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O voto decisivo para destravar a aprovação do acordo comercial da União Europeia com o Mercosul no Conselho Europeu, nesta sexta-feira (9/1), veio da Itália. A decisão foi tomada pelos governos dos 27 países do bloco em reunião de embaixadores em Bruxelas. A Comissão Europeia agora pode avançar com a assinatura do tratado com os países sul-americanos.
Para garantir o apoio do governo de Giorgia Meloni, a Comissão Europeia apresentou uma série de medidas voltadas ao setor agrícola europeu, um dos principais focos de resistência ao acordo.
Além das salvaguardas reforçadas pelo Parlamento Europeu, que funcionam como mecanismos de proteção extra para os agricultores do bloco, a Comissão anunciou nesta semana novas concessões ao setor. Entre elas, um adiantamento de € 45 bilhões em financiamentos e a redução de impostos sobre emissões de carbono relacionadas ao uso de pesticidas.
Essas iniciativas foram suficientes para convencer o governo italiano. A votação, inicialmente prevista para a cúpula do Conselho em dezembro, havia sido adiada a pedido de Meloni, que solicitou mais tempo para dialogar com o setor agrícola italiano. Na ocasião, ela chegou a telefonar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para explicar que a Itália não era contrária ao acordo.
França manteve voto contrário
O apoio da Itália foi essencial para que o texto atingisse a maioria qualificada, reunindo países que representam ao menos 65% da população da UE. Apesar da aprovação, alguns países mantiveram sua posição contrária. A França continua sendo o principal foco de resistência. O presidente Emmanuel Macron confirmou na véspera da votação que o Eliseu manteria sua oposição.
Nessa quinta-feira (8/1), milhares de manifestantes voltaram às ruas em Paris para protestar contra o acordo, temendo impactos negativos para os agricultores franceses. Em Bruxelas, porém, não houve registro de grandes mobilizações nesta quarta-feira. O tempo chuvoso, frio e com ventos fortes contribuiu para a tranquilidade nas ruas ao redor das instituições europeias.
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