Abaixo do esperado, vendas do varejo caem em junho e frustram mercado

De acordo com o levantamento, em junho de 2025, o volume de vendas do varejo recuou 0,1% em relação a maio, resultado abaixo das projeções

atualizado

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1 de 1 Varejo - Foto: Unsplash

Pelo terceiro mês consecutivo, as vendas do comércio varejista registraram queda em junho deste ano, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (13/9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os números fazem parte da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada pelo instituto.

De acordo com o levantamento, em junho de 2025, o volume de vendas do varejo recuou 0,1% em relação a maio. No mês anterior, houve queda de 0,2%.

O resultado veio muito abaixo das estimativas da maioria dos analistas do mercado, que projetavam alta de 0,7% na comparação mensal.


O que é a PMC

  • Iniciada em janeiro de 1995, a pesquisa produz indicadores sobre o comportamento conjuntural do comércio varejista no país.
  • Para calcular a Pesquisa Mensal de Comércio, o IBGE monitora a receita bruta de revenda nas empresas formais, com 20 ou mais trabalhadores, cuja atividade principal é o comércio varejista.
  • A PMC traz indicadores de faturamento real e nominal, pessoal ocupado e salários e outras remunerações.

Outros dados

Segundo o IBGE, a média móvel trimestral caiu 0,3% no trimestre encerrado em junho.

Na série sem ajuste sazonal, o comércio varejista avançou 0,3% em relação ao mesmo período do ano passado.

O resultado também frustrou os analistas do mercado, que esperavam um crescimento anual de 2,4% em junho.

No acumulado do ano até junho, a alta foi de 1,8%. Em 12 meses, de 2,7%.

Comércio ampliado

No comércio varejista ampliado – que inclui veículos, motos, partes e peças e material de construção –, o volume de vendas recuou 2,5% em junho.

Na série com ajuste sazonal, cinco das oito atividades do comércio varejista registraram queda na passagem de maio para junho: equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-2,7%); livros, jornais, revistas e papelaria (-1,5%); móveis e eletrodomésticos (-1,2%); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-0,9%); e hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,5%).

Por outro lado, no campo positivo, aparecem outros artigos de uso pessoal e doméstico (1%); tecidos, vestuário e calçados (0,5%); e combustíveis e lubrificantes (0,3%).

Queda nas vendas em 14 das 27 unidades da Federação

De acordo com os dados do IBGE, entre maio e junho deste ano, na série com ajuste sazonal, houve resultados negativos em 14 das 27 Unidades da Federação, com destaque para Tocantins (-4,1%), Piauí (-3,2%) e Amapá (-2,6%).

Por outro lado, entre os destaques positivos em junho, aparecem Paraná (2,6%), Roraima (2,2%) e Santa Catarina (1,1%). Amazonas e Espírito Santo registraram estabilidade (0%).

Análise

Segundo André Valério, economista sênior do Banco Inter, “a queda do índice foi disseminada” em junho. “Quando decompomos o desempenho do varejo frente a sua sensibilidade à renda e ao crédito, vemos que a perspectiva não é positiva. O varejo sensível à renda recuou 0,24% em junho, terceiro mês consecutivo de queda, enquanto o varejo sensível ao crédito recuou 1,95%, tendência que deve permanecer negativa à medida que o crédito se torne mais escasso e que o mercado de trabalho perca dinamismo em meio ao aperto monetário”, afirma.

Igor Cadilhac,economista da PicPay, afirma que, “embora os segmentos mais ligados à renda sigam demonstrando certa resiliência, observa-se uma desaceleração mais significativa, impactada especialmente pelos itens mais sensíveis ao crédito”.

“Olhando à frente, a expectativa é de desaceleração no ritmo de expansão do comércio, refletindo a retirada dos estímulos fiscais e de crédito, além dos efeitos ainda presentes da inflação e dos juros elevados”, avalia Cadilhac. “Apesar desse cenário mais desafiador, projetamos que a perda de dinamismo será relativamente moderada. Fatores como o mercado de trabalho aquecido e a massa salarial ainda robusta devem continuar sustentando o consumo das famílias. Mantemos, assim, a projeção de crescimento de 2% para o setor em 2025.”

O economista Maykon Douglas, por sua vez, observa que o resultado do varejo brasileiro em junho foi “ruim em todos os grandes aspectos, com queda disseminada entre os segmentos analisados”.

“É preciso considerar que o varejo vem de máximas históricas, registradas em março deste ano. No entanto, desde então, essa inflexão tem sido maior do que o esperado, reforçando o cenário de moderação da economia doméstica”, conclui.

Para Heliezer Jacob, economista do C6 Bank, os resultados abaixo do esperado em maio e junho “reforçam a expectativa de que o setor está perdendo força ao longo deste ano”. “Nossa projeção é de que as vendas no varejo ampliado fechem 2025 com crescimento abaixo de 1%. Vale lembrar que, no ano passado, esse aumento foi de 3,7%”, aponta.

“Nossa projeção é a de que a economia brasileira, como um todo, deve crescer neste ano menos que em 2024. Entendemos que essa perda de fôlego é reflexo dos juros mais altos, que tendem a impactar os investimentos. Esperamos que o PIB cresça 2% em 2025 e 1,5% em 2026, impulsionado pelos estímulos promovidos pelo governo, como o aumento de gastos, a liberação de recursos do FGTS para os trabalhadores e o incentivo à concessão de crédito”, completa Jacob.

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