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Mundo

Vídeo. Censura marca cobertura da guerra para russos e ucranianos

Imprensa ucraniana, como a russa, trabalha sob a interferência do governo. Ambas seguem recomendações políticas sobre como tratar o conflito

24/03/2022 02:00
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Andriy Dubchak / dia images via Getty Images
militar ucraniano é e visto proximo ao shopping Retroville após um ataque de bombardeio russo que matou oito pessoas em Kiev, Ucrânia

No dicionário, censura significa julgar a conveniência de liberação de algo à exibição pública, publicação ou divulgação. Tanto os jornalistas da Rússia quanto da Ucrânia trabalham sob a interferência direta do governo em seu trabalho.

Na Rússia, a guerra não pode ser chamada de guerra. A cobertura jornalística é pautada pelas obrigações de ressaltar as “medidas anti-Rússia”, como as sanções econômicas sofridas pelos russos são tratadas no país, e propagar a tese de que a ação das tropas de Vladimir Putin foi tomada para combater “grupos neonazistas na Ucrânia”.

Na Ucrânia, a imprensa mostra a destruição das cidades e o sofrimento da população, também sempre defendendo o posicionamento do governo — mesmo que signifique exagerar nas tintas.

O Metrópoles selecionou imagens das coberturas jornalísticas dos dois países para mostrar, em vídeo, as divergências  nas informações que russos e ucranianos recebem da guerra.  

Desde a invasão russa, em 24 de fevereiro, uma guerra de narrativas domina as supostas justificativas da investida militar e na cobertura sobre a guerra. 

Tanto russos quanto ucranianos têm acesso a menos informações do conflito e de seus impactos do que outros países não envolvidos diretamente. Só são veiculadas as informações que o respectivo governo quer. 

Na Rússia, o conflito é tratado como “operação militar especial”. Quem descumpre a regra pode até ser preso. 

Os jornais mostram o que está acontecendo na Ucrânia sob o mantra da “operação militar especial para desnazificar a Ucrânia”, construção imposta pelo presidente russo, Vladimir Putin

Imagens

Imagens do conflito e de líderes, como dos presidentes dos Estados Unidos, Joe Biden, e do ucraniano, Volodymyr Zelensky, são publicadas.

Contudo, as reportagens os tratam como inimigos do povo russo e disseminadores da “russofobia”, que seria, segundo a avaliação do governo, um sentimento estimulado pelo Ocidente.

Na Ucrânia, diariamente são mostrados vídeos e fotos de ataques, como bombardeios a áreas residenciais, hospitais e até ambulâncias, além do drama dos refugiados.

Outra abordagem são os impactos da guerra, como perdas econômicas e o desemprego. A imprensa ucraniana tenta continuar a cobertura mesmo com a intensificação dos bombardeios.

A imprensa ucraniana também repercute com bastante ênfase os discursos do presidente Zelensky e ressalta a necessidade de ajuda do Ocidente, como a doação de armas e sanções econômicas mais duras. 

No governo russo, a censura é mais clara, e Putin deixa explícito o que pode ou não ser divulgado. Na Ucrânia, Zelensky uso a lei marcial, que dá poderes especiais em momentos de exceção, para controlar a cobertura de TVs do país. 

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13 imagens
A confusão, no entanto, não vem de hoje. Além da disputa por influência econômica e geopolítica, contexto histórico que se relaciona ao século 19 pode explicar o conflito
A localização estratégica da Ucrânia, entre a Rússia e a parte oriental da Europa, tem servido como uma zona de segurança para a antiga URSS por anos. Por isso, os russos consideram fundamental manter influência sobre o país vizinho, para evitar avanços de possíveis adversários nesse local
Isso porque o grande território ucraniano impede que investidas militares sejam bem-sucedidas contra a capital russa. Uma Ucrânia aliada à Rússia deixa possíveis inimigos vindos da Europa a mais de 1,5 mil km de Moscou. Uma Ucrânia adversária, contudo, diminui a distância para pouco mais de 600 km
Percebendo o interesse da Ucrânia em integrar a Otan, que é liderada pelos Estados Unidos, e fazer parte da União Europeia, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ameaçou atacar o país, caso os ucranianos não desistissem da ideia
Uma das exigências de Putin, portanto, é que o Ocidente garanta que a Ucrânia não se junte à organização liderada pelos Estados Unidos. Para os russos, a presença e o apoio da Otan aos ucranianos constituem ameaças à segurança do país
 A relação conturbada entre Rússia e Ucrânia, que desencadeou conflito armado, tem deixado o mundo em alerta para uma possível grande guerra
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A relação conturbada entre Rússia e Ucrânia, que desencadeou conflito armado, tem deixado o mundo em alerta para uma possível grande guerra

Anastasia Vlasova/Getty Images
A confusão, no entanto, não vem de hoje. Além da disputa por influência econômica e geopolítica, contexto histórico que se relaciona ao século 19 pode explicar o conflito
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A confusão, no entanto, não vem de hoje. Além da disputa por influência econômica e geopolítica, contexto histórico que se relaciona ao século 19 pode explicar o conflito

Agustavop/ Getty Images
A localização estratégica da Ucrânia, entre a Rússia e a parte oriental da Europa, tem servido como uma zona de segurança para a antiga URSS por anos. Por isso, os russos consideram fundamental manter influência sobre o país vizinho, para evitar avanços de possíveis adversários nesse local
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A localização estratégica da Ucrânia, entre a Rússia e a parte oriental da Europa, tem servido como uma zona de segurança para a antiga URSS por anos. Por isso, os russos consideram fundamental manter influência sobre o país vizinho, para evitar avanços de possíveis adversários nesse local

Pawel.gaul/ Getty Images
Isso porque o grande território ucraniano impede que investidas militares sejam bem-sucedidas contra a capital russa. Uma Ucrânia aliada à Rússia deixa possíveis inimigos vindos da Europa a mais de 1,5 mil km de Moscou. Uma Ucrânia adversária, contudo, diminui a distância para pouco mais de 600 km
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Isso porque o grande território ucraniano impede que investidas militares sejam bem-sucedidas contra a capital russa. Uma Ucrânia aliada à Rússia deixa possíveis inimigos vindos da Europa a mais de 1,5 mil km de Moscou. Uma Ucrânia adversária, contudo, diminui a distância para pouco mais de 600 km

Getty Images
Percebendo o interesse da Ucrânia em integrar a Otan, que é liderada pelos Estados Unidos, e fazer parte da União Europeia, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ameaçou atacar o país, caso os ucranianos não desistissem da ideia
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Percebendo o interesse da Ucrânia em integrar a Otan, que é liderada pelos Estados Unidos, e fazer parte da União Europeia, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ameaçou atacar o país, caso os ucranianos não desistissem da ideia

Andre Borges/Esp. Metrópoles
Uma das exigências de Putin, portanto, é que o Ocidente garanta que a Ucrânia não se junte à organização liderada pelos Estados Unidos. Para os russos, a presença e o apoio da Otan aos ucranianos constituem ameaças à segurança do país
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Uma das exigências de Putin, portanto, é que o Ocidente garanta que a Ucrânia não se junte à organização liderada pelos Estados Unidos. Para os russos, a presença e o apoio da Otan aos ucranianos constituem ameaças à segurança do país

Poca/Getty Images
A Rússia iniciou um treinamento militar junto à aliada Belarus, que faz fronteira com a Ucrânia, e invadiu o território ucraniano em 24 de fevereiro
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A Rússia iniciou um treinamento militar junto à aliada Belarus, que faz fronteira com a Ucrânia, e invadiu o território ucraniano em 24 de fevereiro

Kutay Tanir/Getty Images
Por outro lado, a Otan, composta por 30 países, reforçou a presença no Leste Europeu e colocou instalações militares em alerta
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Por outro lado, a Otan, composta por 30 países, reforçou a presença no Leste Europeu e colocou instalações militares em alerta

OTAN/Divulgação
Apesar de ter ganhado os holofotes nas últimas semanas, o novo capítulo do impasse entre as duas nações foi reiniciado no fim de 2021, quando Putin posicionou 100 mil militares na fronteira com a Ucrânia. Os dois países, que no passado fizeram parte da União Soviética, têm velha disputa por território
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Apesar de ter ganhado os holofotes nas últimas semanas, o novo capítulo do impasse entre as duas nações foi reiniciado no fim de 2021, quando Putin posicionou 100 mil militares na fronteira com a Ucrânia. Os dois países, que no passado fizeram parte da União Soviética, têm velha disputa por território

AFP
Além disso, para o governo ucraniano, o conflito é uma espécie de continuação da invasão russa à península da Crimeia, que ocorreu em 2014 e causou mais de 10 mil mortes. Na época, Moscou aproveitou uma crise política no país vizinho e a forte presença de russos na região para incorporá-la a seu território
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Além disso, para o governo ucraniano, o conflito é uma espécie de continuação da invasão russa à península da Crimeia, que ocorreu em 2014 e causou mais de 10 mil mortes. Na época, Moscou aproveitou uma crise política no país vizinho e a forte presença de russos na região para incorporá-la a seu território

Elena Aleksandrovna Ermakova/ Getty Images
Desde então, os ucranianos acusam os russos de usar táticas de guerra híbrida para desestabilizar constantemente o país e financiar grupos separatistas que atentam contra a soberania do Estado
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Desde então, os ucranianos acusam os russos de usar táticas de guerra híbrida para desestabilizar constantemente o país e financiar grupos separatistas que atentam contra a soberania do Estado

Will & Deni McIntyre/ Getty Images
O conflito, iniciado em 24 de fevereiro, já impacta economicamente o mundo inteiro. Na Europa Ocidental, por exemplo, países temem a interrupção do fornecimento de gás natural, que é fundamental para vários deles
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O conflito, iniciado em 24 de fevereiro, já impacta economicamente o mundo inteiro. Na Europa Ocidental, por exemplo, países temem a interrupção do fornecimento de gás natural, que é fundamental para vários deles

Vostok/ Getty Images
Embora o Brasil não tenha laços econômicos tão relevantes com as duas nações, pode ser afetado pela provável disparada no preço do petróleo
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Embora o Brasil não tenha laços econômicos tão relevantes com as duas nações, pode ser afetado pela provável disparada no preço do petróleo

Vinícius Schmidt/Metrópoles