Zelensky exige mais armas; Otan teme escalada e 3ª Guerra Mundial

Tensão global tem aumentado com a falta de acordo entre Rússia e Ucrânia para um cessar-fogo

atualizado 24/03/2022 11:30

Foto de bombeiros ucranianos em meio aos escombros de shopping na capital, Kiev, após bombardeio de forças russas - MetrópolesAndriy Dubchak / dia images via Getty Images

Numa reunião emblemática, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, enveredaram por caminhos distintos.

Zelensky exigiu mais armas e tropas. A organização militar coordenada pelos Estados Unidos foi mais cautelosa e mostrou receio de que o conflito saia do controle e dê origem a uma 3ª Guerra Mundial.

Nesta quinta-feira (24/3), a guerra completa um mês. Zelensky conversou com os líderes da Otan. Ocorre que foi justamente o desejo manifesto de entrar na organização que deu início à invasão russa, em 24 de fevereiro.

“Vocês poderiam nos dar 1% de todos os seus aviões. 1% de seus tanques. Um por cento. Para salvar as pessoas e as nossas cidades, a Ucrânia precisa de ajuda militar irrestrita. Assim como a Rússia usa todo o seu arsenal contra nós sem restrições”, exigiu Zelensky.

O líder ucraniano pediu que a aliança militar envie jatos, tanques, armas antinavios e equipamentos militares para defesa aérea. Ele ainda acusou a Rússia de planejar avançar sobre outros países do Leste Europeu, como a Polônia.

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, anunciou que os líderes da entidade concordaram em enviar mais armas para a Ucrânia. Segundo ele, serão fornecidos suprimentos militares significativos, incluindo sistemas antitanque e de defesa aérea e drones.

Contudo, nenhuma tropa entrará no território ucraniano. “A única maneira de fazer isso é estar preparado para entrar em conflito total com as tropas russas. Temos a responsabilidade de assegurar que o conflito não escale”, concluiu.

Dia decisivo

A tensão global tem atingido níveis estratosféricos com a falta de entendimento entre russos e ucranianos e a deterioração das relações político-diplomáticas envolvendo outras nações, como Estados Unidos, Rússia e China.

A quinta-feira tem intensa agenda internacional: haverá reunião da cúpula da Otan, do conselho da União Europeia e do G7 — grupo dos países mais ricos do mundo.

Os encontros debaterão a instabilidade geopolítica atual. Novas sanções contra a Rússia, o risco do uso de armas nucleares e o fortalecimento da defesa mundial são as principais pautas divulgadas até o momento.

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Efeito Biden

O presidente dos EUA, Joe Biden, participa dos encontros. A participação é simbólica e estratégica. Essa é a primeira visita de Biden ao continente após o início da guerra na Ucrânia, em 24 de fevereiro.

Biden, em um recado diplomático importante, visitará na sexta-feira (25/3), tropas militares da Otan na Polônia — país que faz fronteira com a Ucrânia e é integrante da aliança atlântica.

A Polônia sugeriu que a Rússia seja excluída do G20, o grupo que reúne as 19 maiores economias do mundo e a União Europeia.

A tensão nos arredores da Polônia ficou maior na última semana, com o primeiro bombardeio a Lviv, cidade a poucos quilômetros da fronteira polonesa. O ataque deixou o mundo em alerta.

Como a cidade é próxima da Polônia, se a investida seguir e de alguma forma atingir alvos de nações amigas da Ucrânia, mesmo que não intencionalmente, isso poderia fazer o conflito escalar dramaticamente.

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