar o pagamento de todo o seu passivo extraconcursal e cumprir com o plano de recuperação judicial em vigor.

Na prática, a empresa reconheceu à Justiça que talvez não conseguisse promover medidas para maximizar seu fluxo de caixa. A dívida extraconcursal é aquela que corre fora do processo de recuperação judicial.

Em setembro, a Justiça determinou o afastamento da antiga administração da Oi e a elaboração de um plano de transição para garantir a continuidade dos serviços prestados pela operadora. Também foi nomeado um interventor para tratar do caso.

A juíza Simone Gastesi Chevrand, da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, ainda suspendeu cobranças contra a Oi, com o objetivo de preservar o caixa da empresa.

Oi estava em 2ª recuperação judicial

Em março de 2023, a Oi entrou em recuperação judicial pela segunda vez. O pedido apresentado à 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro foi aceito pelo juiz Fernando Cesar Ferreira Viana, três meses após a conclusão do primeiro processo.

Em sua nova recuperação judicial, a Oi informou ter dívidas de R$ 43,7 bilhões, dos quais o montante de R$ 1 bilhão refere-se a dívidas trabalhistas.

A Oi entrou em recuperação judicial pela primeira vez em 2016, com dívidas acumuladas de R$ 65 bilhões. O processo foi encerrado apenas em dezembro de 2022, após seis anos.

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